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 GENOSHA (África do Sul)

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Magneto

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MensagemAssunto: GENOSHA (África do Sul)   Sab Ago 29, 2015 12:18 am

"Bem vindo á GENOSHA, Terra de Paz e Liberdade a todos os Irmãos Mutantes!"
"Sem Opressão."
"Sem dor."
"Sem perseguição."
"Sem Humanos."




Com um legado de escravidão, a Ilha africana era um berço de dor e trabalhos forçados, experiências e torturas por parte dos ditadores para com os mutantes que eram enganados e levados a Ilha com uma falsa proposta de paz.
Em Genosha os mutantes eram capturados e mantidos como escravos nas mãos de militares ditadores, lugar onde até mesmo alguns dos X-men foram aprisionados e impedidos de sair, com colares em seus pescoços que explodiriam caso saíssem de lá.


Charles Xavier e os X-men acabam tendo conhecimento sobre a tal Ilha já que três dos seus estavam sendo mantidos aprisionados por lá.
Uma grande batalha se iniciou e a julgar pelo clima de desarmonia que se perpetuava pelo mundo, um clima nem um pouco favorável para os mutantes, não haveria muito apoio para com a libertação dos tais escravos de Genosha. Os sentinelas já lotavam as cidades enquanto mais e mais mutantes eram oprimidos nas ruas, A ilha africana era apenas um reflexo da arrogância humana sobre os que deveriam dominá-la, com esse pensamento Magneto simplesmente se uniu a causa da libertação e após uma forte guerra civil a ilha foi finalmente liberta do legado humano e ditatorial.
A ilha agora abandonada ainda chamava a atenção de Magneto que inspirado na antiga falsa proposta resolveu lutar pela posse do lugar agora sem uso dizendo agora realmente usá-la para abrigar mutantes, usá-la para o mesmo motivo porém agora verdadeiramente.
Com isso, a Ilha foi cedida a Magneto que não se demorou em divulgar pelas cidades enormes outdoors dizendo:
"Encontre Paz, Encontre GENOSHA!"

Com Prédios, casas, ferrovias e toda as estruturas da ilha feitas senão inteiramente mas com resíduos de metal, Magneto se tornou o Presidente de Genosha tornando-a um real refúgio para os tão oprimidos mutantes onde lá poderiam viver longe do ódio e ignorância humana que aflige todos os seus irmãos que ainda vivem pelas ruas sujas e humanas das cidades, mesmo que o seu passado mais rústico e brutal nem um pouco ligado á paz ainda seja tão presente na mente de todos. Por conta disso, a enorme Nação insular contém armas enormemente poderosas escondidas pelo reino metálico de Magneto.
O mestre do magnetismo oferecia paz aos mutantes mas em nenhum momento deu o privilégio aos homo sapiens selvagens de tê-la também.


No meio de todos os prédios e casas há um enorme castelo feito das mais puras ligas metálicas, sua estrutura complexa foi arquitetada pelo próprio Magneto que garantiu tê-lo a sua maneira sempre que desejasse, e vendo que todo o castelo era feito de metal, isso não seria muito difícil. No castelo existem inúmeros cômodos e dentre eles há um em especial, a sala principal do trono de Magneto onde geralmente passa seus dias inteiros a observar um sonho que se tornava mais real a a cada dia. Metros antes da sala do trono há um labirinto enorme tendo metal em cada grama de suas paredes.



Última edição por Magneto em Sab Ago 29, 2015 2:13 pm, editado 2 vez(es)
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Pietro Maximoff

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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Sab Ago 29, 2015 5:40 am

Um clarão amarelado se espalhou, marcando presença, mas ninguém realmente o notou. A luminância se fez visível apenas para o amontoado de árvores e relva que haviam ao seu redor, claramente uma floresta profunda e aparentemente desabitada por parte de toda a ilha, mas o lampejo não se estendeu por mais tempo que alguns meros segundos. Depois que cessado, revelou-se ali, mesmo no meio da mata escura e densa, a imagem gigantesca de uma sombra canina. Logo ao lado desta, refletindo no pouco do sol do crepúsculo que adentrava pelas frestas das folhas das árvores gigantes, moldava-se também a sombra de músculos masculinos bem definidos, numa vez que os cabelos na cabeça fosca ganharam mais destaque pelos desenhos pontudos que dois fios faziam erguidos e jogados ao ar do quê o restante do cabelo. A respiração pesada - provavelmente vinda da sombra cachorresca - era claramente ouvida, rápida, como devia ser para um cachorro normal, afinal.

- Valeu, Dentinho.- o rapaz se moveu, dando tapinhas amigáveis no que parecia ser o mais alto que podia alcançar no cachorro se esticasse a mão completamente, sua orelha que caía murcha rente ao corpo.

Rwwwwwwrrrr, foi literalmente a resposta, o que fez o rapaz se afastar ligeiramente do cão.

- Qual é, não esqueça do osso gigante que consegui do pterodáctilo e te prometi. Eu vou dá-lo a você depois, não duvide de mim.

Um silêncio breve se fez e por algum fácil e mínimo sexto sentido era fácil distinguir que os dois trocavam olhares e, particularmente, o do cachorro, franzido e de focinho empinado, mostrava claramente o querer do cumprimento daquela promessa.

- De qualquer forma, vá agora. Eu chamo quando estiver indo embora. Não é seguro para você ficar aqui. Não vou querer me explicar com Cristalys depois se você quebrar a patona. - a voz soou, num tom que parecia tão rápido que era quase como se estivesse com muita pressa e, embora realmente fosse o caso para o rapaz, poderia afirmar que aquele tom não costumava mudar nem num feriado à beira da praia, afinal.

Como melhor amigo do homem, o cachorro rosnou uma vez mais antes de outro clarão da mesma proporção e cor do anterior se formar, iluminando no meio da mata a imagem dos dois novamente.


E então tudo se apagou de novo. Diante de apenas o verde pouco iluminado, de modo que, se olhasse para o céu, mal poderia ver o crepúsculo que se levantava, o rapaz apenas começou a andar.

- Melhor amigo do homem, mas não de mutantes.

A pressa de antes parecia ter sumido, assim como o cachorro. Ele poderia correr e chegar em seu destino em três segundos e cinquenta e sete milésimos. Mas não o fez. Não ainda.

- Abrir arquivo correspondente: Crystalis - 999.- ele disse, logo no início de seus primeiros passos e um barulho eletrônico no ponto em seu ouvido se fez, sutilmente, como se atendesse ao comando. Do ponto, se estendia um microfone sútil que parava logo a frente de sua boca. E, após um suspiro, ele começou:- Querida e amada esposa Cristalys...

"Preciso de você. Queria estar com você agora, estar no nosso quarto ajudando Luna a desempacotar todos os presentes que ganhou ontem, no aniversário dela. Foi bom, sabe? Por mais que eu não demonstre muito algo como felicidade, eu vejo que Attilan realmente gosta de Luna e isso me deixa feliz. Eu chegarei a tempo, Crys, eu prometo. Eu só tenho que resolver uma coisa primeiro e... na verdade, eu nem tenho certeza se isso vai resolver. Eu admito: eu não sei porquê eu estou aqui. Eu não sei porquê quero vê-lo."

Uma pausa. Um suspiro breve, outra vez.

- Eu só quero olhá-lo nos olhos e ter certeza de que não resta nada daquilo nele. Quero ter certeza de tantas coisas quando olhar aquelas íris azuis, mas quase posso já anteceder que não vou conseguir todas. Mas há algo me atormentando, Crys, e eu estou com medo. Não por mim. Mas por você e Luna.

"Eu não quero que isso se estenda. Eu nem mesmo faço ideia de como explicá-la isso, por isso não o fiz e não pedi ajuda. Está tudo, pela primeira vez, tão bem entre nós que não quero estragar de forma nenhuma. Acontece que, literalmente, há um homem me perseguindo. Eu não sei quem ele é, ele nunca diz seu nome. Ele anda encapuzado de vermelho e a sombra me impede de ver seu rosto. O que sinto diante da presença dele é tão avassalador que me impede de fazer vento para levantar seu capuz, mas acho que, mesmo se tentasse, seria inútil. Ele é muito misterioso, preparado, temo porquê se esconde tanto e dos truques que guarda por debaixo da capa. O real problema, Crys, é que ele age como um espírito, um encosto, um profeta que sempre me fala sobre a mesma coisa: o meu eu mais interior, que nunca parei para pensar antes.  Ele fala sobre os meus medos e ele me fala sobre o meu destino certo, mas ele nunca diz qual é. Ele nunca responde minhas perguntas como eu quero que responda. É confuso demais para entender e isso está me deixando maluco. No fundo, o pior, é que eu acho que entendo... e exatamente por isso é um perigo. Eu não posso conviver com isso mexendo comigo dessa forma enquanto estamos em casa, no palácio, em família. Eu não posso mais ouvi-lo falar sobre Magneto. No fundo, Crys, isso é só um desabafo. Desde que pensei que havia perdido você para sempre, criei o costume de ditar longas cartas que você nunca vai ler. E eu não sei nem mesmo o porquê...
Estou ficando louco, Crys? Você saberia me dizer, mas você nunca vai me ouvir perguntar isso.
Eu só quero que você saiba, e isso eu vou sempre dizer, que eu me preocupo com você mais do quê comigo mesmo. Você é tudo pra mim, ainda mais agora que voltou. Você e nossa filha corrigiram o que havia de errado comigo, me fizeram sentir-me num verdadeiro lar, ao menos quando estamos sozinhos no quarto.
É por isso que estou aqui. É por você e por Luna.
Eu só... amo você, Crystalis."


Ele parou de andar, estancando no gramado alto e denso, tocando o ponto em sua orelha brevemente.

- Desligar gravador. Arquivar carta.

Dito isso, ele tirou o microfone, guardando-o no bolso de seu colante azul-escuro e branco, onde este, por sua vez, dividia seu corpo num raio bem bordado.
E não demorou para que ele se tornasse uma obra realística daquele desenho.
Seu vulto se fez por todas as árvores, agitando as folhas, traçando um caminho para fora da floresta. Ele não era mais do quê um raio para quem o visse.
E ele também via tudo ao seu redor, numa magnífica câmera surpreendentemente lenta. Os passos das pessoas demoravam séculos para acontecerem. Os barulhos, horas para findarem ou surgirem. Ele observou tudo por onde passou.
Mutantes dos mais diversos tipos, das aparências mais coloridas e bizarras, aparentemente aproveitando um direito que o mundo lá fora, do outro lado do oceano, lhes tirara: o direito de ser feliz. O direito de viver e de ser digno. Então era assim que Genosha funcionava... não se surpreendia. Já estivera ali uma outra vez e, tirando novas construções, novas pessoas, não estava lá tão mudado. Era assim que era pra ser. O Paraíso Mutante, como muitos falavam por aí à fora.  
"E você usa isso nos Outdoors, não, pai? É até engraçado ver seu rosto estampando em plástico na rua."
No fim, ele percorreu toda a cidade, observando tudo o que podia apenas por curiosidade mórbida e oportunidade.
A observação totalmente detalhada durou três segundos e cinquenta e sete milésimos até que ele mesmo notasse o que se estendia à sua frente, o que o fez estancar no chão, deixando um rastro esbranquiçado e manchado pelo solo do mais puro metal.
Ha... o que se esperar de Magneto? Claramente era ali. O aparente castelo, base da Ilha, bem ali. Dois guardas entraram em seu campo de visão também, se aproximando.

- Eu quero ver meu pai.- Pietro Maximoff declarou, severamente.- E isso tem que ser rápido.  
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Magneto

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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Sab Ago 29, 2015 6:35 pm

Era fim da tarde, aos poucos a escuridão tomava conta das ruas e ruelas por toda a ilha fazendo o metal prateado se tornar escuro, aos poucos a luz do gigante de fogo se tornava mais e mais escassa como quem fecha a porta de um cômodo iluminado.
Uma fresta cada vez mais fina de luz amarelada reluzia pelos edifícios e casas metálicas fazendo-os se tornarem enormes e chamativos refletores mas não por muito tempo pois na mesma proporção lâmpadas se acionavam por todo o lugar tomando a escuridão que há pouco lhe foi empregada, com a ida do sol que se tornava cada vez menos intenso, veio um certo frio provavelmente por estarem no meio do mar e rodeados de metal, junto com o fim da tarde o silêncio iniciou seu reinado, nenhuma barulho poderia ser ouvido, nenhum barulho além de algumas vozes aqui e acolá, vozes mutantes e nada mais, e novamente o silêncio voltava a tomar conta de tudo...mas isso era o esperado de uma recém nação liberta que tinha um índice de criminalidade extremamente alarmante e que sofreu uma mudança drástica se tornando um refúgio de paz...bem, o silêncio se tornou um visitante mais comum do que parece.
Diferente de um outro em especial.
Dizia-se pela Ilha que ninguém entra ou sai de Genosha sem que Magneto saiba...isso era bem verdade.
Genosha é uma ilha flutuante no meio do oceano, um ponto específico exercendo forma contra as águas que exercem mais força contra um centro da terra, para outros é apenas um monte de terra e rochas mas para Magneto é um enorme ponto magnético no meio do nada, ponto magnético que só aumentou mais e mais após ter toda sua arquitetura feita de metais. Tendo isso em mente, Genosha é um enorme ímã flutuante, o peso de cada mutante que ali reside interfere no campo magnético que a envolve, de tal forma que se alguma ave estrangeira pousar na ilha, Magneto sentirá tal mudança...e foi assim que ocorreu.
Uma mudança drástica no campo magnético ao redor da ilha lhe fez ter certeza de que algo muito grande acabara de pisar em solo genoshiano, algo que não era nem humano e nem mutante...isso só poderia significar uma coisa, uma coisa que não agradava nem um pouco o mestre do magnetismo que vendo o pôr do sol cair sobre sua nação, seu sonho que se tornava mais real a cada dia. Tendo como plano de fundo o cair da tarde em sua sala principal, Magneto caminha lentamente enquanto de dentro de uma das paredes metálicas que o rodeiam sai uma especie de trono feito também inteiramente de metal, assim como tudo naquele castelo, sentando-se calmamente Erik move seus dedos como se chamasse alguém e então o chão ao seu lado direito muda rapidamente de estado sólido para líquido abrindo espaço para enormes telas saíssem do chãos e logo se fixassem quando o piso metálico voltou a ser sólido.
Num estalar de dedos as telas se ligam, todas ao mesmo tempo e o que Magnus pode ver por elas é simplesmente...tudo.
Baseado em ideologias ditatoriais egípcias, Sedo Magneto o líder supremo dos que residiam na Ilha, isso lhe dava o direito de saber de tudo o que acontecia na Ilha, de ver tudo o que acontecia em cada rua, em cara esquina. Câmeras extremamente potentes escondidas em pontos estratégicos davam a Magneto conhecimento de todas as ações de cada mutante em Genosha, dando assim uma quase Onisciência para ele, criando nos moradores um pensamento ainda mais certo de que Magneto era seu salvador.
Os olhos azuis correram pelas telas que eram o único foco forte de luz naquela sala escura, olhos calmos e semi-cerrados, num tipo de neutralidade inquebrável, ou pelo menos era o que ele pensava até que como quem muda de canal os olhos de Magneto se tornaram mais abertos como se tentasse entender o que via diante de seus olhos. Na tela do canto, que mostrava a região silvestre não habitada da Ilha, um clarão se fez e nada mais havia na tela além de uma figura de um visitante, talvez o único próximo o bastante de Magneto...porém o mais distante. Com um movimento de dedos, a tela se aproxima mais de Erik que encara aquilo como se buscasse um resposta que fizesse mais sentido do aquela visita.


- Não pode ser você...

E então após de meros segundos de visão dados a Erik pelo breve e rápido caminhar por parte do visitante inesperado o mesmo sumiu como um relâmpago e quase instantaneamente se tornou um vulto branco um tanto azulado que começou a passar por todas as outras telas logo atrás como se estivesse em todos os lugares ao mesmo tempo, mas Magneto sabia que na verdade as imagens apenas eram lentas demais para quem acabara de chegar em seu lar.  Saciando a pequena suspeita e alimentando uma enorme dúvida, Magnus volta ao seu semblante sereno enquanto afasta as telas para longe. Erik eleva as mãos na altura da cabeça e retirando o capacete avermelhado ele o apoia em seu colo.

- Por quê você está aqui? ~A voz calma e branda deixou a boca de Magneto num pensamento alto o bastante para se tornar uma pergunta que só seria respondida por quem a motivou a ser feita...Pietro.
Não demorou- E isso era algum comum para o Maximoff- Para que chegasse em seu destino, e julgando que um castelo brilhante e enorme no meio de toda a ilha não era um bom esconderijo, ele saberia que se esconder não era o real objetivo. O tempo que Magnus demorou para encontrar o local da primeira aparição de Mercúrio nas câmeras foi muito maior que o tempo necessário para saber que o velocista viria a sua porta e assim o fez, afinal, por qual outra razão viria a Genosha? Parado em frente aos guardas, Pietro ouviria apenas um "Bip-Bip" vindo do capacete dos guardas como o com de comunicador, um dos guardas responde -"Como desejar."- e só então como resposta ao pedido- Ou ordem- Do mutante, os guardas se moveram saindo da sua frente, recolhendo as armas e lhe dando passagem para adentrar o castelo. Agora na frente do Maximoff havia penas uma passarela, uma ponto enorme que ligava aonde estava e a entrada do lugar.



"Lorde Magnus o espera."
E nada mais foi dito pelo guarda. Nem ao menos aonde, em que andar ou quarto Magneto estaria, o que era até um pouco sensato já que a estrutura do castelo mudava frequentemente sempre que o seu dono quisesse.
Com a proporção que Pietro se aproximasse, as portas enormes e incrivelmente sólidas se abririam até ficarem completamente abertas apenas a espera do recém-chegado. Quando entrasse perceberia enormes escadas que pelo que Magneto sabe muito bem do mutante, não seria um problema subi-las. Em cada andar haveriam dezenas de cômodos e portas simplesmente soldadas ou apenas seu contorno no mais sólido metal para que apenas Magnus as abrisse.
No meio do que já parecia ser confuso de transitar, Pietro encontraria uma enorme sala com paredes que se ligavam do chão ao teto, paredes centenas de vezes maiores que o seu tamanho, era um labirinto, feito inteiramente de ligas metálicas composto por dezenas de caminhos que poderiam levar a lugar algum e apenas um levaria á sala onde Magneto esperava por Mercúrio. Quando chegasse ao final do labirinto e encontrasse a tal sala principal veria apenas a imagem de Magneto de costas com seus braços sobrados para trás marcando a capa que se estende até ao chão, com seu típico traje avermelhado e violeta em pé ao lado do seu trono, onde já não havia mais telas e sim uma mesa metálica com cadeiras ao redor.

- E o filho pródigo a casa torna... ~Num tom brando Magneto se vira lentamente só então encarando uma figura que embora incrivelmente familiar, também lhe era desconhecida~ Para quê precisa de minha ajuda?~ Um breve silêncio é deixado por Magnus mas logo é preenchido~Oh, me perdoe, não quis ser grosseiro mas não vejo outro motivo para que tenha vindo até minha casa. Faz um tempo, um tempo longo que não lhe vejo com meus próprios olhos, tenho que admitir que é um surpresa tê-lo aqui sem aqueles...seres de onde agora você vive. Pensei que não o veria novamente depois que Charles...depois do que houve.~ Levantando um mão, Magneto faz sair do chão sendo erguido por um tipo de onda de metal líquido que logo se solidifica, uma garrafa do que aparentava ser Uísque junto a dois copos, ambos se posicionaram sobre a mesa, Erik olha para suas veste e para as de Pietro enquanto se serve um copo da bebida e num tom um tanto cômico fala brando assim como fez desde a chegada do filho.~ Vejo que assim como eu, você não largou os velhos costumes não é?~ Um leve sorriso~ Agora me diga, a que devo a honra da sua visita?~Dessa vez um tom de um leve deboche pode ser notado em sua voz.
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Pietro Maximoff

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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Sab Ago 29, 2015 11:15 pm

Ele franziu o cenho. Esperou por um, dois segundos, até três e aquilo foi nada menos do quê uma confirmação de que nada mais seria dito. Nem o número do quarto? Direção? Esquerda ou direita?Não. O castelo de metal era todo dele para explorá-lo, pelo que parecia.
Num dar de ombros amplo, declarou que aquilo não era exatamente um problema para um velocista, mas ele não esperava ver placas de direcionamento nem para o banheiro. Por isso, não tinha tempo a perder.
Pietro simplesmente seguiu para adentro do arco que se formava no começo da ponte, passando por este e deixando os guardas para trás. Pelo visto, a segurança ali era suave - até demais. Não podia negar que esperava alguma complicação por sua imagem, por seu pedido tão direto. Afinal de contas, mesmo filho de Magneto Pietro era um Vingador e algumas coisas mais que isso, do lado dos bonzinhos que tanto causaram problemas para o presidente da ilhota em tempos não muito distantes. Pensou que Genosha não gostaria muito de receber qualquer um desses heróis em suas terras, mas poderia estar precipitado - tanto quanto lembrou-se, ao visualizar a imagem do castelo numa análise rápida, que não era difícil ver quem chegava próximo da ponte da janela lá em cima do castelo, e era ali que Magneto deveria estar - deduziu. Se seu querido pai já tinha passado ordem para seus capangas, que fosse, então.
O Maximoff atravessou apressado pela ponte, preenchendo sua extensão com um vulto azulado até que chegasse ao seu fim, onde ele, ao ver que as portas se abriam, adentrou o castelo sem cerimônia. Divisou as escadas. Sua imagem se tornou um vulto novamente e ele as subiu em milésimos. Logo, dentro de todos os andares pelo qual passou, um efeito dominó de barulhos de portas abrindo e batendo se fez contínuo e frenético por cerca de dois segundos, até que cessassem de vez. Chegou lá em cima, diante da tal sala gigantesca com aquelas paredes metálicas coladas uma a outra. Depois de olhar por cima do ombro, vendo apenas o espaço lá embaixo do lance de escadas que acabara de subir, a bagunça de portas abertas que deixara, se voltou à frente...
E ele soltou um suspiro abafado, fechando a expressão ainda mais do quê já estava.
Se aquilo tudo era de metal, Magneto podia alterá-los com a facilidade de um estalar de dedos... aquele labirinto sempre existira ali?
Achava difícil. Pietro sentiu-se marcado propositalmente.

"É por isso que eu odeio você, pai. Me deixa doente."

Apesar do trabalho chato que julgou, o fato de ter que memorizar cada lugar - o que não era lá tão difícil, porque ele fez questão de deixar uma marca esbranquiçada por onde julgava ser o caminho certo, arrastando a sola do sapato esquerdo pelo chão metálico durante a corrida, de tal forma que Magneto só precisou esperar um, dois, três... três e meio...
Um vulto passou direto pelo corredor diante da porta da sala e desapareceu, deixando um rastro branco logo no batente da entrada que marcava um caminho que passava direto pelo corredor, sem entrar na sala.
Quatro.  
O barulho do deslocamento de ar contra as paredes de metal foi ouvido se aproximar novamente, e logo a imagem de Pietro retornou pelo caminho que tinha errado ao passar direto da sala, parando bem ali, de frente para a porta, encarando o Magneto que estava de pé e de costas. Atrás dele, o rastro esbranquiçado fazia uma curva e meia-volta no corredor, levando-o, só então, até a porta da sala, logo abaixo onde seus pés pisavam. Labirinto desvendado em nada menos que menos de dez meros segundos.
E ali estava ele. Seu pai, Magneto.
Pietro esperou que ele se virasse, com a vontade de dizer um "eu não retornei a lugar nenhum", mas a imagem do homem longevo o fez manter-se em silêncio, até que seu cenho grisalho franziu diante da pergunta que soara na voz de Magneto.

- Eu não disse que vim atrás de ajuda.- sua voz soou ríspida, sem fraquejar, durante aquele meio silêncio do homem à sua frente. Aparentemente, ele teria mantido o disfarce de palavras sarcásticas e irônicas, assim como seu pai estava fazendo, mas aquela pergunta simplesmente fez Pietro desabafar, ignorando completamente o pedido de desculpas que soou:- Se eu quisesse alguma, iria pedir a quem realmente pudesse me ajudar. Sua visão anda muito limitada, pai. O tempo parou para você em Genosha, não? O mundo lá fora continua acontecendo, Magneto, e eu não sou mais o seu filho que corre até sua sala pra choramingar por algo como ajuda.

