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 Life is a Joke

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Nathan J. Prescott

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Data de inscrição : 17/11/2015
Localização : Instituto Xavier para Jovens Super Dotados

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MensagemAssunto: Life is a Joke    Qui Nov 19, 2015 8:39 am

Sua voz era inexistente.
Ele tentava falar, mas nada saía. Era como se soubesse o que dizer, mas não soubesse como. Era como se conhecesse a razão, mas não as palavras.
Por isso, só lembrou de ter saído correndo. Suas pernas eram frágeis demais, então ele teve que engatinhar metade do percurso até o armário roído por cupins. Deixou um rastro de tinta de praticamente todas as cores atrás de si. Seus dedos dos pezinhos minúsculos estavam completamente pegajosos de guache e olhar para eles era motivo de alegria até alguns minutos atrás. Mas não mais.
Tudo o que ele podia ver de dentro do armário eram sombras. As vozes esbravejantes e desafinadas ecoavam por dentro da madeira, fazendo o velho armário ranger como se também tivesse medo, tanto medo quanto o pequenino de cabeça dourada que estava nele escondido, observando tudo de um ângulo muito mais baixo que todo o resto.
Estava tudo um caos, um caos que o pequeno não entendia o motivo. Ele não lembrava de se ter dedos tão pequenos. Ele não lembrava de ter o corpo de um bebê de no máximo dois anos. Não estava familiarizado em ser alguns metros menor do quê se lembrava de sempre ter sido.
Mas, com todo o resto; os móveis, o cheiro da madeira úmida. Os gritos, a tinta. O medo. Esse especialmente. Ele se familiarizava extremamente com esse medo. Mesmo que tivesse a mente de um adolescente e soubesse disso, seu corpo era limitado ao de um bebê. Mas seu medo era o mesmo. Como se estivesse preso numa lembrança... até que ela se partiu.
Toda a sua linha de pensamento foi cortada. Tudo com apenas um grito:

"VOCÊ NÃO ME DIZ O QUE FAZER!" - uma voz masculina. Descontrolada, feroz... ameaçadora.

Algo que ele não soube distinguir brilhou contra o lustre de luz da sala de estar. E, logo depois, o silêncio.
O armário parou de ranger. O garotinho também prendeu a respiração. Ele sentiu sua respiração parar, assustado.
Estava tudo muito borrado em sua visão. Estava tudo muito borrado em sua mente. Por um porquê que ele desconhecia, ele não conseguia ver nada além de um líquido vermelho consumindo o rastro de tinta no chão à beira do armário...
E, logo depois, uma sombra grotesca de um homem tomou conta à sua frente.

"O que nós vamos fazer com ela agora, filho?"

— Não...- ele jurou que disse aquilo, mas, durante aquele sonho lúcido, nenhum som se formou da boca do pequenino. Ele continuou tentando dizer. Mas nada aquela sombra parecia ouvir. Sua própria boca não lhe obedecia, como se não soubesse pronunciar aquela única palavra.

" Exatamente..."

Não...

"Na parede..."

NÃÃÃO!! — dessa vez sim. Dessa vez ele pode ouvir sua própria voz. Dessa vez ele sentiu a garganta arder tamanho fora o grito e apenas dessa vez ele sentiu os pulmões doerem enquanto ele bradava aquilo, com uma voz desafinada e que embargou no fim.

No fim, ele pode sentir tudo.
O frio, por mais que seu aquecedor da melhor marca no mercado estivesse ligado e funcionando dentro do quarto.  O suor gélido que encharcava as costas de sua blusa preta em gola V de pijama, suor este que se espalhava para o edredom azul escuro de algodão da cama e empapava seu rosto, colando fios de cabelo em sua testa. Podia sentir o palpitar de seu coração, o peito doendo. A respiração descontrolada, a garganta seca e os olhos ardendo. Ele os piscou diversas vezes ao mesmo tempo que se erguia da cama num espasmo, sobressaltando-se para sentar-se sobre o colchão. Tentava controlar a respiração ao mesmo tempo que salivava para umedecer a garganta.
Não ia adiantar, ele não ia conseguir sozinho. Era sempre assim, sempre assim. De relance, ele divisou o relógio despertador em sua cabeceira polida e envernizada. Marcavam-se 6:38amem números vermelhos e digitais.   Talvez pelas grossas cortinas completamente fechadas ele não poderia distinguir o horário sozinho. Mas isso não importou. Foi uma confirmação que só induziu-o ainda mais a esticar os braços gelados, abrindo a primeira gaveta da cabeceira com um desespero descomunal. Ele revirou papéis, camisinhas, cartuchos de impressora, um anel de ouro 24 quilates e até atirou fora um papel de Anotação Escolar como advertência por fumar dentro da propriedade da faculdade. No fim, encontrou o que de fato era mais importante que tudo aquilo junto. Era um frasco laranja transparente, cheio de comprimidos esbranquiçados em capsulas. Ele sequer precisava ler o nome. Simplesmente arrancou-lhe a tampa e despejou dois comprimidos no palmo de sua mão, e os levou até a boca, agarrando uma garrafa térmica d'água que já parecia estar preparada para a guerra em cima da mesinha.
Os comprimidos rasgaram sua garganta seca, mas desceram. Ele largou o frasco laranja no chão, buscando deitar-se na cama e fechar os olhos...