Com passos decididos, ele adentrou a sala, se aproximando do pai.

- Inumanos.- ele corrigiu. Estava enfrentando. Já tivera conversas nada agradáveis com alguns dos "seguidores" de seu pai, e eles sempre faziam o mesmo quando viam Pietro; tocar naquele assunto, acrescentando algo sobre Inumanos serem mutantes impuros ou erros genéticos da própria mutação. Não deveria ser um orgulho falar deles em Genosha. Mas Pietro simplesmente não iria aceitar nada de nenhuma espécie de repreensão contra o, não seu povo, mas povo de sua esposa.- Acredite, eu não estaria aqui se não fosse preciso. - "O que houve" tirou tudo de quase todos lá fora... mas no seu paraíso nada parece ter mudado. Sorte sua. Minha e de Wanda também.

Ele não saberia exatamente dizer exatamente qual significado seu tom de voz dava àquela frase. Ele apenas conseguia pensar que, desde que Wanda morreu e voltara a vida, Magneto simplesmente não havia aparecido ou intervindo em nada, nada que Pietro soubesse, nem para saber se a filha preferida e recém ressuscitada estava bem ou não. Ele sequer tinha certeza se Magneto sabia de algo, afinal estivera praticamente impossibilitado num estado deplorável durante a batalha contra Massacre. Aquilo, o desconhecimento e não implicância consigo e com sua irmã era algo bom, certo...?
Então o que diabos era aquela agonia em seu estômago?
Seus olhos azuis desfocaram-se para outro lugar da sala, não fitando mais Magneto, se aproximando da mesa enquanto o corpo era preenchido por uísque...
Pietro se encostou sutilmente sobre a mesa, fitando a bebida com os olhos cerrados, quase como se perguntasse se tinha alguma espécie de tóxico ali dentro, e não pegou o copo em momento algum, preferindo voltar a erguer os olhos azuis para Magneto.

- Eu deveria?- a pergunta foi retórica, e ele logo prosseguiu em seu tom de voz tão ligeiro de sempre:- Eu vim aqui para dar um aviso. Um aviso sério. Ou quem sabe impedir algo. Entenda-o como quiser.- cruzando os braços, ele olhou ao redor, sutilmente, precisando perguntar antes.- Onde estão seus capangas? Pyro, Groxo...- as reticências foram só porque ele precisou do tempo para engolir em seco.- Mestre Mental...
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Magneto

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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Dom Ago 30, 2015 2:31 am

A mão de Magneto que segurava tão firmemente a garrafa com líquido dourado treme, um pouco do uísque cair para fora do copo que estava preparando para Pietro, havia algo diferente na voz do garoto- Não era mais certo chamá-lo assim mas talvez fosse algo um tanto difícil para um pai que não viu sua criança crescer- Aquele tom imponente e forte, quase ditando verdades, questionando até as mais simples afirmações, criando um escudo ao redor de si com um semblante rude praticamente impenetrável...poderia soar mais familiar?
Terminando de encher o copo, Magneto deixou a garrafa sobre a mesa mas não se sentou, permaneceu em pé enquanto era encarado pelo que um dia já fora alguém que precisou do que agora era um velho cansado.

- Me desculpe, Pietro. Mas mediante a situação, não consegui imaginar o lhe traria aqui mas vejo que não veio por minha causa.~ Era óbvio que não, mas tão inegável quanto o desgosto de Pietro na presenta do pai eram os sentimentos que estranhamente deixara amargo até o gole que Magnus deu no copo de uísque~ Talvez tenha razão, o tempo talvez tenha parado por aqui mas veja, muitos de nós estão vivendo em paz, muitos de nós estão aqui e não nas ruas do mundo que continua acontecendo, aqui elas encontraram felicidade...minha visão limitada tem salvado muitos dos nossos, Charles ficaria feliz...Mas todos nós fazemos escolhas, você protege o seu povo e eu protejo o meu.~ Um estalar de dedos faz luzes- não lâmpadas e sim luzes- saírem do teto iluminando a sala escura~ Não precisa me dizer isso, você não vem choramingando a mim há muito tempo, você cresceu rápido...~ "...rápido demais" mas o que esperar de alguém como Pietro se não rapidez em tudo? Se ao menos Pietro soubesse como é estranho para Magneto olhar para ele e ver a si mesmo, ele poderia dizer, mas a conversa já estava criando rumos desagradáveis o bastante~ Já que não veio por ajuda ao menos beba um pouco, é escocês.

Magneto se senta afastando a capa de lado rapidamente para não prendê-la ou sentar-se sobre ela, tristemente aquele movimento fora feito apenas para ter o mesmo movimento porém feito contrariamente logo em seguida. Pietro veio a sua casa, sua Ilha, embora não viesse por ajuda não tinha o direito de se portar tão arrogante, o velocista mudara muito mas suas palavras ainda são as mesmas, porém mais rudes. As brincadeiras e rebeldias da sua adolescência se tornaram ofensas, ofensas que pareciam cada vez mais focadas apenas na figura do que deveria ser seu pai.
O tempo passou e embora Magneto estivesse trancafiado num castelo de metal no meio do oceano, as mudanças o afetaram também e Pietro sabia muito bem disso, e como o próprio velocista disse "O que houve" tirou tudo de quase todos lá fora...", Magneto estava lá fora também. E pelo que tudo apontava, Erik era tão culpado quanto Charles.

- TUDO...~ A voz de Erik alcançou um tom alto e forte quase ecoando pela sala de metal, seus olhos azuis se arregalaram e suas sobrancelhas grisalhas formaram um "V" em meio aos olhos encarando Pietro, a mão direita de Magneto acerta a mesa e embora não tivesse derrubado os copos, o golpe foi forte, porém rapidamente o que parecia um semblante de raiva se tornou algo como um arrependimento apenas transpassados pelos olhos que se apertaram fortemente e a voz que voltou ainda mais branda~...tudo mudou.~ a mão que fortemente acertou a mesa se mostrou trêmula assim que acertou a mesa de metal, mas rapidamente foi movida para longe da visão dos dois~ Eu não vejo desse jeito, nenhum de nós teve sorte no que houve, mas não esqueça que esse lugar é o paraíso de todos os que você certamente viu até chegar a mim.~ Tudo apenas perdera muito da importância que tinha naquele momento e por mais que Erik tentasse manter o foco, afinal, algo realmente importante trouxe o velocista até o reino metálico de Magneto, ele queria focar o máximo que podia na real situação mas não pode negar o tremor em sua espinha o apertar de olhos, um leve e amargo gosto em sua boca, um gosto de arrependimento e saudade quando da boca de Pietro veio aquele nome que há muito não ouvia...Wanda. Maior que a culpa de ter deixado tanto para trás e ter se isolado numa ilha, era a vergonha de assumir que sentia medo...muito medo, Magneto prosseguiu~ Você mais do que ninguém deve saber o quanto é importante manter quantos puder a salvo, eu ouvi sobre você em seu novo lar, os Inumanos parecem ser gratos. Os anos foram gentis com você e você mudou, Pietro.~ Era estranho assumir~ Assim como eu e justamente por isso penso que é importante deixarmos alguns dos velhos hábitos para trás...~ Empurrando formas arredondadas e metálicas em seus ombros, a capa pesada e vermelha que se estendia caiu ao chão, Erik esperava que Pietro entendesse o que ele realmente quis dizer.~ Esse tempo passou, e embora muitos dos que conhecemos ainda estejam lá fora, mudando junto ao mundo, esse tempo já passou para nós, você é uma autoridade onde vive e bem, aqueles irmãos tão maltratados que receberam uma chance de ter uma vida me elegeram seu presidente, não é mais cada um por si. Tem muitas vidas em nossas costas agora, você não pode negar isso. Somos homens maduros, Pietro, então sente-se e converse como um.

Virando o que restou do uísque no copo, Magneto cruzou brevemente os braços como se quisesse conter algo, e logo em seguida arrumou os fios de cabelo grisalho que haviam se desarrumado.
a mão trêmula se fez presente novamente mas logo voltou a se esconder entre a mesa e as pernas de Magnus.

- Como eu disse, tudo está muito diferente. Jason sumiu desde o fim da Irmandade dos Mutantes, não tive mais notícias dele. Receio que tenha...partido, os estragos dos últimos acontecimentos não foram agradáveis para a maioria dos nossos mas quanto a Groxo, ouvi dizer que ele estava num circo viajando num trailer e Pyro...~Magnus engoliu seco~ Eu não tenho tido contato com todos aqueles, eles se foram, infelizmente não ficaram o bastante para ver o quanto a luta deles valeu a pena.~ Magneto enche novamente o copo com uísque~ Esse é o lar para todos os mutantes que quiserem...todos.~ Um gole seco no copo de uísque faz arder agora sua garganta~ Há apenas eu e você aqui, meus acólitos estão em suas casa, assim como sua irmã~ Estendendo a mão para uma das paredes, um tipo de caixa de madeira com leves detalhes metálicos e um "M" prateado na parte de cima vem voando até a mão de Erik, abrindo a tal caixa ele retira três quadrados que para a visão de Pietro seriam apenas papeis brancos, talvez. Dos três Erik retira um e guarda os dois rapidamente sem dar chance alguma para um espiada no que mais havia dentro da pequena caixa do tamanho do seu palmo. Erik estende a mão que segurava o que tirou da caixa e agora se mostrava ser uma foto um tanto velha e a põe sobre a mesa na frente de Pietro.



- Não tenho mais capangas, está tudo nas minhas mãos agora. Agora, faça o que veio aqui para fazer, o que veio me avisar, Pietro?
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Dom Ago 30, 2015 9:46 am

Como o bom observador que a super-velocidade lhe forçava a ser, de tal forma que podia e sentia a necessidade de olhar um ambiente inteiro em meros milésimos, ele notou a tremedeira na mão do próprio pai, soerguendo uma sobrancelha para esta.
Suas palavras conseguiram deixá-lo tão desconcertado assim? Era sempre confuso. A mente algumas bilhões de vezes mais rápida que uma normal fazia cada vez mais questões impossíveis de se responder para um Pietro que tudo o que fazia era recordar um retrato fixo do passado. Era assim, todas as vezes que estava perto do pai. Talvez fosse por isso que a alegada - e talvez clara mudança de Magneto simplesmente não lhe caía a ficha.
Só ele sabia o peso de todas as ações do mestre do magnetismo anos atrás... e isso estampava-se em sua memória todas as vezes que olhava o rosto desgastado do ancião vestido de vermelho e violeta à sua frente, com um capacete que falhava ligeiramente em esconder os cabelos tão grisalhos quanto os seus.

- Não reclamei. Genosha realmente pode ter sido uma das melhores coisas que você fez na vida, só atrás pra quando decidiu parar com a rixa contras os X-men. Se não está mais brigando, por que não tira esse capacete?- a pergunta soou um tanto mais severa do quê deveria, quase tornando-a retórica de tão suspeita que aparentou, mas ele não a refez nem a amenizou, apenas observando Magneto beber do próprio copo enquanto seu rosto foi iluminado pelas luzes recém acesas.- É uma das coisas que não tem a ver com minha mutação. Sempre fui forçado a crescer rápido. E eu não gosto de escocês.

Foi uma quase declaração certeira para o copo intocado, que tremeu ameaçadoramente sobre a mesa, derramando metade do uísque para fora quando Magneto esmurrou-a daquela forma. Aquilo fez Pietro instintivamente dar dois passos para trás, pondo as mãos ensaiadamente à frente do corpo numa defesa sútil, quase como se esperasse um ataque mais sério.
Mas isso não aconteceu...
Pietro se recompôs, ainda com uma expressão meio assustada, meio opressora, contra Magneto.

- Pela primeira vez, suas propagandas não mentem, pai. Se esse lugar existisse quando achou a mim e minha gêmea, talvez até persistíssemos na sua.- memórias. Elas se tornaram mais nítidas depois daquela quase perda de controle de Magneto. Era assim que Pietro estava acostumado a vê-lo, afinal. Mas vê-lo se reajustar em tão pouco tempo eram outros quinhentos... aquilo era novo para o Maximoff, querendo ou não.
Mesmo assim, as palavras de comparação a seguir o incomodaram. Sempre o incomodavam, essa certeza de parecer-se com seu pai mais do quê gostaria.- É, eu mudei. Mas, se eles não conseguem esquecer o vilão que fui por pouco tempo, pai - ele poderia ao menos se dizer um herói, agora? Uma pausa que se fez presente apenas para que ele voltasse a se aproximar da mesa, finalmente.- Eles não vão esquecer o que Magneto foi, não importa quanto tempo tenha passado.

Pietro sabia perfeitamente que aquele "eles" em sua frase poderia ser perfeitamente substituído por um "eu".
Mas é claro que dessa parte ele preferiu afastar o máximo que pudesse de seus pensamentos - não era hora.

- Mas não me entenda mal...- o que ele não podia perceber era o quanto aquele clichê de frase poderia simplesmente dublar e pertencer ao homem à sua frente.- Você tem feito um bom trabalho, assim como eu. Parabéns, papai.- aquilo soou tão afiado em sua língua que não teve efeito nenhum de "parabéns" - na verdade, pareceu exatamente o contrário, mas... era apenas um detalhe, no fim.

Sua imagem sumiu num vulto e, do lado de Magneto, passou para à sua frente - é claro que Erik demoraria um tanto a perceber isso. Porém, até que notasse, veria um Pietro encarando-o seriamente, quase sem piscar os olhos azuis tão idênticos ao que ele próprio fitava, sentado sobre a cadeira metálica.

- Estou sentado. Estou conversando. É isso o que um homem maduro faz pra você?- a indagação veio enquanto seu olhar escorregou, desprendendo-se de Erik e divisando propositalmente o trono logo atrás de Magneto...
As mãos enluvadas de cores distintas - azul e branco - de Pietro se estenderam, agarrando o copo de uísque à sua frente. Ele rodeou sua borda com o dedo indicador, rapidamente.- Hm...

Foi tudo o que Pietro pode dizer quando Erik discorreu sobre os nomes por quem havia perguntado. Seu rosto baixou e, por um segundo, sua expressão tornou-se invisível pela sombra dos cabelos grisalhos.
Ele arfou forte. Era impossível dizer o que estava acontecendo. Uma possível perturbação se mostrou presente no ato de quando ele tomou o conteúdo do copo - que já não era muito - de uma só vez. Porém, logo após isso, sua atenção precisou se erguer, de tal forma que ele fitou o pai enquanto agarrava a tal caixa e retirava aquelas fotos, pondo apenas aquela única sobre a mesa.
Pietro imaginou consigo mesmo - já tendo quase certeza, quando viu a garota de cabelos verdes na foto mostrada - do que as outras duas fotos deveriam tratar...

- Lorna? Ela está aqui?- ele pegou a foto da mão que lhe estendia, analisando-a de perto e parecendo extremamente surpreso - realmente demonstrando isso, pela primeira vez ali.- Achei que estivesse trabalhando para o X-Factor, passei algum tempo na sede da Serval Industrias e ela era a líder da nossa equipe. Por que ela veio pra cá?

Após um silêncio onde Pietro se dedicou apenas a encarar a foto da meia-irmã, sendo impossível dizer o que se passava dentro daquela cabeça grisalha, a pergunta de Magneto adentrou seus ouvidos, fazendo-o largar a foto sobre a mesa imediatamente.

- Pois bem, pai...- as reticências não tinham um motivo exato, dessa vez... mas sua expressão não parecia nada, nada agradável - mesmo que já não fosse desde que chegara ali. Era como se a perturbação de antes de beber o uísque e se distrair por Lorna tivesse voltado à tona.- Eu quero avisar que pare de mentir pra mim.

Ele deu um soco na mesa. Não parou para pensar no que aquilo afirmava ou deixava de afirmar sobre sua semelhança a Magneto. Foi simplesmente um impulso. Seu copo vazio tremeu e se espatifou no chão ao lado da cadeira enquanto ele próprio se levantava com veracidade.

- Eu rastreei Mestre Mental antes de vir e ele está aqui, nessa ilha!- sua voz bradou, a plenos pulmões.- Eu sabia que vocês dois estavam tramando algo. Ele, você! São as únicas explicações para o meu recentemente aparecido fantasma particular!
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Seg Ago 31, 2015 11:00 pm

"Eles crescem rápido."
Era uma frase que se era comum de ouvir das bocas de muitos pais quando atingiam certa idade.
Era quase cômico que Magneto pensasse nisso agora, ainda mais em relação a Pietro.
Ele fazia qualquer coisa de modo rápido e até além disso, velocidade era uma palavra comum para o já crescido homem de cabelos grisalhos.
"O tempo passa rapidamente."
Não enxergamos isso quando estamos correndo, vivendo no calor do momento, movidos pela emoção. Tal afirmação poderia ser quebrada facilmente pelo mutante de vestes azul e braco, afinal, uma hora poderia ser uma eternidade para quem se move mais rápido do que o som que chega aos seus ouvidos.
Uma eternidade que se passou como num piscar de Olhos para Magnus que quando soube que que os gêmeos- Pietro e Wanda- eram seus filhos, já estavam crescidos o bastante para tomarem as próprias decisões...mas mesmo assim, Magneto as tomou por eles.
O tempo passou rapidamente, e em meio ao que parecia ser realmente o certo a se fazer apenas restaram cicatrizes e laços que jamais se reatariam.
Como uma luta, como uma vitória pode valer a pena com tantas perdas?
A primeira afirmação de Pietro lhe causou um leve sorriso, o qual fez Magneto falar sem esperar que o filho concluísse.

- Eu fico feliz que veja dessa forma, houve muito trabalho empenhado aqui e...~ A segunda afirmação logo em seguida, tirou o tal sorriso discreto de seu rosto fazendo inclinar os olhos num semblante visivelmente triste embora contido.~ Eu preferia que não falasse assim aqui dentro, Pietro...Este deveria ser um lar de paz e você...tem sido cruel desde que pôs os pés dentro da minha casa. Eu era jovem e tolo, estava movido pela causa certa mas não usava as armas mais adequadas, mas não discordarei de você, embora seja engraçado ouvir você falar disso...eu não era o único a estar na frente contra eles...não morda sua língua.~ Embora parecesse uma bronca, não soava como um, simplesmente não tinha como ser. Magneto apenas fala sinceramente e seriamente de pai para filho...ou quase isso. os próximos dizeres de Mercúrio logo o fizeram virar os olhos para cima onde pode apenas visualizar uma ponta afiada e vermelha que descia até seu nariz.~ Eu...Eu só preciso...~ A saliva desceu brutalmente forte e rasgada pela sua garganta e como estava parecendo ser comum para aquele encontro, Pietro novamente fez Magnus sentir o mais triste e puro...remorso.~ Eu vejo, e Pietro...desde que se filiou a Irmandade dos mutantes anos atrás eu lhe forcei a aceitar minhas ideias, opiniões e tudo que me parecia cair bem, embora aquilo fosse preciso para lhe fazer forte eu...eu...~ "...sinto muito."~ Você mudou bastante....

Aquelas palavras, aquela voz, aquele tom.
Pietro estava Cruel, insensível, forte e astuto, calejado e maltratado pelo tempo...
Era como se ver muitos anos mais jovem, Magneto poderia facilmente aconselhá-lo mas as palavras de um mendigo teriam mais valor do que as suas em um momento ácido como aquele.
Querendo ou não, Magnus via em Mercúrio o que fez a si próprio sobreviver num mundo tão sádico como o que ele deixou para trás.
Isso era importante, ainda mais por um motivo que Magneto preferia manter em segredo mas motivado por algo drasticamente ruim que vinha se agravando com os anos, Erik deveria repensar o tal segredo relacionado ao Maximoff.
"Eles não vão esquecer o que Magneto foi"

- Sabe, Filho. Mesmo que eu pense que você queira me ver discordar, eu não o farei...Em nenhum momento eu esperei que esquecessem o que este mutante a sua frente uma vez representou, nunca esquecerão. Pelo mesmo motivo que não esquecerão Charles pelo que fez, por tantas mortes, por tantos desastres, da mesma forma que não esquecem o que você também já fez...suas mãos estão sujas também, e mutantes como nós nunca poderão lavá-las. O mal que um homem faz permanece vivo mesmo após sua...morte, porém o bem que ele fez será enterrado aos ossos. Eles sempre se lembram do que fizemos de errado mas eles ainda podem olhar o que fazemos de certo, por mais que não pareça.~" Eu ainda posso ver...", ~ Nada, simplesmente nada fica sobre a terra quando um homem se vai, apenas seus frutos...~A boca treme e falha enquanto o velho sentimento amargo e desejo de voltar no tempo o atormenta repentinamente.~...Você e suas irmãs são o que há de mais próximo de mim, tudo isso...~ Magneto estende a mão como se tentasse expandir a visão de Pietro para a enorme janela~...um dia virá ao chão e não vai significar mais nada.

Por um instante-instante longo até demais- Magneto deixou que fluísse seu instinto e sentimentos mais intocados em sua alma obscura e pintada de rubro há tanto tempo, Por um instante Magnus falou como um pai e se deixou falar por mais tempo do que poderia prever, ao fim daqueles dizeres ele sentira que disse o que deveria dizer a um tempo, mesmo que dito de maneira estranha e talvez sem muita relação com o que era dito antes ou com o que foi dito depois, porém, uma simples frase fez a implicância que veio em seguida parecer minúscula.
"Parabéns, papai."
Mesmo que num tom irônico, ouvir aquilo lhe fez sorrir embora tão discreto a ponto de ser quase imperceptível, apenas leves inclinações no canto da boca e um abaixar de seu rosto.
O antigo clima de afrontas verbais havia passado? Magnus acredita que não.
Esperar pelo pior era o melhor a se fazer, Pietro ainda não havia dito o que realmente veio fazer no lar metálico de Magneto e isso lhe preocupava fortemente mesmo que por enquanto, após entregar a foto á Pietro e tocar no assunto de sua irmã, tudo tenha mudado de direção...Assim como Pietro que como num vulto bicolor sumiu perante a vista de Magneto que permaneceu com o rosto virado para onde Pietro estava primeiramente e após um leve gole no copo recém-cheio olhou Mercúrio com olhos de quem já estava acostumado com tudo aquilo.

- Sim, Pietro.~ Magneto afirma enquanto se acomoda na cadeira dobrando as pernas, sobrepondo uma delas sobre a outra~ Ela está morando á duas quadras daqui...~Uma breve memória se fez presente na mente de Erik~ Foi um pouco depois de você partir, assim como você ela veio até mim e não estava nem um pouco certa do que ouviu pela cidade, Genosha ainda estava tendo conflitos com os antigos opressores e como já havia dito, não tenho capangas, tenho seguidores de uma ideia que agora é quase real. Ela não ficou por muito tempo e logo se foi, eu não poderia obrigá-la a ficar mas as coisas pioraram e eu tive de manter esse lugar inteiro, então emiti um pulso magnético torcendo ser forte o bastante...e foi. Não demorou até que ela chegasse aceitasse meu pedido de ajuda, nós derrotamos todos os malditos sujos que ainda restavam e com a ajuda de suas habilidades nós construímos tudo o que viu ao seu redor, eu não a obriguei, eu apenas....



-...Pedi que ficasse. Ela aceitou ficar por um tempo e foi o bastante para que percebesse que a imagem que você tanto enfatizou hoje, a imagem de meu passado, havia se apagado de mim. Eu precisei apenas mostrar a verdade para Lorna, Pietro, Sem mais mentiras.

Mentir.
Não parecia ser uma opção muito querente e a julgar pelo que os olhos azuis de Magnus presenciaram, mentir parecia ter consequências perigosas.
"Pois bem, pai..."
Era estranho como uma pausa, por mais lenta que fosse, soava no meio dos dizeres de Pietro.
Mesmo achando que a pausa era algo incomum, Magnus aproximou um pouco mais o rosto com intenção de ouvir melhor a espera do que o velocista diria.
Ingenuidade? Magneto riria de si mesmo se não tivesse sentido um gelar em sua espinha.
As mãos enluvadas, como num reflexo súbito e incrivelmente rápido, seguraram forte nos braços da cadeira como se temesse cair da própria. As pernas se descruzam e os pés e fixam fortemente ao chão mesmo sem o uso do Magnetismo.
Os olhos De Magnus que antes olhavam em qualquer outra direção, logo após virar o rosto, agora olham simplesmente arregalados, as sobrancelhas inclinavam sua testa deixando os olhos já arregalados transpassarem um excesso de agonia e...Medo!
Os olhos de Pietro...Aqueles olhos lhe trazia um sentimento de dor e triste como se pudesse sentir a de várias pessoas apenas em si próprio, aqueles Olhos eram terrivelmente familiares...Onde Magneto já havia visto aqueles olhos?
Logo após ter saído de um estado de paralisia extremo e uma demorada recuperação, Magnus ainda tinha memórias que foram totalmente embaralhadas ou simplesmente ficaram em destaque.
Foi o que Xavier deixou ao sair, não só bagunçou sua mente como também trouxe a tona lembranças que ele próprio, Charles Xavier, odiou ver.
Lembranças de um Magneto enfurecido e sem controle.
Era de lá que aqueles olhos, os olhos de Pietro vinham.



A mão trêmula agora sacudia fortemente enquanto segurava o pedaço de metal da cadeira.
Os olhos azuis de Magneto apenas encaram a feição nada agradável do próprio filho.
Como poderia Mercúrio, um adolescente inconsequente e irresponsável que apenas corria sem direção, desafiando leis e ordens agora as ditar? Ele realmente havia mudado mas Magneto não sabia dizer se havia sido para melhor, não quando a imagem do próprio filho que por anos ele havia guardado simplesmente fora embora presente daquele novo Pietro que lhe despertava algo que Magnus não sabia definir.
Orgulho ou Medo?
A boca entre aberta, a expressão de susto são complementos para os olhos assustados que ligados nos semblante do filho como se fosse lá um polo magnético forte o bastante para prendê-lo, agora voltam ao normal saindo do transe pelo barulho forte do vidro quebrando ao se espatifar no metal.
A visão do mestre do magnetismo corre pelo uniforme bicolor de Pietro até chegar onde seu punho havia batido fortemente como um martelo acertando uma bigorna.
O estrondo não fora a toa, a mesa de metal simplesmente entortara, um afundar arredondado se encontrava abaixo de sua mão e o velocista logo veria se prestasse atenção.
Tudo aquilo era ódio? Não surpreenderia se fosse, ainda mais se voltado contra o próprio pai.
Mas mesmo na presença de Magneto, Pietro não lhe dou total foco, aquela raiva e ordem tão assustadoramente mostradas tinham uma razão maior que mais uma das várias desavenças entre os dois.
Qual seria a relação entre o citado Mestre Mental e seu "fantasma particular!"? Não era incerto que o ilusionista e ex-membro da irmandade sofresse tais acusações mas porque Pietro acusava o pai de estar envolvido?
Que lástima, é claro que não haveria alguém mais suspeito para o velocista acusar.
Era quase certo que pela primeira em vida...Mercúrio veria seu pai sendo inocente...ou quase isso.

- E-eu não...~ A voz gaguejava enquanto lentamente as mão se soltavam da cadeira, os dizeres param e o silêncio é cortado pelo próprio Magneto~...Parece que você descobriu porque não tiro o capacete.~ Um silêncio tomou conta de todo o lugar,  nada poderia ser ouvido além das ondas que castigava as pedras do lado de fora do castelo e a voz grave de Magneto. "Sem mais mentiras" ele disse, e assim deveria ser.~ Mestre Mental está aqui, morando em umas das casas feitas por mim como um digno cidadão genoshiano.~ Já esperando uma revolta por parte de Pietro, Magneto ergue-se ficando de pé a sua frente e logo continua a falar.~ Eu abri este lugar a todos os mutantes sem exceção! Eu conversei com Jason antes, ainda na cidade, ele estava em estado deplorável morando nas ruas, seus poderes estavam praticamente escassos. Eu o trouxe aqui e lhe falei das regras, ele terá liberdade mas tirará a liberdade dos outros cidadãos de Genosha, ele me pediu por ajuda e eu tive de lhe ajudar mesmo sabendo o rato traiçoeiro que ele é. E é exatamente por isso que sabendo que aqui ele tomaria suas forças novamente que eu mantenho o capacete...ele é o único mutante com poderes mentais que reside aqui, e mesmo sabendo que seus poderes estão mínimos eu resolvi me proteger para proteger meu povo.~ Magneto por mais suspeito que fosse...não deixou que nada saísse de sua boca além da verdade~ Me perdoe por ter mentido mas não pude esquecer das suas desavenças com ele, se tivesse me dito seu real interesse aqui desde o início eu não teria porque mentir. Eu lhe asseguro em repetir que os poderes de Mestre Mental estão...~ Uma breve lembrança lhe vem como um flash- Ou um soco na cara- quando percebeu que havia sido mais do que tolo em demonstrar o mínimo de piedade~...Aquele Maldito Miserável! ~ O grito ecoou por toda a sala enquanto num jogar de braço a mesa e tudo que havia em cima dela foram arremessados contra uma parede se transformando num amassado pedaço de metal~ Como eu pude ser tão tolo?~ As mãos sobem até sua cabeça sobre o capacete enquanto os dedos se contraem~ Eu estava sem esse maldito capacete na noite em que o encontrei! Ele certamente me fez acreditar que estava doente! Todos esses malditos telepatas, sempre tirando proveito de todos, entrando na sua cabeça como se fosse um pequeno parque de diversões! Agora você entende, Pietro? ENTENDE POR QUE EU NÃO TIRO ESSA COISA?~ As luzes piscam fortemente e então quase como se as luzes fossem um aviso, Uma sirene toca de forma alta ecoando por toda Genosha e sendo ouvida claramente dentro da sala.

Sirenes::
 

A respiração de Magneto aos poucos se acalma enquanto as sirenes aos poucos somem, ele apanha a capa caída no chão e seus olhos azuis agora praticamente sem demonstrar emoção alguma encaram Pietro.

- Eu tinha esquecido disso, nenhum povo continua suas vidas e suas lutas sem incentivo, as sirenes são um chamado por algo que esse próprio povo tão oprimido no passado precisa...Um salvador. Confie em mim, Se não pelo primeira vez que seja a última então, acredito no que digo, Eu não tenho relação com seu Fantasma nem com mal algum que aflige sua mente. Eu quero saber tanto quanto você o que está acontecendo mas agora tenho de falar com meu povo...porém, lhe peço algo antes...~ Um silêncio momentâneo e os olhos azuis de Magneto agora parecem procurar o que ainda existe do próprio filho dentro dos olhos antes tão enfurecidos de Pietro~ Venha comigo, para que os genoshianos vejam você. Eles me vêem como um deus, me vêem com respeito e embora não tenha vindo aqui antes assim como Lorna...eles sabem sobre você e lhe vêem da mesma forma.~ Magnus põe a capa novamente e dá alguns passos em direção a janela enorme que lhe dá visão de tudo logo abaixo mas logo para e volta a olhar para Pietro.~ Se não quiser vir comigo e ver desta forma, entenda que seria um teste, todos os cidadãos vêm para meus comunicados, todos sem exceção, inclusive Mestre Mental. Seria uma boa forma de ver como ele reagiria ao ver você aqui, certamente se for culpado do que lhe assombra ele demonstrará. Ele é como todos os outros ludibriadores, faça um pressão e ele dirá o segredo de seus truques mas não posso deixar que faça justiça por si dentro de Genosha. Venha comigo, dei-me uma chance assim como sua meia-irmã e prometo que todos os culpados pagarão.
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Ter Set 01, 2015 1:13 am

Ele não falou nada. Ele não respondeu nada, a princípio. No fim, diante daquela pretensa bronca, Pietro só pôde lembrar-se vagamente de uma memória que insistiu em discorrer-se e prolongar-se em sua cabeça.
Era uma noite fria e chuvosa, mas a batalha que ocorria lá fora pelas ruas da cidade de Santo Marcos, no sul da América, não parecia se importar com isso. De um lado, mutantes vestidos de azul e amarelo, trabalhando em equipe, comandando-se em ataque e defesa. Do outro lado, a Irmandade. Groxo, Mestre Mental, Magneto... Mercúrio e Feiticeira Escarlate.
Fazia tanto tempo... Pietro ainda trajava seu colante esverdeado com um pequeno raiozinho prateado cortando-lhe o peito.
Estava árduo, como sempre era, contra os X-men. E ele acabara de ser distraído, e tomara um belo soco no rosto pelo mutante loiro com um gigante par de asas vestido com o uniforme do X-men.

- Esse que você está esmurrando é o meu irmão!- Pietro ouviu Wanda gritar, mesmo que estivesse no chão, o nariz sangrando, respingando por cima do traje verde.

E então, numa bola de probabilidade cor-de-rosa, o tal Anjo foi atingindo, caindo desacordado no chão.

- Ah, você derrubou aquele com asas. Ótimo, Wanda.- Magneto, que havia acabado de pousar voo entre os irmãos, se fez dizer.- Agora acabe com ele de uma vez!

- Acabar? Mas...- Wanda engasgou, e Pietro se interpôs entre Magneto e a irmã.- Sem chance, Magneto! Sim, nós estamos em débito com você por ter salvo nossas vidas da H.I.D.R.A, mas nós não concordamos em nos tornarmos assassinos a sangue frio!

- Isso é o que nós temos que ser, Mercúrio, se quisermos sobreviver.- Magneto insistiu, em seu tom tão autoritário da época.- Eles não nos oferecem outra escolha.

Spoiler:
 

- Está enganado.- Pietro rebateu.- Sempre há uma escolha.

No fim, eles perderam, como sempre acontecia.
No fim, a Irmandade se retirou em plano de fuga, voltando a se esconder em sua base arranjada a eles por Magneto.
No fim, naquele momento, Pietro fitou os olhos do pai com uma seriedade que superava muito a que havia demonstrado até agora e suas sobrancelhas franziram quase como se houvesse um elmo sobre sua cabeça.

- Morder minha língua?- um sorriso nada feliz se formou em seu rosto; um sorriso amargo e cínico.- Você realmente era ingênuo naquela época. Então eu tenho que dizer, pai: algumas vezes, sabe, a maioria... eu realmente ficava feliz quando éramos vencidos pela equipe de Xavier.

Porém, diante das palavras que se formaram da boca de seu pai a seguir, Pietro se mostrou confuso.
Por que ele achava que Genosha iria ceder, acabar?-
Antes de mais nada,  sua expressão alterou-se quando ele ergueu ambas as sobrancelhas grisalhas, silenciosamente, claramente achando uma solução par sua dúvida antes que Magneto pudesse dizer qualquer coisa.
Seria porque ele estava ficando velho?
"E não há ninguém para substituir você agora. Nunca houve."
Ele não formulou em palavras essa última parte, embora tivesse tido vontade.

- Hmpf.- ele rosnou, virando o rosto quando Magneto explicou tudo sobre Lorna Dane.- Polaris sempre foi a caçula entre nós, mesmo. É fácil acreditar quando não se viveu a realidade. É por isso que ela é só meia-irmã minha.

Mas toda aquela conversação foi deixada para trás. Não era como se Pietro realmente quisesse sentar para beber e conversar sobre a vida que passara durante o tempo em que pai e filho estavam longe. Ele queria acabar com aquilo logo.
Seus olhos estavam muito cheios de raiva, brilhantes demais para prestarem atenção no quanto Magneto estava assustado; Pietro estava movido por uma fúria que até ele já havia visto antes, mas não queria, não podia lembrar dos velhos tempos agora.  
Ele apenas podia se ver ali...
Sentado numa cadeira, tremendo em sua própria base enquanto ouvia o líder da Irmandade gritar e discorrer sobre o que o velocista tinha feito de errado no dia.

"Cada vez que ele me olha, Wanda, é como se eu fosse algum tipo de coisa repulsiva. Eu quero ir embora."- sua própria voz choramingou, ecoando dentro de sua mente, numa lembrança que ele nem sabia que ainda existia.  

Talvez, foi por isso que ele não deu outro piti quando Magneto enfim assumiu estar mentindo.
Talvez, foi por isso que ele preferiu abaixar o rosto e escondê-lo com uma das mãos, apenas para respirar profundamente antes de dizer alguma coisa.
Mas ele sequer teve como. Era Magneto agora quem perdia o controle. Diante dos gritos do pai, Mercúrio apenas se manteve calado, ouvindo-o discorrer sobre o mutante em questão. Mesmo assim, ele se voltou ao pai, sem falhar em seu olhar severo.

- Parece que as pessoas realmente não aprendem, não? Não tenho um capacete como o seu...- ele suspirou, batendo um dos pés no chão, com força.- Então por que me atormentam também?! É óbvio que é ele quem está por trás disso tudo! Sempre me odiou, sempre, e esse ódio era recíproco pra mim.

Porém, diante da sirene extremamente alta quando esta se fez, Pietro mostrou confuso, olhando de um lado ao outro velozmente, procurando algo, algum alerta, olhando tão atentamente como se esperasse ver a maior das emergências, a cidade em chamas ou explodindo pela janela, mas não foi nada realmente disso que ele viu... embora sua expressão tenha se tornado desacreditada, encarando rudemente Magneto, quase sem acreditar nas palavras do pai que se faziam presentes no meio de todo o alarme.

- O quê?!- ele teve a esperança de ter ouvido errado, mas foi momentâneo.- Você está maluco, Magneto? Não tenho tempo a perder! Irei encontrar o maldito Jason e fazer ele cuspir um dente a cada palavra que me disser! Pouco me importa se é um cidadão Genoshiano, ele não vai me escapar, pai!

Mas as palavras a seguir tornaram um Pietro mudo por alguns segundos. Durante estes, uma batalha fenomenal se formou em sua cabeça. Ele ainda não confiava plenamente nas palavras de Magneto - na verdade, ele sequer sabia filtrar no que podia confiar ou não ali.
Mas não havia tempo. Não mais.
Pela primeira vez, as coisas estavam acontecendo rápido demais, até mesmo para Pietro Maximoff.
Então ele sumiu num vulto. E, logo, estava logo à frente de Magneto.

- Não acredito em você quando diz não estar envolvido nisso...- afinal, o que seu fantasma particular falava?
Sobre Magneto.
Sobre Destino.
Sobre largar sua própria família...
Ele dizia coisas que só existiam entre Pietro e o próprio pai - ninguém mais deveria saber de tais fatos. O conhecimento de seu fantasma particular era extenso, ele sabia bem...

- Suas promessas não significam nada pra mim. Por isso eu digo que você não tem escolha; eu vou, mas com uma condição: quando isso acabar...- seus olhos comprimiram, e ele apenas acrescentou:- Você vem comigo até o Mestre Mental.
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Qui Set 03, 2015 1:05 am

"São frias."
Era assim que Charles Xavier um dia disse que sentia as memórias de Erik.
"São frias como aço."
Sem sentimentos? Talvez sim, porém, sabe-se o que acontece quando se bate demais num prego que se força a não penetrar a madeira. Ou ele entorta ou é a penetra totalmente.
Ironicamente Magneto era o prego, um prego teimoso o bastante para resistir adentrar aquilo que lhe tanto causava repúdio.
Mas o que aconteceu? O que fez um jovem polonês se tornar um monstro?
Talvez Magneto não seja realmente o prego...Talvez Magneto seja o martelo.
Todo o poder.
Todo o controle.
Tudo nas mãos de quem um dia não tivera o simples controle de si próprio.
Mortes! Era nisso que se baseava o último governo de um homem que teve poder demais nas mãos.
E Magneto estava bem no meio disso, no meio da política mais suja e podre que já pode existir, uma política de extermínio maquiada de salvação.
Magnus jurou com todas as suas forças a si mesmo não deixar que isso acontecesse denovo.
Porém, com o tempo, assim como seus poderes seu ódio se tornou maior e mais forte...E então a maldita velha política de matança e sangue se tornou algo assustadoramente comum.
Sangue nas ruas, escolas e até mesmo dentro das casas, feridos pelas próprias famílias.
Todos irmãos.
Todos mutantes.
Todos mortos.
Magneto não poderia deixar que isso acontecesse denovo, era sua chance de fazer o que devia ter feito tantas outras vezes atrás, se Magneto pudesse voltar no tempo teria matado o maldito Hitler ainda no útero e essa era a chance de matar o maldito sonho humano de controle ainda no ventre dos poderosos.
E de todos as vezes que seu dever de salvar seus irmãos lhe chamava, o santificado Xavier aparecia como se pudesse ler sua mente mesmo com o capacete.

- Isso não acabou, "Professor X"!

-"Magneto", isso ainda nem começou.

Spoiler:
 

Charles estava certo, anos se passaram e mais e mais confrontos vieram, cada vez mais rudes, cada vez mais brutos, mais sangrentos e apenas se agravou quando Magneto decidiu não lutar sozinho, expondo os próprios filhos a isso.
Ao sangue, á chacina.
Á causa.
"Tolice!" seria o que Magnus diria hoje mas não anos atrás.
Pobre Magnus, o poder o cegara, havia poder demais em suas mãos e sua mente navegava por mares de sangue, sangue que não conseguiriam sair de nenhuma forma de dentro de si.
Por muitas vezes Charles Xavier tentou tratar a mente dolorida do homem magnético mas do jeito errado.
Nunca daria certo mudar Magneto de fora para dentro...mas apenas do contrário...de dentro para fora. E foi exatamente o que Charles fez ao tentar desligar sua mente tão profundamente.
Seu pai, um mentiroso, um assassino ou o próprio diabo, seja o que for que Pietro vê a sua frente...não era o mesmo Magneto que lhe obrigara a ser o que não era anos atrás.

- Eu também...~O par de olhos azuis se fixam nos olhos claros de Pietro, a mão trêmula se move até tocar e apertar firmemente o ombro de Pietro~ Algo dentro de mim sabia que apenas Charles podia me parar...~ O rosto incrivelmente sério de Magneto não se movia um milimetro, seu semblante apenas era focado no filho, e permaneceu como o rosto de uma estátua até que engolindo seco seus olhos marejaram~...Meu único arrependimento é que Xavier teve de se sacrificar por isso.~A mão de Magneto saiu lentamente do ombro do filho enquanto com um pouco de dificuldade colocou de volta a capa em seu lugar de origem mas mesmo assim permaneceu a falar.~ Polaris sempre será a caçula, sim, é verdade mas sem ela esse chão aonde pisa não estaria onde está. Não ter sofrido tanto não a faz menos inteligente ou capaz...só a faz mais sortuda. Não devia falar dessa forma, Lorna também sente sua falta.

Magneto, embora acreditasse fielmente que o simples fato de os mutantes serem o que são os faziam especiais e melhores, Magnus também acreditava quando o mundo fosse dominado pelos novos seres dominantes haveria um separação mas não racial, não étnica, não social mas sim por conta dos próprios poderes e habilidades, isso o fez entender o quanto o mundo simplesmente dá voltas a cada evolução ele se torna o mesmo.
Apenas com o tempo ele pode aprender isso.
Se você atropelar a rua desatento será atropelado e aprenderá a tomar cuidado.
Se tocar no fogo acabará se queimando e aprenderá que ele queima.
E com o tempo, Magneto pode ter toda certeza que...

- Eles lhe atormentam porque você é forte! É forte o suficiente para que eles sintam medo de você! E com isso tem que aprender a ser cuidadoso!~ Talvez aquilo tenha sido o mais perto de reais palavras paternas mesmo que num tom grave e alto~ Quando se tem poder demais nas mãos você faz todos os menores sentirem medo, Pietro, e eles sempre buscarão atacar você de qualquer forma para lhe tirar de onde você está e quando pensar que não há mais aonde eles possam te atacar, eles vão ir no seu ponto mais sensível...~ "Sua família"~ Lembre-se que o medo por mais bruto que seja é o mais perto de respeito que você pode ter de quem lhe quer mal, foi assim que salvei você e sua irmã, eles me temiam por isso não tocaram em vocês, mas...Aquelas pessoas lá fora, elas me respeitam agora, assim como respeitam você. É algo realmente bom mas nunca esqueça do quão importante é o medo.~Magneto não sabia dizer quando aquela quase discussão se tornou um tipo de conselho de pai para filho mas tratou de não se prolongar por medo de causar novamente a irritação de Mercúrio. puxou as luvas cor de violeta as ajustando melhor entre os dedos e então caminha lentamente mais para para perto de Pietro~ Seus problemas com Mestre Mental são seus, você o odeia, eu poderia simplesmente me negar e isso não faria diferença pra você, faria? Eu apenas quero lhe mostrar que nesta ilhota existe mais do que dúvidas, existe...esperança.

-MAG-NETO
-MAG-NETO
-MAG-NETO


Do lado de fora do castelo, visíveis da sacada, o povo genoshiano gritava pelo seu presidente fervorosamente, clamando seu nome como o de um messias que um dia já fora o próprio propagador de algo muito distante da paz. Magneto vira-se de costas para Pietro e assim como na posição que estava quando o filho apareceu para lhe visitar repentinamente, colocou os braços presos as costas de forma que marcassem a capa causando um volume no tecido. Virou seu rosto lentamente junto ao tronco e fixou os olhos que acompanhando um sorriso que diferente dos outros, não tinha nada de discreto.

- Não lhe prometerei nada então. Será rápido, e assim que o povo se for, lhe guiarei até Mestre Mental e nós daremos um jeito nisso, mas de forma silenciosa. Os outros moradores não tem nada ver com isso, agora venha, vou tentar ser...rápido.

Um sorriso convidativo e com passos rápidos Magneto se dirige até a sacada prateada de seu enorme castelo, a cada passo que Erik dava para frente se mostravam presentes centenas de mutantes de variadas mutações e formas físicas, todos unidos num único coro que apenas aumentou de intensidade quando o mestre do magnetismo se mostrou no topo de seu palácio de metal. Por alguns instantes ele permaneceu em silêncio apenas observando cada um daqueles que o saudavam mas não por orgulho ou para satisfazer seu ego, ele procurava por uma imagem específica, a de um homem com trajes típicos do século passado, ele procurava por Jason mas ele não parecia estar lá.
Após a tentativa frustrada de encontrá-lo, Magneto ergue as duas mãos causando o completo silêncio em todos os que logo abaixo estavam mas não voltou a baixar as mãos enluvadas.



-Povo Genoshiano...~ A voz alta e grave se espalhou mesmo com a distância por conta do silêncio de todos~ Por escolha de vós, Me tornei vosso líder. Agradeço-lhes a confiança e a admiração de cada um de vós. Esta agora é a casa de vocês, vocês que pacificaram, construíram ou apenas residem nesta ilha. Cada grama de metal investida aqui não foi e não será em vão, todo o nosso suor aqui derramado apenas serviu para o crescimento desta nação!~ Magneto então cerra os punhos e a voz antes grave se torna ainda mais forte~ Uma nação Sem opressão!

-SEM OPRESSÃO!~ As vozes antes em silêncio responderam deixando claro que não era primeira vez que aquilo acontecia.

- Uma nação Sem dor!~ A voz embora cansada, não cessara e num grito ainda mais alto prosseguiu~ Uma nação Sem ódio!

-SEM DOR! SEM ÓDIO! ~ Respondendo de forma incrivelmente disciplinada, o povo que via no rosto velho e cansado de Magneto uma esperança se manteve em silêncio após repetir aquelas palavras que parecia ser um lema, eram palavras que Magneto mais do que qualquer um teria sempre de se lembrar.

Eu poderia dizer mais um dos discursos dos quais vocês sempre esperam de mim, mas penso que já estão cansados da mesma ladainha, ver todos vocês aqui reunidos realmente me alegra profundamente, mas digo-lhes que dessa vez o destino nos preparou uma surpresa...Nesta noite, o nosso poderoso criador nos deu o privilégio de uma visita inesperada, porém, iluminada. Por tempos, vocês e todos os que puderam me ouvir, tiveram uma voz cansada e lenta chegando ao seus ouvidos, mas uma nova era se aproxima, uma nova era que vocês ajudaram a criar. Para uma nova era...Uma nova voz.


As mãos de Magneto agora num gesto chamativo apontam para a direção de Pietro que se encontraria um pouco atrás por conta que Magnus saíra na sua frente. Dando alguns passos desta forma dando espaço ao filho, Erik se move para o lado como se lhe mostrasse aonde deveria ficar.

- Deixando seus compromissos mais importantes em seu novo lar, ele resolveu aparecer repentinamente...Meu Filho! Pietro Maximoff!

Um sorriso surgiu no rosto de Magneto enquanto um silêncio se faria na proporção que Mercúrio se mostrasse para o povo de Genosha.

- Olhe, É Mercúrio!~ Uma voz ecoou solitária no meio do silêncio.~
- O poderoso Pietro!~ Como numa resposta outro mutante um tanto distante também reconhece o rosto e uniforme do homem que recém aparecera.~
- Pietro está aqui, conosco! Saúdem-o!~ E como se todos ali começassem a entender o que realmente se passava, as vozes se tornaram mais fortes num coro repentino que mais parecia ter sido ensaiado para a recepção de Pietro.~
- PI-ETRO!
- PI-ETRO!
- PI-ETRO!