Saia da minha cabeça!— ele sussurrou aquilo.

Ele tinha pouco tempo.

Saia, seu fodido de merda!— ele rosnou aquilo.

Ele ainda estava tremendo.

Eu vou matar você...!— ele choramingou.

Ele ainda estava com medo. Não era o suficiente.
No que pareceu um ataque de pânico, ele se levantou novamente. Ajoelhou-se ao lado da cama, sobre o carpete macio de camurça. Inclinou-se o suficiente para deixar suas mãos alcançarem algo de debaixo da cama e o puxou dali. Era uma caixa, quase um cofre particular.
"Toque e você morre, filho da puta."- estava displicentemente escrito perto da tranca giratória cheia de números. Ele girou duas vezes para a direita, parando no número 8. Duas vezes para a esquerda, parando no número 2. Deu uma volta inteira, duas vezes, parando as duas no número 0. Num click, a caixa se destrancou. Lá dentro, uma agulha franzina brilhou com a luz do abajur na escrivaninha ao longe. Encaixada perfeitamente na finíssima seringa, a qual guardava um líquido amarelo preenchendo completamente sua dosagem, ele pinçou também um fio borrachudo e elástico.
A aplicação foi fácil.
Ele só teve tempo de guardar tudo, esconder novamente debaixo da cama e então deitar-se sobre o edredom suado.

Eu vou matar você... — com um suspiro aliviado, ele deitou-se sob o travesseiro e agarrou fones de ouvido que estavam plugados a um porta-fitas sobre a cabeceira.
"Sons de baleias", era o que estava escrito em letras neons azuis.
Concentrando-se nos estrépitos longos que ouvia, na sonoridade do eco e do canto daquele mamífero, a dormência veio tomando seu corpo a medida que viajava por suas veias. Em segundos, o medo estava indo embora, sendo substituído por um conforto artificial e ardente.
Estava fazendo efeito.


--------------------------- X ------------------------

O despertador chamava pela terceira vez. Ele deveria estar pronto às oito para a primeira aula, mas já eram 8:15 e ele ainda estava na cama. Tudo bem, era apenas a aula de Ciência Química. Ele a detestava, de qualquer forma, apenas por ter que ouvir debates entre o nerd Graham e o professor Grant discutindo coisas que ele sequer entendia, nem fazia questão de entender.  

Isso que é um GG fodido. — ele disse, quando se ergueu da cama, finalmente naquele dia.
Ao menos estava menos suado. Estava um dia frio lá fora, o que era estranho para Arcadia Bay, uma cidade de clima tropical e agradável, com o céu sempre azul e laranja. Esse especialmente estava nublado plena manhã, na realidade, assim como tinha estado durante quase a semana inteira, mas Nathan só realmente perceberia isso quando saísse lá fora. Ele quase nunca abria as cortinas de seu quarto.
Tinha que se preparar. Sua cabeça ainda estava zonza, sentia-se meio dopado, meio preguiçoso e estava tendo pensamentos estranhos.
Mais um dia normal.
Ele espreguiçou-se, a cueca boxer vermelha e a blusa preta apenas a cobrirem-lhe o corpo. Depois de desligar o aquecedor do quarto, foi até um aparelho de som e apenas apertou-lhe um dos botões. Quando uma música começou dali, luzes neon no aparelho dançavam em uma coreografia programada pelas ondas mais vibrantes da música.