Lentamente com um sorriso ainda estampado no rosto, Magneto fala embora sua voz seja abafada pelas outras centenas de vozes logo abaixo "Não há medo, apenas respeito.", e então voltou o rosto para o povo novamente colocando as mãos sobre o parapeito metálico.


- Pietro...~ Os olhos azuis visivelmente sorridentes encaram a multidão logo abaixo dele e do velocista após chamá-lo~ Este é seu povo também. Estão chamando seu nome, não os decepcione.


Se Pietro olhasse bem, veria que o povo sentia-se na presença de um deus, na verdade dois.
Magneto e Pietro lado a lado era para aquele povo, para aquela nova geração de mutantes em sua maioria com a idade de Mercúrio, seria como um encontro mitológico entre o salvador deles com o filho que apenas muito ouviram falar de suas façanhas quando ainda na terra, Uma noite a ser festejada e não apenas aplaudida.
Se Pietro olhasse ainda mais adiante, no meio dos mutantes de distintas formas e habilidades, cores e formas, veria que entre os braços que se erguiam e as vozes que preenchiam seus ouvido, entre todos aqueles que louvavam estava Lorna, sua meia-irmã, que simplesmente arregalou os olhos vendo tal imagem, num misto de surpresa e espanto, afinal, ela não fazia a menor ideia de que o irmão estava em Genosha.


Porém, como quem se recupera de um susto inesperado, Polaris volta á um semblante neutro que rapidamente embora discreto, se torna um sorriso de modo que seus lábios esverdeados se inclinaram assim como sua sobrancelhas deixando ainda mais claro seus sentimentos perante o que via acontecer em cima da sacada.
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Dom Set 20, 2015 10:35 pm

"Hm", foi a resposta improvisada que lhe foi empurrada de mal gosto quando o assunto sobre Lorna e sua reação por parte disso foram comentados pelo pai.
Pietro odiava ter que admitir, mas Magneto tinha razão; estar tão tenso, tão movido por sentimentos inacabados que a presença do pai lhe provocava o fazia dizer bobagens que ele se arrependeria mais tarde - o que já estava acontecendo, na verdade.
Mercúrio ama Polaris, e jamais a julgaria ingênua ou usaria o termo "meia-irmã" para desprezá-la. Se ele havia feito isso, então ele tinha mesmo que morder a língua dessa vez...
Só dessa vez.
Mas ele sequer teve uma reação monossilábica quando ouviu o que vinha a seguir...
Seu pai, o grandessíssimo Erik Lehnsherr, estava chamando seu filho, Pietro Maximoff, de forte?
Ha, não só estava, mas afirmava isso com tanta certeza a ponto de lhe doer os dentes.
O que ele deveria sentir - sequer pensar? Alegria?
No fim, era tudo o que ele sempre quisera ouvir do pai... há anos atrás. Quando ainda tinha alguma esperança disso. Quando sua visão sobre o mestre do Magnetismo ainda não tinha sido devastada com as verdades.
Por isso, tudo o que Pietro pode sentir foi uma sensação estranha que lhe incomodou na boca do estômago... talvez isso mudasse.
Mudou para pior. Ele agora sentia um gosto amargo na boca.
Bom demais para continuar sendo bom...
Ele era o verdadeiro ingênuo por esperar um discurso completamente livre de asneiras se vindo de Magneto.
Medo?
Era isso?
Pietro sorriu cinicamente, dolorosamente. Amargurado.
Se o medo alguma vez tivesse dado certo, então eles seriam uma bela farsa de família feliz hoje em dia... mas nem ao menos isso chegaram a ser.
Ele estava pronto para formular aquelas palavras decorando-as com alguns "sutis" tons graves, mas ele não teve exatamente tempo para isso - sim, as coisas estavam acontecendo meio rápidas até para Pietro, afinal. Ou talvez fosse apenas seu raciocínio atrapalhado pela presença do pai.  
Foi bom Magneto ter parado, porque aquilo deixara de ser um conselho ao ver de Pietro e... agora, no silêncio, ele podia ouvir melhor.
Ouvir, de repente, todos os ecos que se fizeram presentes, fortes e aguçados, no silêncio da voz do pai. Seguindo a voz - ou melhor, as vozes; milhares delas -, logo atrás de Erik, Pietro parou diante da sacada... e o que ele viu fez com que suas íris azuis dilatassem quando os olhos arregalaram.
Era como um pulo no passado, uma nostalgia que lhe preencheu dos pés à cabeça. Ele ouvia muito a ideia daquilo, há muito tempo atrás, quando Magneto lhe contava tudo... ou melhor, contava para Wanda, e Pietro espionava colando as orelhas por trás das portas.
A ideia de vozes gritando seu nome, a ideia de uma soberania que lhe faria o verdadeiro líder... era o que Magneto queria, e Pietro sabia disso.
Mas eles nunca haviam passado muito de uma Irmandade de cinco o mais pessoas que se escondiam em casarões roubados - ao menos fora assim enquanto Pietro e a irmã gêmea estavam ao lado do pai.
Mas aquilo...
Era real?
Deveria ter receio de aparecer no meio de tantas pessoas. Pietro era um Vingador, um dos mocinhos, e estar do lado de Magneto - mesmo que fosse seu pai - era motivo de fofoca e suspeita por toda a mansão Stark e jornais de Los Angeles, ele sabia bem...
Mas ele estava tão pasmo diante das centenas de mutantes entusiasmados num único nome à sua frente que ele sequer percebeu quando simplesmente andou até o lado do pai.
Pietro já tinha ouvido falar sobre Genosha e sua relação com seu fundador... mas ver aquilo de perto era muito mais surpreendente do que ele achava que seria.
Porém, forçou-se ao foco. Seus olhos azuis correram velozes por todos os que eles conseguia distinguir na multidão. Era quase como se os olhos do filho e do pai dançassem uma valsa sincronizada, nos mesmos movimentos, uma vez que os dois faziam a mesma coisa: uma busca básica por Jason, que no fim não rendeu resultados para nenhum dos lados.
A boca quase incolor num traço reto que apenas fazia parte de seu rosto sem expressão - controlando toda a admiração de antes, mesmo que suas sobrancelhas tenham teimado em franzir quando as vozes começaram a soar dando ênfase a cada declaração de Magneto...
Pietro apenas se manteve em silêncio.
Até que seus lábios se entreabriram...

"O jeito que ele fala, Crys..."

Uma surpresa. Uma visita iluminada.

"Nem parece que está falando de mim..."

Um suspiro foi cortado numa respiração mais forte ao mesmo tempo que ele deu um passo em falso para trás, sutilmente, assim que seus olhos notaram em seu campo de visão que Magnus apontava para si, fazendo todos os olhares seguirem sua coordenada ensaiadamente até que Pietro visualizasse um conjunto interminável de olhos o encarando lá de baixo mesmo que ele estivesse definitivamente mais longe da sacada do quê Magneto...

- Er, pai...- ele tentou falar, nervosamente, mas já era tarde. O coro se iniciou, agora trocando três sílabas por duas. Seu nome. Seu nome ecoando numa multidão.

Ele não teve reação além de se tornar estático, visualizando seu nome apenas crescer no combustível que eram as vozes dos mutantes ali embaixo.
Mesmo assim, o sussurro de Magneto foi compreensível.

"Respeito, Crystal... eles me respeitam?"

Era uma palavra que sempre lhe fora uma cortesia. As pessoas não realmente o tinham por ele - e a maioria que parecia ter, só parecia.
Quando foi que ele se tornara tão respeitável?
Quando foi que ele ganhara tanto... poder?

É isso o que você precisa.- uma voz ecoou grave em sua cabeça.- É isso o que você quer.

- Não...


Pare de mentir pra si mesmo. Você ama todas essas vozes. Você ama todo esse poder. É o que você sempre quis. É isso...
Que deve te pertencer.


Pietro se aproximou da sacada, guiado pela verdade naqueles dizeres que ecoavam tão fortemente em sua cabeça como se pudessem decifrá-la no mais profundo onde sequer o próprio Pietro se arriscava a ir...
E então, ele apenas viu. Capuz vermelho esvoaçando, cobrindo com sombra o restante do rosto e deixando apenas um sorriso cínico visível... ali, no meio da multidão.


Pare de chamar o nome de Crystalis. Ela nunca entenderia o significado desse momento. Ela nunca reconheceria você se visse o que eu estou vendo dentro da sua mente. Ela não é importante.
Mas isso...


Era ele.

... é ao que você pertence.

- NÃO!!!- suas mãos desceram com força contra a amurada, enquanto o brado urrante de sua voz agora se formava num eco que sobrepunha todo o anterior, resgatando o silêncio completo pouco ao pouco que a platéia presenciava e entendia o protesto, calando-se diante deste.- EU NÃO SOU A NOVA VOZ DE NENHUM DE VOCÊS!

Seu corpo, tão acostumado a adrenalina em seu limite, à super velocidade e à realidade de ser o velocista mais rápido do mundo...
Então por que, naquele exato momento, ele podia ouvir os batimentos do próprio coração ecoar nos próprios ouvidos?

- Magneto cometeu um equívoco...- ele se afastou do parapeito, passando a encarar o pai ao seu lado com olhos estreitos e brilhantes; marejados.- Eu não quero esse respeito, pai. Não... não quero pertencer a ele...

Ele virou de costas para a multidão. Com todos os murmúrios e sussurros que passaram a se formar lá embaixo, Pietro deu uma última olhada por cima dos ombros...
E seu campo de visão encontrou Lorna, que parecia mais abatida do quê jamais a vira desde o último fatal incidente com seu ex-marido, numa desilusão que deixou sequelas permanentes em seu estado mental...
E, agora, ele havia feito o mesmo. Sentia que havia feito.
Pietro nunca teria como explicar isso à irmã, agora que, até alguns segundos atrás, na platéia, ele a vira mais feliz do quê jamais esteve...
O velocista nunca teve palavras para lidar com seus erros; isso é, não diante das irmãs. Não diante de nenhuma delas...
Ele só sentia uma imensa vontade de pedir desculpas à Lorna, agora.
Ao invés disso, fez o que sempre fazia nesse tipo de situação: sumiu de vista. Num piscar de olhos, ele não estava  mais na sacada do palácio, ninguém mais poderia vê-lo em canto algum.
Tampouco Magneto podia senti-lo pela sala logo atrás de si, em todos os seus sensíveis poderes nos campos magnéticos... o sangue acelerado e presença de seu filho já não estavam mais dentro dali.
Ele se cansara. Havia se desgastado demais. Devia ir embora. Queria ir embora. Mas, para isso, deveria encontrar Mestre Mental e acabar com isso de uma vez por todas...
Acabar com o encapuzado.
E era isso o que Pietro estava buscando fazer enquanto corria pelo labirinto novamente, seguindo o rastro esbranquiçado que deixara, direto para fora do castelo.
Se fosse preciso, encontraria Mestre Mental sozinho.
Apressado... era o que Pietro, no fim, apenas era, em sua mais natural essência.
Fosse buscando por alguém...
Ou fugindo de si mesmo...
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Ter Set 22, 2015 1:35 am

Quando os gritos se iniciaram, todos sincronizados quase ensaiadamente num único nome, Magneto pode perceber que os anos investidos a mudar a própria imagem e a de seus filhos para aquele povo a sua frente não foram em vão. Desde o início de Genosha Magnus aproveitou a grande quantidade, embora menor que agora, de mutantes que ali estavam para mudar suas mentes, mas não como um telepata faria e sim como o bom persuasivo que sempre fora. Não foi fácil começar a ter resultados, a imagem do assassino frio e impiedoso ainda exalava de si como um mal-cheiro que não o deixaria nunca por mais banhos que tomasse, como uma praga ou seria melhor maldição?
Mesmo dando abrigo para para aqueles pobres e abandonados irmãos, lhes estendendo a mão numa real proposta de paz, para um vida sem custos e feliz...eles ainda tinham medo do Magneto que um dia aquele homem cansado e velho um dia chegou a ser. Durante meses em busca de confiança Magnus visitou um por um dos mutantes em suas casas, Ele tentou conhecer melhor todos eles e atender suas necessidades dando-lhes tudo o que precisavam e fazendo algo que se privara há anos...falar sobre si mesmo. Magneto falou sobre o quanto já fora cego pelo ódio e ambição, como valorizou seu egoísmo ao invés de uma real amizade e como isso quase o matou após o "surto" de Charles Xavier; Para muitos era bizarro ter o grande Magneto de capacete sentado na mesa da cozinha tomando café, no entanto era igualmente estranho ver sair da sua boca: "Tudo o que vê a sua volta é resultado de um trabalho árduo, trabalho meu...e da minha família." O povo sabia que Magneto nunca tivera um bom relacionamento com os filhos e isso apenas piorou com o fim da Irmandade e assim como Pietro, haviam muitos descrentes no que Magnus dizia e jurava ser tão verdade mas estranhamente esses descrentes diminuíram com o passar dos dias. Com o tempo, as conversas com as famílias se tornaram pequenos dizeres em praça pública e logo com o passar dos dias viraram grandes discursos para todos os cidadãos que só cresciam em quantidade. Ver aquela mudança tão brusca em alguém que era como um prego torto sem jeito de ser concertado apenas dava mais esperança para aquele povo que já não acreditava mais na própria raça, acreditando cada vez mais em Magneto o povo passou a adorá-lo e ver naquele homem visivelmente abatido e castigado pela idade o salvador que há tempos tentava ser. Após todos os anos de foco em mudar como era visto, os filhos dos genoshianos já nasciam sabendo do novo Magneto, do líder e mestre assim como os mais velhos se acostumaram, a velha imagem de Erik estava se desfazendo para uma nova surgir.
Quando Polaris voltou para o lado do pai ficou ainda mais claro que por mais que Magnus tivesse tudo o que tem, nunca se sentiria em paz sem os frutos mais puros de sua espécie, os primogênitos deveriam voltar.
Os dizeres do Mestre do magnetismos em relação ao filho, em frente a toda Genosha, foram os mais sinceros possíveis. Mesmo naquela situação oportuna de uma quase caça a Mestre mental, Magneto se sentia feliz com a visita inesperada de Pietro, tanto que nem o escutou quando de certa forma o chamou antes do clamor dos Genoshianos; a visita de Mercúrio fora tão inesperada quanto seus olhos azuis visivelmente impactados ao ver todos aqueles mutantes logo abaixo de si. Para Magnus os gritos e clamores direcionados a Pietro logo após sua aparição não foram uma surpresa já que assim como fez consigo, mostrou ao povo que seus filhos também eram pilares para aquele novo mundo mas Pietro aparenta espanto e julgando pelos anos que passou distante Magnus pensou que tal reação demonstrava apenas surpresa por receber um tratamento que não era acostumado e então de cima da sacada apenas voltou a olhar seu povo logo após observar o semblante do filho e então...sorriu.
Estaria Magneto encontrando a paz? Certamente não.
O silêncio de Pietro estava se estendendo demais, ele estaria sem o que falar? Impossível, Pietro sempre pensava nas respostas quase antes das perguntas de tão rápido que sua mente funcionava, como poderia simplesmente estar sem reação se há pouco afrontava o pai em sua própria casa? Magneto pode perceber que a tensão em seu olhar se prolongava demais e diante um sentimento de um leve remoroso ousou falar mesmo que num tom brando e quase num sussurro.

- Eu disse...algo...errado?

Pietro não ouviria, nem poderia com todo o barulho dos que se encontravam logo abaixo de seus pés, porém, os olhos azuis de Magneto tão iguais aos do velocista, que se encontravam com um visível ar de dúvida e receio se tornaram mais escondidos quando as sobrancelhas se contraíram sobre eles. Magnus tentou estender a mão para o filho mas sua ação foi contida quando Pietro seguiu até a sacada, aquilo seria algo bom para Magneto, ver seu filho se aproximando do seu povo mas o semblante do velocista grisalho o incomodava fortemente...era terrivelmente familiar, era quase como se pudesse sentir o que o filho sentia, como das vezes que Charles entrara em sua mente sem permissão, como se conversasse mentalmente com alguém. Os olhos demonstraram um entendimento e Magnus pensou em tentar fazer algo mesmo que não soubesse exatamente o que fazer mas não teve esse oportunidade já que não pode direcionar a palavra a Pietro, pois seguido de um susto o espanto veio ainda mais forte do que quando seu filho acertara a mesa metálica pouco tempo atrás.
"NÃO!!!"
Por deus aquilo ecoou por todas as paredes prateadas ao seu redor, de forma que todos puderam ouvir claramente, se esse era o real objetivo de Pietro. O grito não apenas calou todos os genoshianos como também calou Magneto, deixando-o sem a mínima noção do que fazer.

- Pi-Pietro...

Aquele lamento nem teve a chance de ser terminado e muito menos de ser ouvido, o tom grave de Pietro mais pareciam os gritos de dor e ódio que um dia já saíram pela boca de Magneto. Engolindo seco, colocando ambas as mãos no parapeito da sacada, Magnus apenas se encostou como se de alguma forma aquilo tivesse lhe tirado as forças e apenas escutou enquanto a voz forte se iniciava novamente.
"EU NÃO SOU A NOVA VOZ DE NENHUM DE VOCÊS!"

Os olhos azuis de Magnus apenas estavam arregalados diante aquela demonstração de autoridade, estaria ele realmente ficando muito velho para fazer a única coisa que sabia fazer? Magneto estava assustado, aquilo diante seus olhos não era o mesmo Pietro que um dia salvou de um linchamento, havia algo diferente dentro dele...algo quebrado.
Lentamente os olhos magnéticos correm por todos os mutantes que em silêncio permaneceram, todos assustados, mães seguravam seus filhos fortemente nos braços enquanto outros apenas se abaixaram após o primeiro grito, outros se esconderam por detrás de qualquer coisa que os protegessem, aquilo não estava certo, deveria ser paz e não medo.
Eik não soube distinguir o que mais o machucara, se fora os dizeres tão visivelmente amargos e direcionados para ele, "não quero esse respeito, pai. Não... não quero pertencer a ele..." ou os olhos marejados que o encararam. pouca coisa realmente ia embora da mente de Magneto e aquele olhar não o deixaria em paz tão cedo. Era como se todos seus órgãos se tornassem metálicos e Pietro dotado do poder do magnetismo amassasse um em especial.
"VSSSH" Foi tudo o que Magneto ouviu quando as costas de Pietro entraram em seu campo de visão e um vento forte o acertou jogando suas capa para trás e se caso não estivesse segurando-se Magneto seria também empurrado.
O silêncio reinava mas na mente de Erik, tudo estava barulhento.

"Me desculpe Magda...Não deveria ser assim... é minha culpa"

A mão direita e trêmula de Magnus se estendeu em direção a única saída da sacada e logo imaginou a única saída da sala principal...O labirinto.
Pietro era rápido mas não era errado arriscar ainda encontrar Pietro por lá, a mão estendida se fechou firmemente em um punho cerrado, a expressão de Magneto era simplesmente neutra, nada se podia dizer se tentasse entender o que se passava em sua mente.

"Ele se tornou um homem, queria que estivesse aqui para vê-lo...mas também desejo o contrário."

Dentro do labirinto todas as paredes se afastaram e Pietro poderia perceber que estava cada vez mais dentro de um enorme cubo do mais puro metal, totalmente inquebrável, diferente de seus ossos caso tentasse se chocar contra tais paredes. Magneto fechou firmemente os olhos e se virou para seu povo logo abaixo da sacada.

- Genoshianos, Meu...filho está passando por um enorme estresse com o novo cargo em seu novo lar mas não se preocupem, não se assustem, aqui é um reino de paz! Lembrem-se que estão seguros e venham, adentrem meu lar e no salão encontrarão o mais belo banquete para lhes servir esta noite, Paz e prosperidade a todos e não esqueçam...~ Magneto já não tinha tanta certeza mas disse~ Aqui estão seguros!

Magnus saiu rápido, falou pouco de forma ligeira, não esperou resposta e nem a teria, o povo permaneceu num silêncio doloroso enquanto seu corpo se distanciava da sacada, movendo os dedos Magneto fez a grande porta da frente do seu castelo se abrir e no salão surgirem mesas e cadeiras, bandejas cheias de comidas e bebidas vindas e um lugar específico completamente manipulado por Magneto afinal, tudo era de metal. Porém o povo não adentrou o palácio, e dentre todos aqueles mutantes um desgosto começou a se iniciar fazendo-os se aglomerarem cada vez mais sem mover um músculo.
Pietro pode ter feito o pai passar um vexame na frente de seu povo, pode ido contra o que lhe foi sugerido e pode ter comprometido tudo o que Magneto vinha falando durante anos porém o Presidente de Genosha não se importava com isso, não agora.
Os olhos, aqueles olhos marejados...
Magneto retirou o capacete e a enorme janela que levava a sacada se fechou completamente num lacre de metal, a julgar que Pietro talvez tentasse ainda fugir por conta de sua extrema e familiar teimosia, então Magneto fez com que todas as paredes e o chão do enorme cubo metálico que Pietro estava preso se tornarem esteiras em constante movimento fazendo com que por mais que ele se mova, não sairia do lugar. O rosto de Magneto permaneceu simplesmente sem expressão, e como um choque em seu cérebro, uma lembrança veio forte em sua mente. Numa tentativa, a última, de dentar se familiarizar com seus filhos, Magneto fora até a residência de Pietro para conhecer a recém nascida porém teve apenas um punho cerrado em seu rosto e como se recebesse aquele golpe novamente seu rosto virou rapidamente de forma brusca, porém o semblante neutro que mantinha tão fortemente sumiu, como se o libertasse fazendo com que num soluço amargurado seus olhos marejem quase instantaneamente, suas sobrancelhas se dobraram e um mágoa tocou seu peito como uma adaga.

A força o fez cair sobre o chão metálico apoiando-se com as mãos e sem segurar o choro Magneto fez um movimento com os dedos e do chão, que se transformara temporariamente em metal líquido, fez subir um grande baú avermelhado. Abrindo-o com o magnetismo Magnus voltou seus olhos azuis e avermelhados para seu interior, respirando fundo Ele se ergueu e em seus braços trouxe de dentro do baú algo envolto num tecido negro.
De dentro o enorme cubículo de metal Pietro poderia ouvir agora a voz de Magneto, ela não soava raivosa mas sim branda e perceptivelmente magoada mas nada dissera sobre isso, a voz ecoaria pelo cubo de metal por conta da vibração e por mais repetida que fosse, Pietro perceberia que  a voz daquele homem visivelmente cansado e velho, não tão forte quanto era em seus dias de glória, era a mais sincera possível.

- Pietro...~ A capa de Magneto se soltou com ajuda do magnetismo~...Uma nova ordem tem começado por todo o mundo, aqui não foi diferente. Eu vejo que mereci ouvir o que disse mas...o que o meu povo lhe fez? Eles não mereciam ouvir aquilo...Lorna não merecia.~ As luvas caíram para dentro do baú acompanhando a capa que flutuou até lá, em seguida uma pequena caixa sai da parede e Magnus pega o há em seu interior.~ Porém, isso não importa agora, não tentarei lhe convencer...não tentarei lhe dizer o que é certo, Não somos mais a Irmandade!~ Despindo-se da cintura para cima Magneto jogou metade do traje dentro do mesmo baú enquanto o tecido preto era aberto revelando um certo tipo de roupa dobrada.~ Quero que acredite em mim, apenas dessa vez...Sempre lhe obriguei a fazer isso mas dessa vez estou penas pedindo. Não lhe forçarei a fazer o que não quer, Eu sou seu Pai e não seu Carrasco...mesmo que eu tenha sido o pior nas duas coisas. Eu fiz boas coisas, Filho, mas você não quer ver então nunca verá que se o tempo parou para Genosha, o tempo parou da mesma forma para você. Magneto morreu para aquelas pessoas, O Magneto que você insiste em fazer elas lembrarem...eu não esqueci tudo o que fiz e nunca esquecerei mas se pra você Magneto ainda vive...~ As botas e calças do traje já haviam sido guardados e sobre o corpo, com cicatrizes em certas partes e manchas arroxeadas pelo último confronto com Xavier, havia um novo tecido, uma nova pele.~...Eu quero que...~ Magnus passa a mão nos olhos enxugando-os e segue até uma das paredes do enorme cubo que antes fora o labirinto e abre um das paredes revelando sua imagem. O traje que ele vestia não era apenas diferente do seu mas era estranhamente...normal. O tecido grosso e preto desciam mangas longas e golas altas enfeitadas por broches douradas. Em seu peito ,logo ao lado da faixa branca que lhe corta o tronco, Há medalhas também douradas sobre o tecido preto que cobre praticamente todo o corpo.



"...quero que Magneto morra" para você também!"

Os passos se tornam mais firmes e rápidos até que Magneto, sem adentrar o cubo, permanece parado logo em sua frente.

- Estou pedindo sua ajuda, Pietro. Me ajude a te ajudar. Me ajude a ser alguém que nunca me ensinaram a ser e não terá arrependimentos. Sem mais mentiras, Sem mais ordens, Sem mais Guerra...Encontraremos Jason juntos e faremos com que pague por isso de uma forma ou outras mas, por favor...Não corra denovo, Pietro. Você já correu de mim por tempo demais...Já chega de correr do seu pai, já chega de correr de si mesmo, não percebe que não pode? Quando olho para você eu vejo dor, eu vejo angústia e eu vejo um desespero, por que eu vejo a mim...Eu não quero que seja o que está naquele baú.~ Se Pietro olhasse para trás veria o traje quase completo dentro do baú vermelho, o capacete se encontrava nas mãos de seu pai que o segurava firmemente~ Se lhe fiz perceber que quero que lidere este lugar é por que sei...que fará isso melhor que eu. Mas não assim, Seja lá o que Mestre mental está fazendo está te matando de dentro para fora.~ O capacete flutuou lentamente das mão nuas de Magneto até próximo a Mercúrio~ Essa é a última vez que lhe peço. Se vier comigo irá precisar se proteger, eu darei um jeito de me manter sob o controle, eu acredito que possa fazer isso sozinho...mas eu quero que façamos isso juntos...~ Do bolso direito próximo a cintura Magneto retira as mesmas fotos que haviam na pequena caixa que Pietro vira mais cedo mas apenas mostra uma ao filho, essa em especial menos desgastada que as outras.



"...Como uma família."
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Sex Set 25, 2015 1:01 am

Seus pés mal tocavam a superfície do labirinto do palácio. Ele era só um borrão, seguindo freneticamente o rastro esbranquiçado ralado contra o metal e deixando para trás uma trilha melancólica de gotículas salgadas que contrastavam no cinza metálico de tudo. Ele mordia o lábio inferior, e a velocidade não lhe dava qualquer outro som além do típico deslocamento violento de ar.
Ele queria sair dali, queria se ver livre daquelas paredes de metal, nem que fosse por um segundo antes de ter que mergulhar dentro do verdadeiro labirinto de casas e ruelas metálicas por toda a maldita ilha. E ele só tinha certeza que queria continuar aquilo porque uma voz insistente não parava de ecoar em sua cabeça...

Então é isso... o grande show de super velocidade. Veja-o chegar ao limite da fúria...

- PARE!

E quebrar a barreira da frustração...

- CHEGA, CHEGA!

Veja-o ultrapassar a angústia... e deixar a paz de espírito comendo poeira!

Um grito escapou de seus pulmões, rasgando sua garganta com força ao mesmo tempo que seus olhos esquentavam muito mais e ele até podia sentir o gosto salgado da nascente de lágrimas que molhavam seu rosto, deixando sua visão completamente embaçada, ainda mais naquela velocidade. Mesmo que mal existisse corrente de ar ali, ainda era mais do quê o suficiente para deixá-lo cego por um segundo, e aquilo já era muito para Pietro.
De qualquer forma, ainda podia ver o rastro. Estava seguindo-o. Estaria fora dali em breve. Estaria logo logo...
Poderia respirar...
Mas tudo o que ele sentiu o cheiro foi de ferro, quando se chocou lindamente contra uma parede pesada do labirinto que ele não lembrava de estar ali antes...
A lei da física é simples, e ainda se aplica ao mutante assim como se aplica ao humano: exerça uma quantidade de força sobre algo e ele exercerá a mesma força sobre você, num abalo invisível.
Pietro mal se deu conta de quando caiu no chão, praticamente jogado para trás, a força da batida fazendo seu corpo arrastar pelo chão antes de exatamente parar. Sua cabeça zunia como se ele tivesse batucado panelas, sangue lhe escorria pelo nariz e ele precisou piscar os olhos com força para conseguir ver o que estava à frente, embora já tivesse feito muito mais do quê ver.
O rastro acabava ali. De cara com uma parede. Ele não se lembrava de ter passado por cima de nenhuma... e nem havia como. Estavam todas praticamente coladas com o teto. Ele olhou ao redor, rapidamente... e num milésimo definiu que estava preso, e a culpa era de seu pai.
Por mais que não fosse a intenção de Magneto machucar Pietro daquela forma, o Maximoff sempre fora do tipo que arruma um jeito de se ferir com até o mais inofensivo dos brinquedos.

A corrida de Mercúrio sempre termina no mesmo lugar. Aqui. Na única barreira que seu poder mutante não pode quebrar...
- a voz se manteve firme em sua cabeça por mais que ela doesse; na verdade, parara de doer de repente...- A parede impenetrável entre Pietro Maximoff e uma vida de sanidade e ordem.

Seu corpo fez esforço para se levantar, e ele rangeu os dentes durante o processo, olhando ao redor novamente, frustrado, com raiva. Qual a pior sensação para um velocista do quê estar preso?
E sua reação não poderia ser outra. Ele se tornou um vulto que mais parecia uma barata tonta super veloz, batendo nas paredes aqui e acolá, deixando rastros brancos que se embaralhavam completamente com os anteriores, mas nenhum arranhão sequer nas paredes. Eram fortes demais para ele, mesmo que sua força fosse super estimada com a velocidade.

- DEIXE-ME SAIR, MAGNETO!- ele bradou em plenos pulmões, finalmente parando, sendo visto num dos quatro cantos do cubo de metal que estava sem saída e só parecia ter diminuído de tamanho, impossibilitando-o de ganhar força com a velocidade.- Deixe-me sair...- sua testa encostou contra a parede a sua frente, e de repente ele sentiu algo o abraçar de surpresa.

O silêncio e a agonia fizeram-o enxergar no borrão de lágrimas em seu campo de visão uma memória muito, muito distante... mas muito nítida e familiar.
Fora uma longa batalha contra os X-men. Mais uma vez, a Irmandade se retirou. Mais uma vez, eles perderam...
Mas Pietro ganhara várias coisas: como nove pontos na testa e uma semi-inconsciência que durou horas, e ele precisou ser carregado por uma bola de energia da irmã, Wanda, até a casa da Irmandade novamente.
De lá, Magneto assumiu, dizendo à Wanda para que não se preocupasse, que cuidaria dos ferimentos de Mercúrio.
Bem, ele fez isso... e logo depois o deixou trancado numa cela que só tinha um aparelho sanitário e uma maca.
Desmaiado, inconsciente, Pietro nem se deu conta disso...
Ele estava no mundo dos sonhos.
Ele estava vendo um garotinho. Um garotinho que não devia passar dos oito anos de idade, de cabelos castanhos-claro, meio ondulados, com duas mechas brancas notáveis logo perto de sua nuca, que parecia que iria se multiplicar em breve...
O pequeno vestia um pijama branco e azul enquanto sozinho sobre uma lona preta e quente, suando horrores e de alguma forma ele sabia que aquele garoto estava muito, muito doente. A casa que ele se encontrava não tinha móveis nem luz, apenas mofo... e uma sombra corria apressada diante do pequeno feixe de luz que saía dos buracos no teto naquela tarde quente e abafada.

- Meu menino lindo.- uma voz feminina, de uma mulher, soou. E, logo, o garoto abriu os olhos, arregalando-os. Eram azuis como o céu sem nuvens.
E então, ele apenas visualizou; viu quando a sombra na escuridão se abaixou ao lado dele, e a luz iluminou sua face. Uma mulher, de cabelos castanhos crespos e olhos também escuros, vestindo roupas de cigana.- Papai não voltará... e agora será a minha vez. Mas vocês estão bem escondidos. Vocês vão saber o que fazer. É mais seguro assim.- ela afagou os cabelos dele - principalmente suas mechas grisalhas.- Adeus, meu filho. Seja bondoso para a sua irmã.

A mulher se ergueu, puxando um capuz furado aqui e ali para lhe esconder o rosto e cabeça. E então ela deu as costas.

- Não.- o garotinho tentou dizer, a voz rouca, doente.- Não nos abandone!

A mulher foi ligeiro até a porta roída por cupins da casa e a abriu.

- Você não pode nos abandonar!- o garoto estendeu a mão trêmula e gelada como se pudesse puxar a mulher pelo vestido.- MÃE!!

Mas já era tarde... a porta se fechou.
Tudo ficou escuro.
Tudo estava tão escuro...

- NÃÃÃÃOOOO!!- seu grito ecoou por toda a casa da Irmandade. Ele acordou num salto, num espasmo involuntário, suando frio, a expressão assustada, os olhos marejados.
Os mesmos olhos azuis.

Ao ouvir o grito, Mestre Mental e Groxo riram, parecendo transformar aquilo num assunto divertido e de humor negro enquanto jogavam poker na mesa da cozinha.
Já Wanda, ela correu até Magneto e parou-o no corredor da sala de estar.

- Erik, você precisa me deixar vê-lo! Ele não pode ficar sozinho. Ele necessita de mim.

Magneto, com suas roupas vermelho e violeta e sem nunca se ver livre daquele bendito capacete, rangeu os dentes brevemente diante do pedido da feiticeira.

- Seu irmão precisa desse tempo para reflexão sobre as ações equivocadas dele. Para amadurecer.

Wanda suspirou, baixando o olhar.

- Tudo isso é porque ele se recusou a matar? Porque, Eric... eu também não acho que eu possa fazer isso...

Enquanto a discussão rolava, Pietro estava agoniado na prisão que fora colocado sem nem ao menos ter tido chance de nada. Ele bateu nas paredes, ele correu por todos os lados, ele derrubou e despedaçou a maca...
Ele gritou pela irmã, ele gritou por ela o mais alto que ele pode...
Ele só estava assustado.
E então seus joelhos caíram contra o chão, e seu corpo se recolheu miúdo num canto das quatro paredes.
Ele agora apenas parecia o garotinho do sonho que teve... da memória que vivenciou.

Ali, no palácio de metal, trancafiado naquele cubo, sua imagem era quase uma cópia desse dia.
Sentado num dos cantos, abraçando as próprias pernas, o rosto escondido no meio dos braços...
Ele só estava assustado.
Ao mesmo tempo que Magneto também estava, de certa forma, em seu próprio lugar...
E, quando o mestre do Magnetismo decidiu fazer sua voz ser ouvida, Pietro se encolheu ainda mais em seu próprio canto, achando que aquilo era mais uma alucinação até se dar conta que a voz ecoava pelas paredes metálicas, não dentro de sua cabeça...
Pietro não tinha resposta para a pergunta que lhe foi feita logo de cara. Ele via seu erro. Ele sempre foi capaz de ver. Mas nunca de evitá-los.
Sim, não eram mais a Irmandade... mas por que as coisas ainda assim não haviam mudado?
Quer dizer, olhe para Mercúrio... ele podia se ver na cela na antiga casa que dividia com o pai e dois dos mutantes que ele já mais tivera ódio na vida.
Magneto tinha razão... o tempo tinha parado para Pietro também.
Que droga. Por que ele tinha que ter sempre algo tão em comum com o pai? Maldita seja a herança genética dos Maximoff...
E agora, preso ali, ele só tinha mais certeza que não podia fugir disso.
Ele não podia fugir do Magneto que para ele ninguém avisara que morrera. Na verdade, até tentaram... e ele até acreditava nisso. De verdade.
Mas não fazia diferença. Magneto vivia em sua mente. E lá era o lugar mais assustador para encontrá-lo.
Não pode exatamente conter o susto quando uma porta surgiu, e de lá ele visualizou o pai.
Ele mal podia reconhecê-lo se não olhasse para seu rosto.
Ele mal podia reconhecê-lo se não tampasse os ouvidos.
Não. Talvez ele nunca tenha conhecido seu pai.
Talvez ele tenha conhecido apenas o Magneto.
E esse pensamento não o deixou esconder as lágrimas.

- O que aconteceu com você...?- foi tudo o que ele conseguiu dizer, a princípio, os olhos arregalados, mas não como se ele estivesse vendo alguém amado ir embora...
Mas como se ele pudesse ver a mulher de antes voltar para abraçá-lo.- Eu não conheço você...

Era como se pudesse ver...
A porta daquela cela sendo aberta de bom grado.

- Você é um estranho pra mim agora... e eu acho que isso é bom. Mas... como eu sei que posso confiar em você?

Viu o baú lá atrás. E isso respondeu sua pergunta de uma maneira que nem mesmo ele esperava.
De alguma forma, Pietro apenas disse. Alto e claro:

- Eu não vou correr mais. Não de você, não desse povo... mas eu não estou prometendo nada além disso.- aquilo claramente se referia ao "lhe fiz perceber que quero que você lidere esse lugar".- Mas eu quero fugir do Magneto dentro da minha cabeça. Porque... porque todo o tempo que eu penso nas milhares de vezes que eu tive de convencer Wanda a lutar para a Irmandade, porque nós não tínhamos escolha, porque os humanos iriam nos matar, e eles, nossos compatriotas, realmente demonstraram isso...- Pietro se ergueu, apoiando-se nas paredes de metal.- Eu penso que eu só tinha razão em uma coisa: não havia mesmo uma escolha. As ondas de ódio dentro da minha cabeça vieram naturalmente... porque o Magneto, o mestre do ódio... era nosso pai biológico!

Ele rangeu os dentes, sem se importar mais com o cheiro de sangue em seu nariz. Ele não se importava mais com nada.
Apenas com o homem a sua frente. O homem que ele, pela primeira vez... não poderia chamar de Magneto.
Mas ainda tinha medo de chamar de pai. Medo de ser só mais uma desilusão...
Ele ainda estava se decidindo. No seu raciocínio extremamente rápido, ele ainda estava ponderando...
Se todos os anos de humilhação e dor podiam ser passados corretivos naquele momento...
E ele decidiu que não.

- Muitas vezes, no passado, eu quis ser igual a você. E eu fui. O agressor impulsivo. Muitas vezes alguém mais sensato achou necessário me conter. Minha irmã gêmea...- seus olhos cerraram, como se ele pudesse lembrar das tantas vezes que Wanda chorara para que ele parasse de ser tão difícil de se lidar.- Minha esposa, Crystalis...- seu punho apertou com cada olhar memorizado de mágoa e rancor da Inumana ruiva quando ela precisou ferir um Pietro fora de si com seus poderes elementais.- Até mesmo meus melhores amigos... Steve, Clint...

Ele se lembrou. Ele lembrou de tudo.
Com as missões ao lado dos Vingadores... ele prendera tanta gente. Tantos vilões. Tantos bárbaros.
Tantos ele.
Perdeu a conta de quantas vezes se atracou em batalhas ferozes, odiando a fúria dos vilões... e também se identificando com elas.
Não havia como apagar nada disso. Não havia como negar quem ele era. Não havia como cortar fora suas raízes...
Todo santo dia ele passava a maquiagem do bom herói que sempre queria ser...
Não por si mesmo. Mas por Wanda. Por Lorna. Por Crystalis e, principalmente, por Luna.
Porém, só Pietro sabia como era se olhar no espelho e ver a imagem de Magneto. Cada traço de expressão se formando conforme a idade lhes vinha, quando passava dos dezoito, dos vinte, dos vinte e cinco anos...
Só se tornava mais eminente. E ele queria que fosse só a aparência.
No fim, não era possível apagar a podridão que Magneto fizera em sua cabeça desde o momento que simplesmente o colocara no mundo. Talvez ele fosse um erro, talvez Pietro fosse um caso sem jeito.
Mas ele não podia desistir... porque não era apenas por ele. Nunca fora.
Se houve algum motivo para que ele não tivesse cedido totalmente ao lado do Magneto soberano e assassino... era porque havia pessoas ao lado dele que valiam mais à pena do quê isso. Que mereciam um Mercúrio com o nome limpo no mundo. E desistir agora não era uma opção.
Além do mais...

- Além do mais... agora você está fazendo isso por mim. Me contendo. Você nunca fez isso. Você me queria do jeito que eu era quando eu perdia o controle. Mas eu não sei o que conteve você.

Ele suspirou, profundamente.

- E realmente não me interessa. Tudo mudou, não, pai? Exceto por nós dois. E eu aceitaria sua ajuda agora, mas eu não posso esquecer de tudo. Se tivesse sido só comigo, mas você machucou minha irmã também!- ele engoliu em seco, rosnando aquelas últimas palavras.- Se você realmente quer me ajudar, tudo o que eu posso oferecer é uma trégua temporária. Porque eu ainda não estou pronto algo pra algo maior.

Pietro tinha a profunda certeza de que não havia mais um espelho à sua frente. Ele não via a si mesmo quando olhava para Magneto, agora. Ele não via mais um inimigo. E ele não sabia como isso podia ser possível.
Mas, assim como Magneto tinha levado uma vida inteira para talvez perceber seus erros...
Até para o homem mais rápido do mundo, seu filho, aquela ideia levaria tempo para se acostumar...
Mas era uma chance. A única chance. A única que os dois já tiveram alguma vez. E Pietro estava disposto a não correr dela...

- Então, venha comigo, pai... mas isso...- ele olhou para o capacete que aproximava, flutuando no ar.- Ainda não. Eu darei meu jeito. Eu prometo.

Seus olhos baixaram até a foto que lhe era mostrada... por um momento, um ardor quente em suas pálpebras debaixo, mas nenhuma lágrima escorreu mais. Então, Pietro segurou a foto, puxando-a das mãos de Magneto.

- Por agora, você não vai precisar disso. Ok?
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Dom Out 04, 2015 11:45 pm

"O que aconteceu com você...?"
Pietro não fazia ideia de quantas vezes aquela mesma pergunta se repetiu na mente de Magneto," O que aconteceu comigo...?" , o quanto essa pergunta preencheu muitas noites em claro deitado como um defunto inutilizado. Nem mesmo Magnus saberia responder isso ao filho com exatidão mas tinha certeza que acontecera depois do último encontro com o velho amigo num estado fora de controle, quando o telepata entrou em sua mente como um invasor sem bater na porta antes de entrar mas sim derrubando-a fortemente, quando Xavier torceu suas lembranças e pensamentos como um pano de chão sujo e molhado.
Charles não havia ficado muito tempo dentro da mente de Erik, talvez por pena ou simplesmente por que não pode, mas esse pouco que teve de tempo dentro da mente conturbada do homem magnético foi o bastante para transformar um líder revolucionário num inútil pedaço de carne e pensamentos psicóticos. Como quem liga um retro-projetor, Xavier fez com que imagens se passagem diante os olhos azuis de Magnus por mais que ele os fechasse, como se a mente de Charles ainda vivesse e além disso torturasse a de Magneto o telepata fez com que o polonês visse todas as mortes que passaram por suas mãos, todas as mentiras e manipulações que saíram de sua boca, todas as maldades que preenchiam seu peito e as crueldades com humanos, irmãos mutantes... com o sangue de seu sangue.
Por muito tempo ele preferiu não aceitar, aquele era mais um dos jogos mentais de um Charles fora de si, por semanas permaneceu parado lutando contra a própria consciência por uma espécie de controle de seu ser, noites e mais noites Magnus passara acordado jurando para si que sua própria mente estava mentindo, que deveria aguentar até que pudesse se mover novamente e voltar á ativa com seus seguidores, porém, depois de meses do que se parecia um tratamento de choque Magneto não mais tinha foco em soberania, morte aos homo sapiens ou vingança, seus olhos já quase sem cor diziam para si que o grande Mestre do Magnetismo havia sido derrotado pelos próprios males, depois de meses Magnus não mais resistia e com os olhos constantemente marejados desejava apenas poder virar-se de lado para tentar dormir.
A constante onda de pensamentos apenas se tornava mais intensa até que tudo sumiu de sua mente, se tornando um velha recordação, e como se pudesse vivenciar tudo novamente, Erik pode sentir o frio ao seu redor, "Isso...é um sonho?", o sussurro ecoou pelo que parecia ser um bosque, as árvores secas se esticavam cortando a paisagem uniforme como um corredor, as folhas ressecadas criavam um tapete que anunciava qualquer movimento por conta dos estalos ao serem pisoteadas, porém, nada se ouviu, Magneto estava sozinho em sua mente.

Aquele lugar se encontrava nas memórias mais perturbadas do polonês, era um bosque metros após a saída do campo de concentração, campo este que se encontraria logo á sua frente caso seguisse assim, Magnus pode ver claramente a cor acinzentada dos muros e os arames logo acima. Algo o fez olhar para trás, afinal fora para lá que correra quando fugiu do campo, porém não pode ver o que havia no final, havia apenas um foco de luz muito forte e nada além disso. Por horas ele permaneceu em pé no meio das árvores, "E-Eu tenho de escolher...?", a resposta não veio novamente, Magneto poderia voltar para o campo e saciar uma raiva que nunca pode ser findada, alguém estava lhe dando a oportunidade de se vingar...mas depois de todos os meses, todas aquelas imagens, quando a vontade o fez dar passos em direção ao campo sua cabeça doeu como se fosse perfurada e só então pode entender o que o outro caminho significava.
Tal caminho parecia ser o mais sensato e racional, acabar com todos os malditos nazistas do campo seria fácil para Magnus, porém, se seguir para o lado contrário se tornava facilmente loucura...em meio ao frio e ao ranger dos galhos, Magneto optou por se tornar louco.
Poucos dias após isso, Magnus voltou a se mover.
Era isso o mais correto de se pensar, o grande Magneto havia enlouquecido, mas o que diriam se o Diabo enlouquecesse e decidisse não mais se opor a Deus? Seria um milagre ou bom demais para ser verdade? Tal pergunta se tornara ultrapassada quando o cubo metálico se abriu revelando a imagem de Magneto para Pietro. O Diabo não só havia se rendido como também trocara os chifres por uma auréola dourada.
Magnus não saberia dizer quando as conversas entre ele e Pietro deixaram de ser monólogos de ameaças e afrontas para se tornar uma real conversação, porém, mesmo diante das perguntas do velocista Magneto não conseguiu pensar numa resposta clara, ver Pietro encostado num dos frios cantos daquele cubo metálico, encolhido como um animal amedrontado apenas lhe deixou um gosto amargo na boca, um remorso que não seria reparado tão facilmente.
Se antes Magnus se perguntava o que seu povo havia feito a Mercúrio para que fossem tratados daquela forma, agora se perguntava o que seu filho fizera para ter sido tratado como um empecilho, um fardo durante todo o tempo que viveu ao lado de Magneto, para que todas aquelas lágrimas parecessem ser sua culpa?
"Eu prometi pela minha vida que a protegeria de você!"
"Você nunca terá realmente uma família, Magneto! Você é verdadeiramente sozinho!"
A resposta era simples, nada, suas crianças nunca fizeram nada! Eles mereciam um Pai e não um Líder . Era lamentável que só agora Magneto pudesse enxergar.
Porém, após ouvir o som da voz de seu filho, o homem cansado parecia ter feito a coisa certa.
"Eu não conheço você..."
"Você é um estranho pra mim agora... e eu acho que isso é bom."

Quase como involuntariamente um sorriso sem jeito se tornou visível no rosto baixo que encarava Pietro, por mais estranho que parecesse, ouvir que seu filho não conhecia o homem a sua frente realmente lhe fez ter esperanças no que parecia tão utópico.
Se Magnus queria que Pietro o visse de uma forma diferente, teria de tentar esquecer ou ao menos ignorar um pouco o mal que o fez no passado? Não, isso seria tão cruel quanto as suas lembranças. Pietro era esperto o bastante para nunca acreditar em algo tão rapidamente e Magnus não seria burro de tentar forçá-lo, isso era algo algo que nunca funcionou, forçar Pietro a fazer coisas que não quer era um erro, erro que Magneto não cometeria denovo.
"como eu sei que posso confiar em você?"

- E-eu não sei m-mas...~As palavras do polonês saíram quase sussurradas quando foram cortadas pelos próximos dizeres de Pietro~...Obrigado.

Estava claro que Mercúrio merecia ser ouvido, Por muito tempo sua voz fora privada de atenção pelo pai, "não havia mesmo uma escolha... porque o Magneto, o mestre do ódio... era nosso pai biológico!", a saliva desceu arranhando a garganta de Magnus se transformando num soluço rápido enquanto seu rosto se tornava mais baixo encarando cada vez mais o chão ao invés do rosto de seu filho, porém, não pode conter sua voz trêmula diante daquelas palavas tão fortemente ditas.