Não poderia-se dizer do tipo que bate com a letra e o sentimento da voz. Era simplesmente a que estava na playlist da última vez que ele desligou aquele aparelho.
Ao se afastar da cômoda, quase tropeçou sobre o frasco de remédios que havia deixado cair na madrugada e mais uma mistura de coisas ao pé de sua cama. Ele mal se lembrava de ter tomado aquilo tudo nos últimos dias, mas tinha. Apenas tinha a desculpa para ter usado a heroína. Ele tentara, mas nenhum desses remédios funcionara antes. Talvez apenas o champanhe caro e com grande teor alcoólico tenha servido de alguma coisa, mas ele já estava no fim.
Ao dar meia volta, reparou de relance nos posteres espalhados pelo quarto. Qualquer um que entrasse ali pensaria que ele era um sádico nato - mas o fato é que nenhum dos alunos precisava invadir o quarto de Nathan Prescott para ter certeza disso. Fotos de garotas amarradas usando meias-calças, corpetes e coleiras. Não havia algo realmente fora do comum, havia? Ele apenas claramente tinha esse fetiche.


Ao lado da cama, apenas a cômoda e algumas caixas de sabe-se-lá-o-quê empilhadas. Do outro lado, o guarda roupa branco com listras vermelhas e, depois deste, uma estante completamente lotada de DVD's. Tinha de tudo ali, talvez não fosse possível descrever a variedade de coisas, mas poderia-se afirmar que poucos deles tinham a ver com a escola. A maioria se classificava em filmes de um padrão obscuro; terror, horror, trash e Serial Killers poderiam ser os nomes mais citados ali.


Haviam três porta-retratos nessa mesma estante, em espaços perfeitamente emoldurados para eles, com luzes vermelhas que fluoresciam nas imagens como mágica, revelando nada mais do quê mais mulheres pousando como se fossem escravas sexuais. Essas com algemas, chicotes e uma clara expressão chorosa, assustada. Talvez ele sonhasse em torturar submissos daquela forma... talvez até mais.


Sob o pé da estante, jogado como se fosse nada, apenas um recibo de compra juntamente com um manual de instruções... de uma pistola calibre 9mm.


Logo ao lado, apenas a mesa do computador. Talvez já fosse de se esperar que dentro daquele quarto aquele monitor fosse da marca mais em alta no mercado, com quase o tamanho de uma televisão pequena em LCD. Em seu tamanho, de longe era possível perceber que sua caixa de e-mails estava aberta. Mas não havia nenhuma nova mensagem no momento. Ele apenas deixara o e-mail aberto ontem antes de ir dormir para mandar uma mensagem que ainda estava na tela.


"Qualé
Para: Victoria Chase
De: Nathan Prescott

Hey linda, deixe-me saber o que você vai usar na festa do Vortex hoje pra que eu possa usar algo tão stylin e caro. Eu tô muito empolgado pra ir e tô pegando favores bem caros. Eu mesmo disse ao meu pai para manter os policiais de Blackwell longe, então nós podemos ficar bêbados sem complicações. Se vamos ter um tema como fim do mundo durante toda a semana de festas, então vamos botar essa porra no ponto logo no primeiro dia, certo?"


Logo ao lado do PC, um outro porta-retrato. Esse menor e mais tradicional. Parecia antigo, mas ainda era colorido e tinha uma boa moldura. Na foto, um pai de família perfeitamente tradicional e exemplar, com ternos para negócios e com um sorriso que, apesar de ser sorriso, ainda parecia meio sério.
Ao lado dele, um garotinho de cabeça dourada, com roupinhas de marinheiro, com o nariz vermelho de tanto espernear e chorar.


Nathan não admitiria, mas as coisas não tinham realmente mudado... exceto pelo fato dele ter queimado aquela roupa logo depois que a foto foi tirada.
Deu de ombros. Ainda definitivamente drogado, ele trancou-se no banheiro afim de um banho quente para aliviar - ou tirar - o restante de lombra que havia encrustada em suas veias. Foi rápido, apenas para se ver livre do corpo grudando pelo suor e das olheiras desidratadas. Depois de escovar os dentes e se aprontar em sua rotina matinal, ele apenas vestiu-se como usualmente. Uma blusa preta, um colete social branco por cima desta e uma jaqueta vermelha com amarelo no estilo Jock para finalizar. Calças jeans pretas e sapatos caros sociais cor-de-vinho. Depois de pentear o cabelo loiro-mel e moldá-lo para trás com gel aromatizado, ele estava pronto. Seus olhos azuis rodeados por restos de olheiras avermelhadas encararam o espelho e ele suspirou. Estava melhor, o suficiente para andar por aí sem levantar suspeitas. Outra noite de merda. Isso também fazia parte da rotina.
Um barulho vindo do computador chamou-lhe a atenção e ele foi até este para verificar.
Um novo e-mail. Clicou sobre ele.