- I-isso dói, Filho. Tanto em você quanto em mim, W-Wanda não é apenas sua irmã, ela é minha filha e nunca quis machucá-la como fiz. Quis que se tornassem o que me tornei pois pensava que eu não poderia ser mais do que Magneto já foi, eu estava errado, Pietro, e eu errei com você e sua irmã, nós tínhamos um nome mas não havia realmente uma Irmandade entre nós! Mas como eu poderia ver? Eu estava cego!~ Sua voz estalou naquela última palavra como se desse ênfase e então seus olhos azuis ganharam um tom específico de vermelho ao redor enquanto se tornavam cada vez mais marejados~ E-Eu ainda não sei exatamente o que houve comigo após o Incidente mas se isso mantém você mais próximo, m-mesmo que um pouco, eu estou grato por isso. Você não tem de prometer mais nada, você construiu sua vida longe da terra e Genosha não faz parte dela, sou eu quem tem um dívida com você, meu Filho...E eu pretendo pagá-la.~ Magneto aparentava uma visível dificuldade em respirar mas mesmo assim seguiu os dizeres.~Sim, Tudo mudou Pietro mas nós podemos mudar a nós mesmos, nós podemos fazer Magneto sumir deste mundo,  sumir da sua mente...e você não precisará ser mais contido por ninguém.

O sangue que escorria do nariz do velocista causou o frio na espinha do polonês mesmo que não fosse a primeira vez que estivesse vendo Pietro sangrar, porém, preferiu não demonstrar tanta preocupação mesmo que as lágrimas que se juntavam ao vermelho no rosto pálido de seu filho lhe causasse um extrema inquietação. Pietro não era mais uma criança e não precisaria de Magnus para assoar seu nariz ou limpar-lhe o sangue. Era de certa forma espantoso mesmo que fosse algo bom, Pietro Maximoff havia realmente prosseguido após o fim de todas as ligações entre ele o pai. "Mercúrico, uma vez um garoto tolo, sempre um garoto tolo!", Magneto havia dito anos atrás, perceber o quanto a carne de sua carne conseguiu seguir tão adiante, construir uma família de forma segura, manter amigos por perto, perceber o quanto estava errado realmente lhe fez sentir-se...orgulhoso daquele garoto tolo.

"...trégua temporária."
Por mais que quisesse transpassar uma imagem controlada e segura, Magneto não sabia como lidar com o que sentira. Pietro, aquele que há pouco tempo lhe acusava agora lhe mostrava confiança, O rosto cansado de Magnus se abaixou enquanto o capacete avermelhado voltou a flutuar mas agora para dentro do baú onde jaziam o antigo uniforme de Magneto, seus olhos se apertaram fortemente sentindo um arder salgado que se anunciava na mesma proporção que um sorriso se fazia tão visível em seu rosto.
"Eu darei meu jeito."
"Eu sei, Você sempre deu seu jeito, não é mesmo?", Magnus sussurrou quase inaudível e então sentiu o puxar da fotografia de suas mãos, num leve espanto, esperando alguma reação negativa do filho, Magnus levantou o rosto para Mercúrio quase como se pudesse vê-lo rangando a tal foto, porém, só pode ouvir um conforto ainda maior do que o que aquela imagem poderia lhe trazer.
"Por agora, você não vai precisar disso. Ok?"

- Você...~ O ardor em seus olhos se tornaram duas linhas molhadas a descerem de seus olhos até seu queixo.~...Está certo.

A mão direita de Magneto, agora livre sem as malditas luvas, se estendeu na direção de Mercúrio esperando uma retribuição, um aperto de mãos. Por mais que por dentro Magnus estivesse em choque por conta de uma repentina euforia, tentou manter-se solidamente sério, Pietro parecia abalado demais para um demonstração maior de afeto, ou pelo menos era isso que Erik pensava. Havia mais do que apenas ódio da antiga imagem do pai em sua mente, Mestre Mental estava acertando em todos os pontos fracos do velocista e isso se tornava cada vez mais visível para seu Pai.

- Vamos encontrar Mestre Mental, ele ainda está na ilha, eu posso sentir. E quando o encontrarmos, Mataremos o Magneto que vive em você.~ Os olhos azuis de Erik mantinham uma ligação com os de Pietro mas logo dividiu atenção novamente com o sangue em seu rosto,a  sua mão esquerda se pôs a descer até o bolso lateral da calça preta que veste, tirando um lenço branco com um "M" dourado nos cantos e o estende a Pietro.~ Mas antes, por favor, se limpe e...me desculpe, eu não queria ter machucado você mas...É sempre muito difícil parar você.~ Um leve riso se fez presente.~ Pode ficar com o lenço.

Com um estender de mãos, Magneto fez com que o cubo se desfizesse se tornando um corredor invés do labirinto que ali existia antes, um corredor prateado que tinha aqui e ali algumas marcas brancas que o marcavam de um lado ao outro. Com um franzir de sobrancelhas como quem se pergunta "O que diabos aconteceu?" Magnus logo abaixa os olhos visando o solado dos calçados de Pietro coincidentemente desgastados e volta seu olhar para o rosto do filho.

- Não poderia apenas memorizar o caminho, não é mesmo?

O riso sem jeito se repete enquanto o anfitrião inicia um caminhar, ambos haviam ficado por muito tempo em silêncio, havia mais a dizer do que o que foi dito. Havia mais a ser compreendido...porém enquanto Magnus se dirigia quase no mesmo passo que Pietro ao fim do corredor e uma nova escadaria começa a ser feita em direção ao salão principal com a manipulação de Magneto, não pode esconder o olhar de espanto.

- Eu tentarei distrair os...os moradores...~ O salão principal estava vazio mesmo após o convite de Magneto e os portões serem abertos, os olhos arregalados de Erik se voltaram para Pietro e rapidamente de volta para o fim da escadaria.~ Onde eles estão? Os genoshianos...eles...

A resposta veio logo em seguida, como um som crescente as vozes começaram a ecoar pelo palácio mesmo que todos os moradores estivessem do lado de fora.

- Nós queremos Magneto!!!

- MAGNETO!!!

- Nós sabemos que está aí dentro!!!

As vozes claramente não clamavam da mesma forma de antes, havia mais do que força nos gritos, havia raiva.
Todos os mutantes que há pouco se sentiram assustados pelos gritos do velocista arranjaram pedaços de barras de ferro, pás ou o que havia por perto para resolver algo que nem mesmo Magneto pensou que realmente poderia acontecer, o povo Genoshiano estava confuso, assustado, e agora fermentados pelo que Mercúrio havia dito, estavam enfurecidos.
Reflexos de luzes aparentemente de tochas começaram a entrar no palácio, eles estavam sem aproximando, entrando no lar de Magneto. Rapidamente, Magnus se virou em direção ao filho colocando a mão em seu ombro e fitando fortemente os olhos tão iguais aos seus.
Suas sobrancelhas estavam contraídas deixando claro uma preocupação, um medo.

- Não é culpa sua, Pietro!

"Magneto! Saia! Magneto!"

- Não é...~ As vozes, os gritos, aquele nome gritado daquela forma, eles gritavam por Magneto e uma memória foi tão inevitável quanto a fraqueza que fez os joelhos de Erik se dobrarem~...Sua culpa.

O corpo do velho cansado foi ao chão caindo sobre os joelhos, o choque fora tão forte que o estalar dos ossos contra o metal ecoou pelo corredor, o rosto de Magnus se tornou ainda mais pálido enquanto seus olhos se esbranqueceram. A imagem de Pietro e a sala de metal aos poucos se foram deixando apenas um borrão que fora tomando forma cada vez mais, numa tentativa de impedir o que parecia ser uma das tão familiares alucinações Magneto levou as mãos aos olhos mas nada mudou. Ao seu redor tudo se tornou apenas uma infinda e fechada floresta, o cheiro molhado da terra e das plantas, era uma lembrança de...casa.
Aos poucos a floresta se tornou mais visível em sua mente e de longe pode ouvir o que se assemelhava á um galopar, eram vários e junto a eles vozes enfurecidas como as dos Genoshianos.
"BRUXO!"
"Assassino! Peguem-no!"

- Não...

Magnus sussurrou enquanto as mãos cobriam o rosto mesmo que soubesse que não mudaria nada, o galopar aumentou de intensidade e então Magnus pode ver um homem de tronco despido correndo em meio ás árvores, correndo em sua direção, seu rosto mostra o quão apavorado está, o quão assustado aqueles galopares o deixaram.
Aquele homem era Magneto.

Os moradores da vila onde morara com Magda estavam caçando-o como um animal, lhe prenderam as mãos e o soltaram para só então perseguirem quem eles chamavam de "Bruxo". Aos poucos eles e aproximavam, os cavalos e um Erik mais jovem, correndo freneticamente para fugir dos cavaleiros. Magneto sabia como aquela lembrança acabaria, porém, quando aquela cena se tornou tão intensa, tão próxima, com os cavalos quase podendo tocá-lo...A Imagem se tornou um borrão novamente e tudo o que restou fora um grito de dor.

- NÃÃO! ESSA É MINHA CASA! É A CASA DOS MAXIMOFF! NINGUÉM ENTRARÁ!

As mãos se afastaram do rosto, seus dedos se contorceram com força, sua voz ecoou por todo o castelo e certamente até fora dele, os cabelos brancos se assanharam caindo sobre a testa, as mãos se ergueram fazendo com que a porta enorme e metálica fechasse a entrada para o castelo, enormes barras de metal se puseram contra a porta enquanto flutuando Magneto se pôs novamente em pé. Com uma respiração ofegante, O mestre do magnetismo sentiu um gosto de sangue chegar até a sua boca, era o gosto do sangue que escorria de seu nariz chegando até seu lábio inferior, seus olhos estavam avermelhados mas mesmo assim levou as mãos aos ombros de Mercúrio.

- Nós...Temos que achar...Um jeito de sair daqui...~ Pausadamente buscando ar, Magneto tetou falar olhando Pietro nos olhos.~ Não temos...como sair...pela frente.~ Batidas no metal puderam ser ouvidas enquanto As vozes se tornavam mais fortes.~ Podemos ir pela mata...~ Magneto aponta para uma das paredes do slão principal logo abaixo, a parede do lado contrário a porta da frente, quase como uma porta dos fundos.~...ninguém...ninguém mora por lá, o que você me diz? Vai na...frente?

Numa tosse inesperada cortando um possível sorriso, Magneto vira o rosto antes focado em Pietro para a parede ao lado, sujando-a com uma mancha de sangue, as mãos que antes se apoiavam nos ombros do filho agora se apoiam contra a superfície prateada e fria. Uma das mãos de Magneto vai até sua cabeça como se sentisse que algo estivesse sendo chacoalhado por dentro, na verdade, quem poderia dizer que realmente não estivesse? Uma dor aguda como uma enxaqueca chega até a cabela de Magnus e como quem presta atenção para decifrar um código morse, Magneto fecha os olhos e o semblante de dor é cortado por um abrir de olhos surpresos, a boca cerrada se torna um sorriso e os dentes marcados de vermelho se mostram discretamente. Os dizeres de Magneto soariam mais como um gemido ou sussurro inaudível mas provavelmente apenas para os que estavam ali.

"Você e sua mania de aparecer de surpresa. Nunca aprende, não é mesmo...Velho amigo?"
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Qui Out 15, 2015 2:57 am

- Francamente, pai, esperei todos esses anos para ouvir algo como isso e tudo o que precisava acontecer era que os heróis do mundo inteiro quase morressem, incluindo minha esposa, para te transformar no homem que é agora? Por que não me avisou antes? Teria deixado você pirado mais cedo.- seu sorriso torto, meio forçado para aparecer, revelou a brincadeira.

Poderiam ser palavras que machucassem dependendo de para quem ele as estava ditando. Fazer pouco caso de um massacre no mundo dos heróis poderia ser infantilidade e estupidez. Porém, antes que a sombra de um Pietro na flor da puberdade, jovem, rebelde e irritante, cheio de piadas e escárnios pudesse tomar a visão de Magneto, seria importante lembrar: ele também estava lá.
Seu filho estava lá, lutando contra um monstro desenvolvido com as piores características de dois dos mutantes mais poderosos do mundo. Ele estava lá, sofrendo, sangrando, correndo na maré da incerteza da vitória até suas pernas doerem. E ele estava lá, chorando por cima dos corpos desfalecidos que ficavam para trás. E ele perdeu uma irmã, ele perdeu uma esposa, ele perdeu um melhor amigo e ele perdeu uma das figuras mais paternas que já pode ter na sua vida. No fim, tudo e mais um pouco lhe foi tirado durante aqueles meses de guerra - no sentido mais puro e violento da palavra.
Ele sofreu mais do quê nunca. Por mais que Steve, Clint, Polaris e Crystal tenham retornado para ele...
Eram traumas que ele jamais poderia esquecer.
E, por isso, era importante lembrar que suas palavras anteriores...
Elas não passavam de uma brincadeira; mas não daquelas que as crianças podem brincar também...

- Seja o que for que houve com você, eu gosto dessa nova pessoa. Apenas é...- ele desviou o olhar. Não só sua expressão estava trabalhando na comunicação; suas palavras decidiram mostrar como ele realmente se sentia diante de tudo.- Um pouco complicado. É um prato cheio demais. Não consigo engolir tudo de uma vez. Eu queria que fosse rápido, aceitar sua mudança, me tornar seu amigo, e me sinto angustiado por não ser bem assim. Não posso esquecer algumas coisas, eu não posso ficar aqui além do necessário, Magne-... pai.- ele se corrigiu e após isso enrolou a língua entre os dentes. Era o costume. Ele também não sairia fácil. Logo, Pietro arranjou a solução:- Então apenas... vamos com calma. Apenas dessa vez.


Após dito, ele afastou a imagem que ainda segurava, seu próprio rosto reluzindo no papel semi-desgastado que ele quase podia lembrar de sentir o cheiro semi-impresso da tinta que moldava a foto quando esta saiu prontinha da máquina fotográfica que Wanda segurava numa manhã descontraída que eles passaram juntos há muito, muito tempo atrás. Ele não tinha lá mudado tanto, afinal.
De relance, na vista ainda meio embaçada pelas lágrimas anteriores, divisou a mão que lhe era estendida. Não pode deixar de sentir um leve deja vu. Quantas vezes não vira aqueles mesmos dedos postos exatamente da mesma maneira, à frente, afim de firmar um acordo que Pietro quase nunca estava afim de cumprir? Aqueles mesmos dedos, envoltos por luvas cor de violeta, prontos para pressionar um Pietro a fazer o que ele não queria.
Mas era isso... só um deja vu.
Porque não havia mais violeta neles. E porque Pietro queria aquilo agora.
Então ele fez. Suas mão calçando a luva azul-escuro apertou a do pai, cingindo seus dedos e não os soltando. Erik estava certo. Aquele era o mais sensato movimento que eles poderiam fazer; algo maior que aquilo soaria incerto, talvez repentino demais. De qualquer forma, Pietro não soltou sua mão rapidamente. Ele a manteve ali, firme, por mais segundos do quê deveria, mas não se indagou a respeito disso. Deixou-se aproveitar o momento, achando que sentia muito mais do quê deveria num simples aperto de mãos...
Porque não era a mesma sensação de esperar por uma emboscada. Era a espera de um êxito.

- Certo...- saiu num sussurro, quando ele ouviu o pai. "Matar o Magneto" que havia dentro de si soava tão estranho. Como uma confirmação de que ele existia, e não era visível apenas para Pietro, mas sim para todos a sua volta. Mas, ao mesmo tempo a espera do êxito de vencê-lo...
Vencer a entidade do Mestre do Ódio que parecia passar hereditariamente dentre os Maximoff. Como uma doença. E, se ele realmente a tinha... ao menos estava agora, finalmente, atrás da cura - e sabendo que há uma cura.
Ele só espera que não precise ficar em um estado vegetativo por anos...

- Nós temos muito trabalho a fazer, então.- declarou certeiro, quebrando o clima silencioso, fungando, soltando lentamente a mão do pai e a passando nas pálpebras inferiores rapidamente, como quem não quer deixar que mais lágrimas sejam vistas escorrendo por seu rosto.

Divisou, então, o lenço que Erik lhe estendia, e não exitou em pegá-lo, de qualquer forma, embora aquele M ao canto tivesse prendido seus olhos por alguns segundos...

- Depois eu sou egocêntrico por ter cuecas com um raio prateado...- ele disse aquilo quase sem mexer a boca, num resmungo que levou seus olhos azuis até o pai, esperando que ele não tivesse ouvido. Era feitio de Pietro quebrar climas, fosse eles quais fossem, mas agora não fazia muita diferença; pousou o lenço suavemente sobre o rosto, sentindo-o embeber-se de vermelho, e depois o dobrou, passando pela pele com mais força.

- Vou levar isso como se fosse um elogio.- um sorriso de canto. Parecia forçado. Forçado até demais.
Era apenas a verdade crua de que Pietro não se acostumaria com aquela boa amizade com o pai tão brevemente daquela forma... mas ao menos ele estava tentando.  
Magneto deveria compreender... Pietro nunca teve um pai antes, portanto não sabia como se portar diante de um.
Apesar de ser um pai; e era isso que lhe dava uma certa noção, mas ele não tinha mais oito anos de idade como sua filha.
Seria estranho. Seria difícil. A sensação de ter finalmente realizado um sonho que há tempos anisava... mas que agora não sabia como fazer para mantê-lo.
Teria que aprender.

Enrolou o lenço nos dedos enluvados, guardando no bolso oposto ao que pusera a foto anteriormente. Seguiu o pai quando este fez o corredor abrir passagem diante deles e apenas cruzou os braços quando notou o franzir de cenho de Magneto. Pietro inclinou a cabeça, elevando as íris azuis para cima em diagonal, como quem já espera por aquela pergunta e obviamente já tem uma resposta na ponta da língua - assim como todas as vezes:

- Não podia simplesmente abrir passagem para o seu filho, não é? - ironizou em resposta, mas aquilo não soou agressivo - talvez pela primeira vez naquele dia.
Talvez pela primeira vez em anos.
Talvez pela primeira vez.

Com passos frenéticos mais do quê naturais, Pietro seguiu corredor, sem se preocupar realmente se Magneto estava lado a lado com ele, pois estava. Tinha que admitir, seria mais rápido se tivesse apenas as instruções, mas ele precisava do pai para encontrar Mestre Mental, então aquela caminhada meio torturante teria que prolongar mesmo sua mente estando tão flutuante em tantas outras coisas, como a conversa e o trato de alguns minutos atrás...
Mas sua atenção foi obrigatoriamente voltada para outra coisa. A pergunta de Magneto intercalando com a visão e o silêncio absurdo no salão que, pelo visto, um banquete mais do quê bem cozido já esfriava solitário, lhe fizeram olhar ao redor como se buscasse o que o pai sentia falta...
Porém, foram seus ouvidos que captaram. O som dos gritos, dos protestos. O mesmo soneto de vozes que antes clamava, agora se mostrava mergulhado de revolta.
Pietro estremeceu dos pés até o último fio de cabelo branco, e seria uma boa metáfora para descrevê-lo; uma sensação de tornar os cabelos brancos, mas como eles já o eram, então foi apenas seu rosto, que se tornou muito mais pálido que o normal e aquilo não tinha relação nenhuma com a perda de sangue em seu nariz...
Pode ver as sombras se aproximarem e, numa das raríssimas vezes que isso acontecia, ele se sentiu paralisado.
Porque ele sabia... ele estava pensando sobre isso...
A culpa era sua. Suas palavras... sua raiva...
Era tão contagiosa quanto Magneto.
E agora, ele a passara para todos os Genoshianos...
P*ta que pariu, Pietro.- o velocista pode jurar ouvir a voz de Crystalis ecoando em sua cabeça." Por que você nunca, NUNCA pode se manter calado?! "
- Desculpe...- sua voz soou em resposta à sua esposa, mas audível o suficiente para Magnus.

Mas não houve choque maior do quê divisar os olhos tão azuis do pai esbanjando tanto calor naquele momento, entrando em seu campo de visão tão bruscamente, quase como se quisesse conter os pensamentos ultra-mega-rápidos de Pietro. E conseguiram.
Ele não teve resposta diante daquilo. Por um segundo, apenas a voz de Magneto, ditando lentamente aquelas palavras de consolo, ecoou em sua mente...
E no outro segundo ele se assustou, arregalando os olhos diante da cena que se estendeu em câmera lenta à sua frente.

- PAI!- ele exclamou, a preocupação lhe aflorando o semblante.
Ajoelhou-se diante dele, segurando seus ombros, querendo sacudi-lo porque sabia que ele não estava ali; ele estava em outro lugar, perdido na própria cabeça.- Qual é, não é hora pra isso!

A bagunça de antes não o tinha deixado completamente, Pietro pensara assim desde o princípio. E ele só teve mais certeza desta ideia quando a passagem para o castelo foi fechada daquela maneira ao mesmo tempo que Magneto proferia tais palavras aos gritos.
Pietro se ergueu quando o pai o fez, a expressão ainda em choque, como quem não acredita no que acabara de ver.

- Pai, seu nariz!- ele retirou do bolso o lenço, o sangue no pano não era muito agora que estava coagulado.- Tome, você precisa disso agora. Por que isso aconteceu?- sua expressão era confusa; sua voz definitivamente mais aguda em cada sílaba, como numa admiração que não passaria até que ele encontrasse alguma razão.- Por que está sangrando? É só o seu poder, certo? Não deveria sangrar e...

Pietro fez esforço para parar de falar e ouvir o pai. Seus dizeres já tinham dado problema suficiente por dia; achou que batera record de causar discórdia com apenas algumas palavras.
Mas, pela primeira vez, ele sequer teve tempo de dizer nada, porque a tosse frenética de Magneto
fez com que Mercúrio pusesse ambas as mãos sobre as ombreiras douradas como se precavesse seu pai de cair outra vez.

- O que está errado?- ele indagou, mas sabia ser impossível uma resposta imediata. O silêncio se fez apenas para quando Magneto fechou os olhos e depois os abriu; Pietro esperava uma resposta e Magneto já parecia tê-la.
E ele a entendeu no sussurro.
Nada fazia sentido.
"Por que Xavier está na sua cabeça?!", foi o que ele quis perguntar, mas já havia questionado demais e não havia tempo para ouvir as respostas. Então, ele apenas agiu, já finalmente encontrando soluções - era isso o que importava para um velocista.
Apenas pensou muito para chegar na conclusão de que era estranho demais Charles aparecer justo agora que Magneto quase perdera a cabeça...
Essa hipótese tirou a ideia de trazer o capacete de volta do baú para as mãos do pai. Então, Pietro apenas segurou o braço direito do pai pelo músculo e o puxou de forma cuidadosa, passando o braço do pai por seu pescoço, deixando que se apoiasse em seu corpo. A seguir, segurou firmemente a nuca de Erik.

- Ok, segure em mim e não reclame, você não está em condições de ir voando. Eu te protejo do efeito chicote.- ele suspirou.- Sem mais tempo para o drama Maximoff. Nós estamos caindo fora daqui.

E foi o que aconteceu. O vento fez mais barulho do quê nunca para os ouvidos de Magneto e ele não pode realmente enxergar nada porque a pressão do ar contra seu rosto mal deixava seus olhos se manterem abertos. Era o momento que apenas tinha que fechar os olhos, sentir o corpo dormente e confiar em seu filho... assim como ele confiara no pai.
E logo eles estavam longe dali. No meio da mata, Pietro parou. Não soltou-se do pai, contudo. Ele fez isso lentamente, largando a nuca de Magneto, mas o manteve com o braço passado em seu pescoço, presumindo a tontura/sensação-pós-traumática/enjoo tão costumeiros de quem tinha a sorte de provar um pouquinho da super velocidade, sem ser super veloz.

- Fiz isso poucas vezes com você, mas conhece os procedimentos: tente não vomitar.- ele olhou por cima do ombro. O palácio ficara para trás, os gritos também, e agora não passavam de barulho de fundo para o canto dos grilos e o coaxar dos sapos pela mata densa da floresta que mal deixava a luz da lua entrar. Talvez tivesse sido péssima ideia ter parado ali.

- Correr nessa escuridão vai ser horrível, não quero esbarrar forte levando você.- apenas comentou. Não saberia dizer se estava mais preocupado com isso ou:- Acha que eles... vão desistir disso, pai? Eles não querem realmente machucar você, certo? Você é o líder, eles estão apenas com raiva.