"Tome cuidado
De: Sean Prescott
Para: Nathan Prescott

Nate, eu sei que isso tem sido uma semana estressante e eu e sua mãe estamos aqui para lhe falar o necessário. Depois de todas as anotações que o diretor tem feito sobre você, uma suspensão está cada vez mais eminente. Agora com esta semana de festas que você vai usar para relaxar, nós, como pais responsáveis, alertamos antes que seja tarde: basta fazer uma consulta a qualquer hora. Sua mãe quer Doutor Bill para lhe consultar todos os dias da semana, seja antes ou depois das suas aulas de fotografia e vamos firmar suas prescrições médicas mais rigorosamente. Sabe que mandei suas caixas de Diazepam, Sal de Lítio, Fluoxetina e Clozapina. Não deixe de tomá-los todos dias após suas refeições e o acordar. A sua dosagem foi aumentada de 25 gramas para um comprimido inteiro de cada.

Não me entenda mal, eu apenas preciso de você calmo e tranquilo enquanto nosso trabalho-preto-e-branco está sendo desenvolvido. Eu sei que ser um Prescott é um peso fardo e eu vou guiá-lo para este quarto passo-a-passo como fez o meu pai. Isto foi difícil para mim, quando meu pai abriu meus olhos para o nosso destino, mas um dia você vai me agradecer por isso. Esta cidade de merda vai ter um enema com uma nova marca. Eu falei com o Diretor Wells e ele reaverá as acusações que os professores fizeram contra você. Ah, você sabe que ele verá, pois não pode a Academia não pode ficar sem as doações dos Prescotts. Espere um e-mail dele pedindo desculpas, certo?
Eu quero que você esteja pronto para assumir isso no momento certo. Deixe J guiar você.

Não estrague tudo, filho.
Seu pai. "


Você deve estar brincando comigo, hoh?— aquilo foi sarcástico, como quem não acredita no que acabou de ler.— Quer me comprar com uma boa notícia depois de me dopar de novo? Não, papaizão, eu não vou pegar suas pílulas, vai se foder. Essa semana vai ser para festa e as únicas drogas que eu vou usar são as que me deixam alto e excitado, não impotente.  

Ele deu um soco na mesa, sacudindo a escrivaninha ao ponto do retrato de pai e filho balançar, mas não cair.
Ele realmente queria fazer as coisas certo. Há muito ele estava desesperado para fazer jus ao certificado que tinha pregado na parede de entrada do quarto, com a assinatura de seu pai Sean Prescott, afirmando que "Nathan é oficialmente o melhor filho do mundo" e com vários pontos de exclamações nessa frase. Ele sempre quis ser um orgulho de Prescott para o pai. Era assim que devia ser, certo?


Mas as drogas... eram uma droga.
Pensar cada vez mais nisso lhe dava ânsia, mas, no fim, ele sabia que, acabaria por tomar aqueles remedios e foi o que ele fez. Depois de abrir as caixas de correio no canto do qusrto, ele levou as caixas com tarja preta para o banheiro junto com o restante da garrafa de champanhe. Ele tomou aquelas pílulas como se fosse um cachorrinho sendo vacinado.
Sentia-se mal se não tomasse e se tomasse; havia algum remédio para isso?
Apostou que seu pai não saberia responder.
Nathan deu meia volta, aproximando-se do estofado preto próximo a saída do quarto e o arrastando para frente, provocando arranhões no chão - alguns que já estavam ali faz algum tempo. De trás do sofá ele arrancou um pacote preso por fitas adesivas e do pacote retirou um aparelho celular. Pondo o sofá novamente no lugar certo, foi até a estante e agarrou uma câmera fotográfica muito maior que as comuns, completamente profissional. Ele iria precisar dela para a aula de fotografia mais tarde.


Chutando algum livro de psicologia especialista em "Guia de pais para raiva incontrolável na adolescência", ele retirou-se do quarto, deixando para trás um projetor de alta tecnologia que acionou-se sozinho quando Nathan apenas passou por este; começou a mostrar imagem aleatórias projetadas na parede do quarto de frente para a cama; locais escuros, bibliotecas e escadas - tal qual o aparelho sonoro desligara sozinho quando a porta foi aberta.
Trancando a porta ao passar para o corredor do lado de fora do Dormitório Masculino do colegial sênior de Blackwell Academy.