Ou ainda mais preocupado com:

- Ei, o que é aquilo?- ele indagou, os olhos azuis dilatando quando ouviu sons de passos quebrando folhas secas no meio do matagal. Passos desajeitados, e a sombra humanoide de alguém bem ali, detrás de um grande arbusto à frente de Pietro e Magneto.
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Qua Out 21, 2015 4:10 am

"tudo o que precisava acontecer era que os heróis do mundo inteiro quase morressem, incluindo minha esposa, para te transformar no homem que é agora? Por que não me avisou antes?"
Magneto teria sorrido, na verdade os pequenos músculos de se rosto até tremelicaram para que um sorriso se iniciasse em meio ao seu falatório porém nada que fosse realmente visível pois mesmo que aquele fosse um Magneto mudado e novo, alguns maus dos Maximoff nunca se vão e justo a sua pressa, que ironicamente seu filho também tinha, lhe fez seguir caminho rápido até a escadaria apenas respondendo ouvindo as respostas que estranhamente começaram a ganhar pausas que nunca foram características daquele velocista.
Pietro parecia estar fazendo realmente o que se comprometera, parecia realmente estar aceitando aquilo mesmo que de maneira lenta. Lenta demais para Mercúrio, porém, rápida o bastante para um filho que acaba de conhecer seu pai.
"Seja o que for que houve com você, eu gosto dessa nova pessoa."
Era estranho, se Pietro não houvesse chegado a Genosha aquele seria mais um dos típicos e monótomos dias na ilha mas, após sua chegada, se iniciou uma espécie de efeito dominó que os fizeram chegar até ali, era perceptível pelo seu jeito de falar que Mercúrio estava mudando um pouco também mas foi algo muito específico que chamara completamente a atenção de Magneto, algo que ele próprio teria comentado caso não tivesse sofrido uma leve amostra de um derrame que com sua idade não seria algo muito difícil de se esperar.
O atordoamento após as ilusões criadas em sua mente deixaram tudo ao seu redor muito mais confuso, o sangue que praticamente jorrava de seu nariz deixou claro que aquele ataque fora causado por um telepata, um telepata mais do que específico, mais do que temido por ele. Mas o porque de Xavier ter entrado em sua mente não estava claro nem mesmo para si, teria feito isso como um lembrete do que era capaz? Teria protegido o povo genoshiano de um provável onda eletro-magnética que destroçaria seus membros e entranhas? Charles queria apenas dar um "Oi" ou assim como Pietro, tinha dificuldades de dissolver a mudança brusca que ele mesmo causara? Magneto não saberia dizer e não teve tempo de realmente trocar mais do que uma frase pelo rastro mental deixado pelo telepata, não teve tempo de racionar mais do que pode, não teve tempo de se levantar mais do que seus joelhos permitiram no momento, não teve tempo...enquanto tinha quase certeza que para seu filho aquele tempo que passara inconsciente durou uma eternidade.
Tempo e espaço...Isso poderia não significar muito para Pietro, assim como poderia significar muito.
O velocista podia transformar um segundo em possíveis duas horas, assim como um quilômetro e prováveis dois centímetros. Mercúrio poderia não dominar as influências de Magneto em sua própria mente mas dominava o princípio da velocidade média. A conta é bem simples e o espaço percorrido assim como o tempo gasto por Pietro em suas corridas são o que realmente definem o quão longe o quão rápido chegará. Da última vez que Magneto resolveu fazer tal conta, chegara a conclusão de que nunca conseguiria realmente saber a velocidade exata do filho e exatamente por isso decidiu parar de tentar calcular quando percebeu que a velocidade do som era só mais obstáculo a ser ultrapassado facilmente por quem provavelmente era o homem mais rápido.
Bem, assim como da última vez que desistira de tentar saber o quão veloz Mércurio iria o homem magnético nem ao menos pensou nisso quando a voz do velocista deixou de ser apenas um som abafado para se concretizar num chamado nada...realmente, nada comum da parte de Pietro.
"PAI!"
"Ele me chamou de...Pai...denovo?"
A pergunta mental foi apenas retórica pois a resposta já havia sido dada.
Os olhos azuis levemente avermelhados encararam Mercúrio e se seu corpo e mente o permitissem teria feito mais do que gaguejar.

- E-Eu...~ Gaguejando num sussurro inaudível enquanto o gosto do sangue passou a fazer parte da sua boca, Magneto sentiu uma forte pressão em seu braço direito enquanto suas sobrancelhas mostravam um real semblante de dúvida e receio sobre o que Pietro faria quando sentiu a mão do filho tocar sua nuca.

"Você não está em condições de ir voando."
A voz de Mercúrio entrou mais alta em seus ouvidos já que agora se encontrava próximo o bastante do filho para que ele...para que ele o carregasse...? Os olhos azuis agora se viraram para Pietro mesmo que tudo o que pudesse ver fossem olhos encarando a saída recém mostrada como se dissessem que aquilo não era uma boa ideia.

- N-não...Eu P-posso...~"Eu te protejo do efeito chicote."Magneto arregalou os olhos para frente e uma breve lembrança veio a sua mente quase como um fleche da última vez que ouvira aquilo.~ E-Efeito chi-cote Nããã....

Era apenas uma palavra mas assim como Pietro encurtava quilômetros, também alongava as menores sílabas.
E exatamente tal palavra se prolongou, se prolongou para o que pareceram décimos ao nem um pouco acostumado Magneto.
"Você já andou naquelas montanhas russas que te põem de cabeça pra baixo? É umas vinte vezes pior."
Magnus lembrara, naqueles décimos do que seu filho havia falado na primeira vez que teve a oportunidade de infelizmente precisar daquilo. Pietro não havia mentido quando comparou as sensações de super-velocidade porém, foi exagerado afinal...era bem pior.
O braço de Erik que foi posto contra o ombro forte o bastante para segurá-lo ao invés do contrário que sempre acontecera no passado apenas apertou Pietro sabendo exatamente do que viria depois, os dedos trêmulos e ainda sujos de sangue apertaram forte o traje do velocista e a sensação do vento batendo fortemente contra seu rosto, seus olhos doeram com o vento por mais que fosse pouquíssimo tempo para mesmo sentir, era como se corresse em cima de um trem em movimento, talvez fosse verdade mas...trens não são tão rápidos.

-...ãão!

As folhas que se encontravam no chão junto á pequenos galhos e alguns pedregulhos se sacudiram com a força de chegada e o vento que se ocasionou após ambos, Pietro e Magneto , colocarem os pés ali e só então aquela mesma palavra pode ser finalizada no percurso que deveria ter levado no mínimo uma hora.
Pietro sentiria aos poucos o peso do corpo de Magneto pesar ainda mais, não por que seu ombros estaria cansado mas porque as pernas do polonês tremelicavam fortemente. Se Magneto não estava em condições de voar, não estava em condições de ser levado daquele jeito mas deveria admitir que talvez, assim como raras vezes, Pietro fizera o mais sensato.
"Conhece os procedimentos: tente não vomitar."

- Tentar não ter um...~ A cabeça de Magneto faz um movimento como se a ânsia fosse quase inevitável mas logo controla o estômago que se bagunça mais a cada instante.~...infarto não é um dos procedimentos?~ Uma leve tossida embora estalada faz Magneto levar a mão esquerda a boca.~ Mesmo que você esbarrasse em alguma árvore eu não sentiria nada, acho que perdi alguns órgãos no caminho.~ O riso um tanto avermelhado pelo sangue se torna muito visível enquanto Magnus busca cada vez mais se mantar firme no ombro de Mercúrio.~ Eu estou bem, só não é todo que as duas pessoas que mais me quiseram longe aparecem de surpresa em minha casa...

Quando aquelas perguntas foram feitas, perguntas sobre o povo antes tão louvável que agora se mostrava intimidador, foi inevitável perceber o sentimento de preocupação na voz de Pietro, ou seria culpa? Os olhos do velocista se voltaram então para frente onde pequenos ruídos que ecoaram pela mata puderam ser ouvidos. Erik não tinha certeza do que era, certamente algum animal já que a escuridão e a visão debilitada pela velocidade que foi carregado o impedia de ver claramente, mas de qualquer forma, Magneto olhou para trás com um pouco de esforço em seu pescoço e então pode visualizar, acima do azul do traje do velocista, um brilho que reluzia no prata do castelo, o brilho das várias tochas acesas. Seu rosto se abaixou levemente quanto retornou á posição de origem e num suspiro puxado seus olhos azuis se voltaram para Pietro, eram visivelmente preocupados assim como as pausas na fala do velocista, porém, calmamente Magnus levou sua mão esquerda ao rosto do filho e o fez olhar em seus olhos como se tudo aquilo que literalmente ficara para trás não importasse tanto e por mais que fosse realmente tão importante, não era certo lotar ainda mais a mente do Mercúrio que por mais maduro que estivesse ainda não conseguia fugir de si.

-Eu...Eu não sei, Pietro.

A voz de Magnus nunca estivera tão branda quanto naquele momento, talvez não fosse apenas para manter a atenção de Pietro, talvez fosse pelo seu mal-estar contínuo após aquela corrida ou para impedir que o filho fizesse mais barulho alertando seja lá o que estivesse no meio daquela área que deveria estar desabitada.
Magneto prosseguiu sem desviar seu olhos dos olhos do velocista.

- Eu não sei o que o povo de Genosha está querendo agora mas o tempo de nos machucarmos já se foi. Ninguém será ferido aqui, Filho. Genosha é um lar de paz...eu espero que continue sendo...

Aquilo não foi exatamente uma promessa mas Magnus se esforçaria para mantê-la assim como se esforçara para manter o que havia dentro de seu estômago, infelizmente não foi muito eficaz quando quase involuntariamente soltou o rosto de Mercúrio e virou-se para o chão coberto de plantas rasteiras dando um novo lugar para todo o uísque que bebera antes ficar.
Por sorte, os respingos apenas chegaram perto dos calçados de Pietro.

-Desculpe, ~Magneto passa a ponta da manga sobre a boca limpando-a.~ Eu tentei segu...~ As sobrancelhas se contraíram enquanto como um tipo de radar Magnus pode sentir que o que se movia era grande demais para um típico animal do mato.~ Espere um pouco...~A voz de Magneto soou como um sussurro acompanhado de um movimento de mãos como num sinal para que seu filho fizesse silêncio.~...Tem algo lá, mas tenho certeza que não nos viu chegando.

Estendendo a mão para um pouco não muito longe de onde ambos estavam a sombra que Pietro alertara Magneto se movia para mais distante, não era um animal...era um mutante.

- Você tem que entender! É apenas um plano!~Uma voz rouca inaudível para os Maximoff mas nítida para seu receptor grunhia em algo como um comunicador em sua orelha.

- Plano ou não, esse povo está louco, Madame! Magneto está jogando alto, muito alto por aquele simples fedelho.~ Um homem segue com passos firmes e rápidos enquanto segura uma maleta amarelada como se fosse sua própria vida.

- Mas é exatamente esse o plano, seu idiota! Não pode ir embora agora, ele precisará de nós!

- Certo, se o que você diz é verdade então eu não quero estar aqui quando tudo começar.~ A voz masculina se aprofunda cada vez mais na mata.~ Eu não...espere...~ O homem para e olha para trás após ouvir o que se parecia com um chacoalhar de galhos.~ Não foi nada, continue.

- Está vendo? Cê tá ficando paranoico! Aonde pretende ir? Vai ficar no meio do oceano?

- Aonde você pensa que todos vão acabar quando Magneto tentar matar aquele filho da pu...

O corpo do Homem simplesmente foi puxado por dentre as árvores e plantas da mata fechada contra a direção em que andava interrompendo a comunicação e fazendo o comunicador em sua orelha saltar para o meio das plantas. A mão que antes apenas se estendera agora se fecha puxando seja lá o que estivesse caminhando em meio aos arbustos.
Não se demoraram mais do que alguns segundos para que deslizando por cima dos galhos e folhas no chão assim como por cima do que antes estivera no estômago recém sacudido de Erik, aparecesse o tal andarilho que Pietro avistara. O sobre-tudo marrom que combinava com a calça de mesma cor deixava claro que as vestes do tal homem estavam fora de moda há alguns séculos assim como as finas linhas escuras que lhe serviam de bigode logo abaixo do nariz. O olhar assustado não negou o susto e surpresa em ver Magneto e Pietro em meio ao que claramente parecia uma fuga.
O homem deitado logo abaixo dos pés de ambos era...

- Jason! Que surpresa. Saindo para uma caminhada noturna?

Os olhos azuis de Magneto agora fitam Pietro com um sorriso discreto que poderia ser facilmente interpretado como: "Seu maldito sortudo." mas logo retornou a encarar o homem que deitado continuava ao chão.
Com um esforço sobre os ombros de Mercúrio, o homem de cabelos grisalhos se pôs em pé ao lado do filho que certamente sentiria um alívio nas costas após isso.
As mãos rapidamente acertam as mangas escuras retirando os pequenos pedaços de plantas e folhas presas e arrumam o cabelo mantendo a postura de líder só para então voltar o par de esferas azuis novamente para o filho mas agora num semblante muito mais sério e Pietro saberia o que fazer após um leve inclinar de cabeça por parte de Magnus como uma permissão para ir em frente.
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Ter Out 27, 2015 8:37 am

Ele achou graça, ao menos por um segundo - deixou escapar um riso, que morreu mais do quê rápido(pra variar) alguns segundos após ter se tornado silencioso.

- Você não tá falando sério, né?- um segundo de pura observação se passou, onde Pietro buscava despreocupar-se da hipótese de ataque fulminante, o que não foi realmente possível: o estado de Magneto era deplorável. E Mercúrio nem podia botar a culpa no sangue sobre o sorriso do pai, nem em sua respiração pesada.- Duas?- ele franziu o cenho.- A outra é meu bom senso?

Deu de ombros, como quem só quer demonstrar que a piada não era pra ser levada a sério. Uma novidade, se vinda de Pietro.
Mas havia algo maior de admirador, de surpreendente.
Na verdade, de estranho.
Era tão, tão estranho, que Pietro não conseguiria expressar em palavras... o fato de olhar fixamente nos olhos azuis de Magneto...
E ver calmaria. Ver o zen, e ver alguém tentando lhe acalmar.
Era tão estranho assemelhar os olhos de Steve, de Clint... com os daquele homem.  
E o toque em seu rosto, por mais que não fosse a primeira vez, fez os pelinhos por debaixo das mangas de cores distintas do uniforme de Pietro se arrepiarem completamente, eriçando num calafrio quase assustador...
Quando ele, só então, percebeu que nunca tinha sentido as mãos do pai em sua pele. Não sem aquelas luvas. Não sem amassar seu uniforme. Não sem deixar hematomas.
Diferente do couro violeta, seu palmo era quente e macio. Pietro não fraquejou o olhar, embora o mantivesse preocupado diante do pai - e ele realmente estava.
Ainda mais usufruindo do estranho remorso que era pensar que ele causara um milhão de problemas numa só visita para Magneto.
Há um tempo atrás, ele tinha orgulho disso.
Agora, ele queria pedir desculpas.

- Vamos deixar com que se acalmem.- pareceu entender o recado, levando em consideração o rápido sussurro que formulou aquela frase. E prosseguiu em tom baixo:- Eles têm que se acalmar.

Deixou um suspiro escapar, quase como alguém depois de pedir um desejo a alguma crença imaginária.
Mas aquele suspiro engasgou-se no susto que ele tomou, tendo o impulso de se afastar, mas sem soltar o pai. Escorregou os pés um pouco para trás, fazendo uma careta de torcer o nariz e praguejando alguma coisa inaudível.

- Tudo bem...- ele tentou não olhar a substância de licor alaranjado no chão.- Digamos que já faz um tempo desde que fiz isso com você pela última vez...

Era de se surpreender, mas nada de se admirar. Pietro poderia se lembrar da última vez que vira o pai?
Ele sempre o via nos Outdoors. Eles sempre ouvia seu nome, já que seu papel diante dos outros era ser o filho do Mestre do Caos que provavelmente seguiria os mesmos passos do pai, trairia seus amigos e se tornaria um grande vilão. Era assim que o mundo lá fora o via, sempre cercado pela sombra de seu pai, Magneto.
Porém, quando foi a única vez que Pietro o olhou de verdade? Reparou nele, andou com ele, e não com o peso de sua sombra para cima e para baixo?
Ele não se lembrava de tantas rugas. Ele não recordava de tantas linhas de expressão, nem de tanta palidez, nem de tantas olheiras. Ele não se lembrava de uma coluna meio corcunda e também não reconhecia a rouquidão a mais na voz.
O que teria acontecido se ele não tivesse aparecido ali naquele dia?
Talvez amanhã, na Lua, fosse avisado de um velório. Talvez na semana seguinte. Talvez tão rápido como o tempo passou, pela primeira vez em sua vida. Sentiu-se atrasado; atrsado demais para que a sombra o deixasse enxergar o que realmente tinha acontecido com o tão temido Magneto.
Aliás... quando foi que começou a se importar tanto?
Talvez naquela dia, às 16:58 da tarde, assim que chegou naquele castelo.
Talvez sempre.
Mas não teve tempo para pensar a respeito. Divisou o magnetismo do pai entrar em ação, rápido e certeiro, como sempre.
E o que parou aos pés deles fez Pietro arregalar os olhos azuis como se buscasse uma confirmação de que aquilo era real...
E a encontrou, nos olhos do pai.
Um deslocamento de ar furioso, quase como se a super velocidade viesse de dentro de seu corpo, mas Magneto pode senti-la, deixando um espaço vazio ao seu lado e apenas o vento em seu rosto...
E, no quarto de milésimo seguinte, Mestre Mental foi levantado do chão por alguma coisa invisível e acertado no estômago por algum joelho super-hiper veloz. Sangue escorreria de sua boca... e o mais apavorador era que seria impossível um contra-ataque, uma vez que aquilo estava acontecendo mais rápido que a velocidade do pensamento concentrado do telepata, impedindo-o de manter o foco para usar seus poderes.

- Esperei...

Jason foi jogado novamente ao chão, com uma dor em seu rosto e um hematoma arroxeado se formando ali mesmo.

- Muito tempo...

Um outro golpe lhe atingiu, fazendo seu olho esquerdo lacrimejar e cegar pelo inchaço imediato.

- Por isso...

O homem foi jogado como um boneco de pano contra uma árvore grossa e velha que estava bem ali, logo ao lado, provocando uma dor absurda em sua coluna que tornaria difícil se manter de pé, mas ele se manteve.
Apenas porquê duas mãos de luvas agarraram o sobretudo sujo de lama e seus resíduos, apertando seu colarinho, sufocando-o e o mantendo a sua altura.
Pietro estava atracado com Jason como se fosse um animal feroz, sem controle, faminto e zangado.
Se fossem comparar as reputações, a maioria veria um bom e renomado Vingador fazendo seu trabalho para com bandidos...
Mas Magneto era parte do grupo de pessoas que podia ver além. Que podia recordar.
Daquele mesmo olhar semicerrado, furioso, cheio de cólera, há muito tempo atrás, mas dirigido contra os X-men, contra os Humanos e contra o próprio Mestre do Magnetismo.
Aquelas mãos fechadas com tanta força, do mesmo modo que sempre estavam quando Pietro vagava pela Casa da Irmandade...
A expressão sedenta de quem tinha prazer por ser malfeitor. Por ser um vilão, por se achar certo por isso...
Por ser um bandido pego por um Vingador.
Ainda era aquele Pietro. Aquele que bate primeiro e pergunta depois. Isso ele não deixara de ser.

- E eu poderia fazer isso por horas, e você sabe que eu posso fazer muitas coisas em horas.  

O cheiro de uísque no casaco de Jason não era tão forte quanto o que saía da boca de Pietro, que praticamente cuspia sem dó as palavras na cara do homem a sua frente.

- Há quanto tempo, Jason. Não é bom te ver. Você não mudou nada.- um dar de ombros puramente sarcástico da parte de Pietro.- Não como se eu esperasse o contrário.


Ele apertou ainda mais o colarinho de Jason, numa violência que sacudiu por completo o corpo do mutante baixinho e bigodudo. Mestre Mental estaria a ponto de perder a consciência por falta de oxigênio...

- Um gesto, um olhar que eu não goste, um pensamento a mais na minha cabeça e eu corto suas bolas fora antes de você saber em toda a sua vida pra quê elas servem! Oh, e meu pai vai me dar uma ajudinha.

Pietro o largou de uma vez, não se importando se ele cairia no chão ou não. Apenas uma ação necessária, que ele teve que se domar para fazê-la. Ele teria matado aquele homem ali mesmo, naquele instante, se não tivesse foco no objetivo principal...
Quando Pietro deu às costas a Jason, Magneto pode perceber: seu olhar era amargurado. Era o olhar do homem que sabia que ainda tinha muito em seu passado que não fora resolvido...
Era o olhar do homem preso em suas próprias raízes e que, se um dia se soltasse delas, seria da forma mais violenta e radical possível.
O homem que era o adolescente há alguns anos atrás.
Ao passar por Magneto, entretanto, Pietro lançou-lhe uma piscadinha para tentar dizer que "estava tudo bem".

- Eu vou ser rápido.- aquilo soou decidido, mas foi para Jason. Pietro suspirou profundamente, como se tomasse coragem para encará-lo novamente, e se voltou para o Mestre Mental.- Porque eu tenho lugares mais importantes para estar agora. Eu tenho uma filha esperando por mim bem longe daqui e você não vai estragar isso, Jason, não como vem tentado estragar há semanas!

No segundo seguinte, Pietro estava diante de Jason novamente, apontando sem escrúpulos o dedo em sua cara.

- Eu quero que você PARE com a babaquice! Chega de entrar na minha cabeça e me fazer enxergar coisas que não existem. Chega de falar no meu ouvido sobre como eu devia ser e o que eu devia fazer com a minha família! Você está com sorte, porque eu estou pedindo, seu monte de lixo podre! A minha vontade é quebrar seu pescoço e o problema vai estar mais do quê resolvido...
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Sab Out 31, 2015 2:15 am

"O tempo passa rápido."
Era o que diziam o mais velhos que muito já haviam vivido neste mundo, que muito sabiam sobre as estradas sinuosas que o destino poderia os levar.
O tempo era como apenas poeira sendo levada pelo vento, quando seus olhos piscarem, na fração de segundos a poeira terá sido levada e assim como ela o vento também haverá sumido, com isso sobrará apenas um espaço vazio e uma memória.
Esse espaço vazio vive pra sempre cravado em seus ossos.
Assim como Magneto poderia dizer que tudo passara realmente de forma veloz desde que iniciou seu percurso de ódio, o Clube do Inferno, a Irmandade, também poderia dizer que não passou um dia sem lembrar de tudo. Haviam muitos espaços vazios e memórias em sua mente.
"O tempo passa rápido."
Era o que sempre diziam quando, junto a Magnus, tocavam no assunto dos Campos de concentração. No fundo ele sabia que era verdade, tudo passara rápido o bastante para que o próprio Magneto se tornasse um dos velhos que insistiam naquela mesma expressão repetitiva.
Assim como o Tempo em si, aquele dia específico também se tornara incrivelmente curto, como se após a chegada de Pietro tudo começou a se tornara ainda mais veloz e agora lá estavam os dois Maximoff de cromossomos "XY" juntos e mais próximos do que já estiveram em tantos anos.
Era estranho? Certamente.
Porém não tão surpreendente e admirável quanto ver que Pietro, que um dia fora contido pelas mão odiosas de Magnus agora lhe segurar com tanto cuidado com mãos tão semelhantes as suas.
Magneto podia ver diante de seus olhos que após tantos anos anunciando a mudança de algo, só agora tal mudança realmente aconteceu...O mundo não precisava mudar, Magnus precisava.
"O Tempo passou rápido" O polonês dizia mentalmente ao perceber as rugas e linhas de expressão tão evidentes surgindo em seu rosto cada dia mais marcado, contando as vezes que sentira dores nas costas ou nas juntas e percebendo que finalmente seus cabelos brancos condiziam com sua idade. Ninguém pode escapar da mudança, escapar do seu próprio prazo de validade e Magneto sabia fundo em seu peito que nem o mestre do Magnetismo, o maior telepata do mundo ou até mesmo um velocista capaz de correr quase na velocidade da luz e transformar um segundo em uma hora poderia escapar da foice ceifadora do Tempo.
Assim como o assassino impiedoso se tornou um simples e generoso líder aquele jovem garoto inquieto e desobediente, sem ordens, sem regras e dono de si, havia se tornado um homem feito com suas próprias responsabilidades...Mas no fundo Magneto também sabia que o peso dessas responsabilidades nas costas de Pietro era maior, muito maior, que o peso de ombreiras douradas ou de sua capa rubra.
Quando tudo o que fazia companhia ao lado de Magneto se tornou apenas um vento que balançou a fita avermelhada em sua cintura assim como seus cabelos grisalhos, Um pensamento que por mais que o rejeitasse veio á sua mente com a mesma velocidade com a qual Pietro se tornou um vulto a guiar um corpo que, para a visão de quem não podia acompanhar sua super-velocidade, apenas se contorcia se elevando e voltando para o chão. Neste meio-tempo Erik pensou que após tantos anos, nunca havia realmente visto seu filho, nunca havia o visto como realmente é, não antes daquele dia e agora Magnus poderia pensar com um certo medo que esta real imagem de Mercúrio não é uma surpresa, pelo contrário, é mais familiar do que parece.
Era inegável que Pietro estava mais rápido do que nunca, mais forte, mais enfurecido. Pedaços amarronzados caíram do tronco da árvore que Mestre Mental fora arremessado, não demorou até que o olho acertado pelo velocista se tornasse roxo e ainda mais inchado. Todas aquelas ameças, força bruta e um repentino enforcamento simplesmente não condiziam com o Pietro que há pouco desejava se livrar de tudo que o ligasse á antigo e rude Magneto. Era como se algo que nunca deixou de estar lá, que apenas fora escondido, viesse á tona.
"Oh, e meu pai vai me dar uma ajudinha. "
Por mais que para o Mestre do Magnetismo ter um traidor dentro de sua casa fosse motivo o suficiente para executar o mutante bigodudo ali mesmo, não chegava perto de ser nem mesmo aceitável para aquele novo Magneto. Como num instinto, guiado por um susto que o fez arregalar os olhos azuis em direção aquela cena de violência explícita, Magnus deu um passo a frente com intenção de impedir que Pietro matasse Jason na sua frente mas antes mesmo que pudesse fazer algo tudo aquilo já havia se firmado, o corpo de Jason voltara ao chão e agora o velocista vinha na direção do pai, quando o piscar de olhos pode ser notado por Magneto...bem, aquilo não lhe fez mudar sua expressão de espanto mas se aquilo significava que Pietro tinha tudo sobre controle então Erik tinha razão em pensar que caso o filho estivesse decidido a matar Mestre Mental ele teria feito e não seria um velho mutante que o impediria.
Magneto realmente pensou em parar tudo aquilo, pedir desculpas para Jason, fazer as coisas do modo mais "Charles xavier" possível, porém...não justo não pensar na hipótese de Pietro realmente estar no controle e que aquela violência era justificada pela raiva ou apenas para pressionar o mutante ilusionista. Magneto deveria repreender Mercúrio mas dessa vez de uma forma muito mais complexa...como um pai.
"A minha vontade é quebrar seu pescoço e o problema vai estar mais do quê resolvido..."