Todos os garotos que estavam ali olharam para Nathan, e todos fizeram exatamente o mesmo movimento, como se ensaiassem a vida toda para isso: franziram o cenho, olharam o garoto de cima a baixo, mexeram a cabeça em negação e depois fingiram que o Prescott não estava ali.
Enquanto trancava a porta, Nathan sequer percebeu isso. Ele deveria estar ocupado demais na pequena ilusão de olhar o pequenino quadro negro de notícias que todas as portas de dormitórios possuíam e simplesmente ler aquela frase várias vezes até ela entrar bem ao fundo de sua cabeça:


Sim. Eles dominavam a cidade. Tinha que acreditar que estava incluído nisso.

Depois de sair pelo campus, não demorou que encontrasse uma das pessoas favoritas dali. Talvez a única.
Debaixo de um céu meio cinzento, onde os primeiros raios de sol finalmente começavam a brilhar, ele divisou a imagem de uma garota loira de cabelos curtíssimos, olhos castanhos e roupas caras... roupas cobertas de tinta amarela.

Hey, Vic. Que porra de bom dia. Que diabos aconteceu com você?

Hello-ô! Tem tinta até nos meus cílios e provavelmente no meu ouvido, não consigo te ouvir.— seu sarcasmo foi quase palpável.— Na verdade não acredito que está perguntando. Por que não corre aqui e me ajuda a me limpar?

Porque ninguém me diz o que fazer.

Eles se encararam por um segundo, a garota, Victoria Chase, aparentemente confusa por um instante... até que Nathan explicou tudo:

Brincadeira.— apenas para ela, é claro.— Vem, vamos até o banheiro, expulsamos quem estiver lá. Me explica isso no caminho.  

Eles demoraram menos do que deveriam. A tinta ainda estava fresca - pelo visto, o novo anúncio nas paredes de Blackwell não fora bem recebido por Victoria, pois um balde de tinta da reforma simplesmente caíra sobre sua cabeça por descuidado do pedreiro.

Ele estava ali pra pintar a propaganda do novo Pan States do meu pai. Você vai ver, vou mandar demitir o babaca.

— Fofo, mas não antes de eu tirar isso do cabelo. Vai demorar, vou ter que tomar outro banho. Argh, que nojo.— ela falou como se fosse o fim do mundo e olhou para suas roupas sujas como se alguém tivesse morrido. Talvez tivessem sido algumas centenas de dólares naquela blusa, apenas.

Vou ter que ir sozinho?

Pra onde?

Você sabe, Frank. Ele deve estar perto de me mandar uma mensagem.

Ah, eu tinha esquecido... você pode ir na cidade sozinho apenas dessa vez? Eu vou estar esperando para a aula com o Mr. Jefferson.

Tudo bem.— Nathan deu de ombros.— Só tenta andar com a Taylor ou a Dana antes que você acabe pisando em merda.

Babaca.— Victoria riu, apesar de tudo.— Nate, só... toma cuidado, tá bem? Sabe que Frank detesta você.

Eu tô pagando pelas drogas, não pra ele gostar de mim.— foi a resposta, com um sorriso confiante. Sentados sobre a pia do banheiro, Victoria não pareceu convencida. Nathan deu um leve empurrão em seu ombro como reação.— Qual é. Se preocupe com a festa hoje.



Victoria suavizou a expressão, o que fez Nathan abrir um sorriso sútil que não lhe era lá muito comum - não para o resto da escola. Talvez não para o resto do mundo. Apenas para Victoria.

Não se atrase. Eu vou tirar essa droga do cabelo antes que eu fique louca.

Aham... três salários mínimos nesse cabelo e nenhum pro cara da tinta.— brincou. Poderia parecer meio cruel, mas eles riram.  

Após um abraço rápido dos dois, Nathan deixou o banheiro unissex dentro do prédio das salas de aula. Tomou rumo para fora dali, indo direto para o estacionamento de Blackwell e depois saindo dali pelos portões. Com os fones de ouvido postos devidamente em seu Iphone 6 da última geração, ele apenas seguiu para longe de Blackwell. Uma mensagem em seu celular chamou sua atenção. Uma resposta a uma mensagem anterior, a qual dizia "E aí? Eu preciso do Lança. AGORA"  
A resposta foi tão rápida quanto:

"Eu tenho o que vc quer. 15 minutos na praia"

"Dos fortes? "— ele digitou.

"Todos, moleque."

O contato privado ainda estava digitando...

"Porcos na praia. Fique longe.
Vamos no Ferro Velho."


"Tô chegando".— foi a resposta de Nathan.

Fim da conversa.
Rumo predestinado. E ele seguiu a pé até lá, tomando os becos mais escuros e longes da cidade para isso.
Mais um dia comum para Nathan. Mais um dia sentindo o fardo de ser um Prescott. Ou colocando a culpa nele.
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