- Já chega, Pietro! Já chega!~ Magneto dá passos curtos mas o bastante para colocar a mão no ombro de seu filho que há pouco apontava ferozmente o indicador no rosto do ilusionista e falar em seu ouvido como um sussurro.~ Eu disse que ninguém se machucaria aqui esta noite e...~ Os dizeres a seguir foram ditos de forma alta direcionados á Jason.~ ...por mais que ele mereça tudo isso...~ Magneto voltou a sussurrar.~ Você já o machucou o bastante.

- E-eu...Eu n-não...~Mestre Mental tentou falar mesmo estando no chão com uma dor estridente em quase todo o corpo, porém aquilo soou como apenas grunhidos dando espaço para linhas avermelhadas de sangue saírem de sua boca.

- Calado, Jason! Você já teve sorte demais por um dia, não me faça repensar minha opinião quanto a você! Poupe suas palavras porque é o que você tem a falar que está te mantendo consciente!~ Se antes o mutante no chão tinha o dedo de Pietro em seu rosto, agora tinha o de Magneto fazendo calar-se e voltar a se encolher, mas logo a atenção foi direcionada ao velocista novamente mas não com sussurros.~ E além disso, Filho, eu imagino que eu não seja o único que está interessado em saber o porque de Mestre Mental estar invadindo sua mente, quero saber o que ele planeja, estúpido do jeito que sempre foi não deve ter sido ideia dele começar com essas ilusões.

O pensar apressado de Pietro junto ao que aprendeu durante sua adolescência talvez não o ajudaram a pensar em outras hipóteses além da que o fez violentar Jason, o próprio pai não lhe ensinara algo melhor na verdade, "Dê uma surra nele e tudo ficará bem." era o máximo que Magnus poderia ter deixado quanto a resolver problemas como esse. Porém, as palavras de Mercúrio deixaram claro o qual frágil ficara quando tais ilusões criadas em sua mente se ligaram a sua família, família essa que era sua principal responsabilidade, ou pelo menos era o que parecia pois mesmo criando problemas com todos a sua volta...Magnus nunca havia o visto tão abalado. Por mais que Pietro estivesse mais rápido agora tais responsabilidades e medos lhe fizeram ficar mais lento, quase como vulnerável, assim como o próprio pai quando renunciou a si mesmo, quando renunciou a violência.
Não é saudável viver com ela, não é seguro viver sem.
Isso mantinha as coisas equilibradas, realmente era algo a bom a se pensar no momento...menos para Jason.

- Pietro...~ O par de olhos tão iguais aos do velocista o encaram como se fosse um cópia daquele mesmo piscar dado por ele há pouco tempo.~ Deixe-me fazer algumas perguntas á esse saco de Lixo e caso ele não tenha nada interessante a falar...eu prometo, será todo seu.
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Ter Nov 03, 2015 8:33 am

Por um segundo, nem seu cérebro super veloz pode processar algum motivo específico ou razão relevante para os alertas que Magneto começara a exclamar. Por que toda aquela preocupação com Jason? Por um longo segundo, isso foi incompreensível para Pietro.
Afinal, em sua mente, as memórias ruins relacionadas a Mestre Mental estavam intactas. O tempo podia passar rápido, rápido o suficiente para surpreender até Mercúrio, mas ele não era capaz de apagar cicatrizes de forma tal qual veloz... ou apenas Pietro era rancoroso demais.
Fosse o que fosse, toda a raiva que ele sempre guardou a respeito de Jason havia voltado à tona. Todas as vezes que ele trocaram porradaria na cozinha ou na varanda das mais variadas Casas da Irmandade, todas as vezes que o bate-boca terminou de forma violenta, todas as vezes que ele quis matar aquele homem com as próprias mãos e sempre fora impedido por isso.
A sensação frustrada retornou, como se algo estivesse empatando-o novamente - o mesmo algo: Magneto.
Era uma sensação um tanto ruim. Afinal, seu pai fora o mesmo homem e a mesma razão - única razão - para que Pietro tivesse que suportar dia a pós dia viver sob o mesmo teto que Jason. Era, por um lado, culpa de Magneto que Pietro guardasse tanto rancor em seu peito contra aquele homem - e talvez por mais algumas trocentas pessoas(que, é claro, guardavam o mesmo por ele).
Apesar de Pietro não pretender matar Jason naquele momento, sentiu que seu pai jamais o deixaria fazê-lo, de qualquer forma. Nem os Vingadores, nem o X-Factor...
Não soube distinguir se isso era algo bom ou ruim...
A morte de Jason seria um serviço público ao mundo, é claro, então definitivamente seria algo bom.
Mas Pietro consolava-se ao pensar que apenas não queria sujar o uniforme recém-confeccionado com o sangue de um canalha do nível de Jason.
Pietro encarou Magneto quando este se interpôs atrás de si, segurando seu ombro como quem puxa a coleira de um cachorro descontrolado. Seus olhos estavam semicerrados, como quem diz "por que diabos você está com pena desse traste?".
Ah, é claro...
"Genosha, a Terra de Paz".
Se Pietro tinha mesmo feito um acordo temporário com Magneto e agora estava-o chamando de pai, então ele tinha que aprender que algumas coisas mudaram; por exemplo o fato das palavras e slogans daquele Magneto não serem uma farsa, mentira ou plano sujo.
Seria algo que Mercúrio teria que se acostumar.

- Nada é "o bastante" para esse cara. Você sabe que ele não aprende.- Pietro dando lição de moral? Bem, Jason era um dos únicos homens num patamar ainda mais baixo do quê Mercúrio um dia já foi - então ele se achava no direito de fazê-lo.- Mas tudo bem, então. Se ele não está sozinho nessa, vai nos dizer absolutamente tudo. E é melhor não gaguejar...- aquela última frase foi direcionada a Jason, num olhar gelado e cruel de Mercúrio que poderia fazer Mestre Mental tremer só de encará-lo.

Depois de cuspir no chão, molhando um canto bem próximo das mãos de Jason, Pietro se levantou logo a seguir, respirando fundo novamente. Havia algo dentro de si. Algo que estava despertando lentamente desde que chegara em Genosha, desde que vira seu pai e ainda mais agora, naquela situação.
Algo como uma nostalgia que tem vontade própria. Não saberia explicar melhor do quê isso.

- Sim, pai?- sua voz saiu controlada quando ouviu o chamado... mas isso durou tão pouco quanto a paciência de um velocista:- O quê?! Quer fazer algumas perguntas a ele, sozinho? Eu estava tentando resolver isso logo, pai, eu só quero descobrir o que está acontecendo, eu deveria...

Um suspiro. De novo.

- Tá... entendi.- ele cruzou os braços, deu meia volta e se recostou a uma árvore que estava do outro lado, de frente para Jason, há alguns metros de Magneto.- Mas eu vou ficar e ouvir, certo? Só...

Ele desviou o olhar, divisando as tochas lá longe se mexerem, ainda próximas do castelo.

- Tente ser rápido, pai. Estou confiando em você.
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   Ter Nov 10, 2015 2:32 am

Lembrar.
Era uma das poucas coisas que Erik poderia fazer trancafiado pela própria vontade de tornar aquela pequena ilha um real lar de paz.
Em parte, Charles Xavier teve culpa para que Magneto se tornasse aquele bom homem, pelo menos aos olhos dos genoshianos, mas nem mesmo isso ele tinha certeza se ainda era capaz de ser. O exílio do resto do mundo o fez se afastar de todos os pertinentes problemas que Pietro chamara de “Mundo real” outrora, Magnus não sabia exatamente como estava a condição dos mutantes nas grandes cidades mas isso o fez se se manter distante de tudo o que um dia lhe fez ser o monstro que perturba a mente de seu filho...porém como uma maldição dos Maximoff, tais antigos demônios sempre acabam voltando e transformando o que seria uma noite pacata em uma linha frágil entre controle e loucura.
Seria muito fácil tirar a vida de Jason, isso acabaria com os problemas de Pietro afinal era aquele verme que estava beliscando sua mente, mas Magneto sabia que diferente dos mutantes manipuladores de metais os telepatas eram muito mais comuns de se encontrar e exatamente por isso tinha quase certeza que matar Jason não traria paz á Mercúrio, não seria difícil que o possível mandante do ataque mental ao velocista achasse outro capanga que entendesse de cérebros...e Magneto odeia esse tipo de trabalho sujo.

"Nada é "o bastante" para esse cara."

“Nada é “o bastante” para você, Erik?”

“Nada é “o bastante” para ele, Wanda.”

Lembrar.
Ainda era o que Magneto fazia, toda vez que as mais semelhantes frases entravam seus ouvidos, suas lembranças foram tão bagunçadas que não era difícil recordar de um turbilhão de vezes que cenas ou palavras se repetiram no passado, era um tipo de mecanismo de lembrança implantado por Charles mas nem sempre funcionava dessa forma.
Como numa resposta ás lembranças, a mão direita de Magnus começa a tremer assim como em seu palácio mais cedo mas num olhar rápido ao perceber tal movimento involuntário ele a põe para trás num tentativa de escondê-la dos olhos do filho.

- Eu sei, meu filho.~ Aquelas últimas palavras soaram enfatizadas para que Pietro lembrasse que Magnus estava no seu time agora.~ Mas ele não precisará aprender nada além do que ele já sabe, você irá nos contar tudo...não é mesmo Jason?

Aquilo foi absolutamente direcionado a Jason como se a frase realmente significasse: “Faça um favor a si mesmo e conte logo tudo.”
Todos aqueles olhares, os pares de olhos azuis de Magneto e Pietro, ameaçando e julgando Mestre Mental, lhe adentrando até a alma como se fossem olhos de predadores que observam sua presa se debater antes de devorá-la...foi exatamente isso que Magneto pensou ao olhar aquele homem que vez ou outra se engasgava com o sangue em sua boca. Por alguma razão a cabeça de Erik começara a doer quase no momento exato que começara a falar e provavelmente pela mesma razão que o pensamento de “Não machucar alguém em Genosha.” estava sumindo. Por mais que suas palavras tivessem distanciado Pietro do ilusionista Jason não se sentiria menos do que completamente assustado.

- Eu sei o que estava tentando fazer Pietro...~ Aquilo talvez tenha soado como uma acusação e talvez tenha sido mesmo.~... mas isso não resolveria tudo e...~ A saliva sai da boca de Mercúrio e acerta o chão mais rápido que um cuspe comum, não eram apenas as piadas foras de hora mas também sua arrogância não havia ido embora.~...nem sempre sua pressa cai bem.

Magneto sabia que Mercúrio não aceitaria tão bem aquele pedido, ainda mais após ver aquela demonstração de ódio que há pouco Pietro dera. Por mais que estivesses os dois em equipe era quase inevitável alguns conflitos mas no fundo da mente de Erik ele pensava que se Pietro esquecera o que Genosha significava e espancou Jason, então não seria impossível esquecer que Magneto era seu pai...Erik deveria tomar mais cuidado.

- Eu só quis dizer que...eu só...~ Algumas vezes Magneto esquecia que não eram apenas os pés de Pietro que eram rápidos mas até mesmo seus pensamentos eram incrivelmente velozes, e como era de praxe, praticamente deu seu parecer sobre o pedido de Magnus antes mesmo que ele pudesse se explicar.~ Oh...tudo bem, você pode ficar Pietro...~ As sobrancelhas de Magnus se levantaram enquanto seus olhos azuis demonstraram uma certa surpresa com as condições tão rapidamente estabelecidas.~...eu só não quero dar mais uma razão para o povo de Genosha querer um impeachment de seu líder.~ Magneto dá alguns passo na direção de Jason mas logo olha para trás como numa tentativa de novamente manter a confiança de seu filho.~ E filho...Eu fico feliz que esteja confiando em mim.

- T-tão comovente...~ Um cuspida avermelhada deixa um fino rastro nos lábios do ilusionista.

- Você acha, Jason? ~ Magneto se aproxima lentamente e se abaixa de modo que Pietro possa vê-lo assim como a Mestre Mental.

- E-eu? É claro, Magneto...Você e Pietro juntos...não sei se seria melhor usar a palavra “Trágico”. ~ Magneto não saberia dizer se Jason era muito corajoso ou burro por estar falando daquele jeito mas controlou qualquer ação muito brusca.

- E eu acho que você devia pensar mais antes de abrir sua boca imunda já que serão suas palavras que dirão seu destino aqui. Vamos, Jason! Não vê o quanto estamos cheios disso? O Tempo de brincar já passou! A Irmandade se foi há anos!~ Magnus segura a mão direita de Jason entre as suas numa tentativa de ganhar a sinceridade do homem alí jogado.~ Sem mais jogos, agora vai me dizer quem lhe mandou, certo?

- O tempo de brincar já passou? Então o que diabos Pietro está fazendo aqui? Não estou entendo mais nada! Do que diabos vocês estão falando? Eu não tenho nada haver com essas crises de meia idade que o novo pai de família tá sofrendo!

Magnus quase que imediatamente se virou esticando o palmo para Pietro, como um pedido para que continuasse onde estava. Talvez não estivesse certo mas previra que talvez Pietro quisesse dar uma segunda dose de seus punhos agora.

- Então por que diabos estava fugindo, seu rato? Não me faça te devolver para as mãos de Pietro sem ter ao menos uma resposta decente! Só me diga quem...~ Suor começa a descer em gotas salgadas pela testa de Erik, suas mãos cada vez mais apertam a de Jason que provavelmente começa a sentir uma leve dor em seus dedos enquanto o coração de Magneto acelera quase como uma máquina guiada pela raiva que assim como uma chama leve se iniciava em seu peito.~ QUEM TE MANDOU AQUI?!?~ O grito de Magneto ecoou pela mata que já não parecia tão densa quanto antes para sua voz.

- DE QUE MERDA CE TÁ FALANDO, VELHOTE? A MÍSTICA FALOU QUE ISSO ERA TUDO TEATRINHO, MAS QUE PORRA QUE TU TOMOU? ~ Uma risada cínica se inicia no rosto de Jason enquanto seus olhos se arregalam e se focam fortemente em Magneto.~ Eu devia ter ouvido o Groxo e os outros, você ficou louco mesmo! Completamente pirado! Cê não pode mais me dar ordens, eu não trabalho mais pra você seu maluco! Ce trocou o mundo lá fora pra ficar aqui dentro de pantufas vendo o sol se por como se nada te incomodasse mais, ce tá virando um filhinho de papai que nem esse ligeirinho aí! Eu devia ter...

Os olhos de Magneto se travam como se estivesse tentando manter sua própria mente calma, seu olho direito começa a tremer assim como suas mãos que permanecem presas ás de Jason como uma armadilha de urso. Sem expressão alguma o rosto de Erik começa a se banhar com o suor que escorrega freneticamente pelo seu cenho, seu coração galopeia rapidamente numa batida que ele próprio pode ouvir e antes que Mestre mental terminasse a frase Erik faz com que sua voz novamente traga o silêncio aquela mata.

- CALADO, JASON! OU EU JURO QUE LHE PARTO AO MEIO!

Silêncio...e apenas isso até que aquela risada cínica da parte de Mestre Mental voltou com um avermelhado nos dentes e um soluço acompanhado de uma arrogância de quem já não tinha mais nada a perder.

- O que? Sério? ~ Os dentes de Jason deixavam ainda mais evidente aquela maldita risada que por anos deve ter torturado os ouvidos de Pietro e agora não era nada além que um inferno para Magneto.~ Cê tá louco mesmo! ~ Repentinamente Jason aproxima-se mais de Erik se esticando no chão e sussurra como se tivesse intenção de fazer apenas Magneto ouvi-lo.~ Qualé, Chefe! O senhor não acha que isso tá indo muito longe? Tá fazendo isso tudo só pra matar esse fedelho de merda? Seria bem mais fácil se você só...

Como quem recebe uma martelada, os dizeres de Jason são interrompidos por um suco entre o nariz e os dentes de cima fazendo-o deitar-se completamente ao chão. Lentamente os olhos de Magnus percorrem a própria mão suja de sangue que assim como antes, treme, porém mais fortemente. Provavelmente Pietro ou Mestre Mental, ou até mesmo Mística que ouvia a conversa desde o início pelo comunicador perdido na mata esperavam um novo berro vindo do mestre do magnetismo mas...Erik apenas se ergueu calmamente. Sua mão direita treme como se segurasse um animal que tenta fugir. Magneto cruza os braços e fixa os olhos na imagem deplorável e fétida do homem aos seus pés não mais como um predador mas com pena do maldito ilusionista.

- Longe demais, Jason. ~ A voz era branda como se falasse sem pressa ou ira.~ É exatamente onde você foi, longe demais. Eu t-tentei...~ Uma leve dor nas têmporas começa a incomodar o velho ditador que por sua vez não demonstra tal incômodo.~...Tentei fazer do jeito certo! Mas nada é o bastante pra você!~ Magnus agora põe a mão trêmula em seu rosto e sussurra, mas talvez não baixo o bastante.~ Você viu, Charles, viu como eu tentei. Mas você, seu verme...! ~ Erik retira a mão trêmula do rosto e aponta para Jason de como que com o magnetismo, o faz levitar até que seus pés deixem de tocar o chão.~ Você me veio a minha casa...

- Magneto, por favor! O que você está fazendo? É tudo um plano, a Mística falou, eu juro!~ A voz daquele homem perdera toda a prepotência e agora mostrava claramente desespero. Se os pensamentos mais obscuros de Magneto estiverem certos...Mercúrio não sentirá pena, assim como o pai.

- Você mentiu para mim, Jason...~ O corpo de Mestre Mental flutua cada vez mais alto enquanto a voz de Magneto se torna cada vez mais grave.

- VOCÊ NÃO ESTÁ OUVINDO? ME DESÇA, MAGNETO! ME DESCE, CARA!~ Os gritos de Mestre Mental se tornam estridentes enquanto seu olhar se move em direção ás luzes amareladas das tocas a reluzirem no castelo.

- Você bagunçou a mente do meu filho...~ Sem nenhuma expressão, era assim que Magneto estava, como não ficava há anos desde que deixara de ser o tão temido assassino.

- VOCÊ TÁ LOUCO! ME SOLTA!~ O olhar apavorado de Jason se esvai para uma nova direção, se prendendo ao rosto de Mercúrio que estava logo atrás de Magneto enquanto o desepero se torna mais visível.~ Pietro...Cara, me ajuda! Pelos velhos tempos quando...~Mas novamente é impedido de terminar seus dizeres, tudo indicava que Jason estava na pior situação possível...nas mãos dos Maximoff.

- VOCÊ OUSOU DETURBAR MINHA FAMÍLIA!~ Os braços e pernas de Mestre Mental foram esticados tornando-o algo semelhante á um pentagrama no ar, suas juntas estalaram com a força com que foi esticado, mas infelizmente isso não o fez calar a boca.

- MERDA, MERDA!~ O desespero se tornou dor numa fração de segundos...ou teria demorado mais para Pietro?~ EU DEVIA TER BAGUNÇADO A SUA CABEÇA...NÃO! EU DEVIA TER MANIPULADO A MENTE DA SUA FILHA, SEU VELHOTE! CE VIVIA TRANCAFIADO NAQUELE MALDITO QUARTO QUE NÃO FAZIA IDEIA DO QUE ROLAVA EMBAIXO DO SEU NARIZ! EU DEVIA TER ENTRADO MAIS VEZES NA CABEÇA DA FEITICEIRA, CE NÃO IMAGINA NO QUE ELA PENSA QUANDO TÁ NO BANHO!

A maldita risada.
Aquela maldita voz.
Todas aquelas brigas que um dia Magneto teve de separar presando pela vida de Mestre Mental quando estavam na irmandade...todas as vezes que Magnus interviu.
Não tinha como dizer o quanto se arrependera agora.
As juntas dos dedos do polonês ardem como se postas em brasa, seu cenho se torna rubro com uma enxaqueca que o atacara quase de imediato após esticar os membros de Jason.
O suor banha seu rosto, seu coração bate tão rápido quanto o de Pietro quanto está calmo.
A dor aumenta, o calor aumenta, a dor aumenta, o ódio aumenta...a paz acaba em Genosha.
Tudo isso se passara por dentro da mente de Magnus como se o tempo houvesse parado ao seu redor.

“Encontre o caminho, Erik”

“É tarde agora, Charles, eu não quero mais um maldito telepata em minha mente!~ Magnus sussurra enquanto balança fortemente a cabeça~ VÁ EMBORA!”

“Eu não posso. É para seu próprio bem, velho amigo.”

“ Quer me fazer bem? VÁ PARA O INFERNO!”

Aquele grito ecoou pela mente de Magnus que agora mais se assemelhava á um quarto grande e vazio.
Foi um grito apenas audível para si e para o telepata em sua mente mas nem mesmo Erik saberia aonde aquilo o levaria.
Assim como a poeira do tempo sob o vento, a dor na cabeça de Erik se foi.
É como quando alguém retira um caco de vidro do calcanhar.
Ou como quando se tira os sapatos após andar por longas distâncias.
Após tantos anos de medo e resistência, conflitos e guerras, era possível que Charles Xavier houvesse saído da mente de Erik?
Nem mesmo ele sabia ao certo, mas sabia que pela primeira vez em anos, ele se vira livre.
Algo havia retornado.

- Pietro...~ Magneto falou sem olhar para trás com uma voz fria e quase sem mudanças de tom, Mestre mental agora tinha seus membros superiores e inferiores esticados no ar ao máximo como se Magneto estivesse vendo até onde aqueles ossos aguentavam, porém ainda mais calmo, Magnus nem ao menos gaguejou ao erguer Jason mais alto por uma última vez.~...mate esse porco!
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MensagemAssunto: Re: GENOSHA (África do Sul)   

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GENOSHA (África do Sul)
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