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 Aposentos de Raven

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Charles Francis Xavier
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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Sab Jul 11, 2015 6:28 pm

Entender, Raven?— ele riu. Com sarcasmo. Mas sua expressão voltou a se fechar no segundo seguinte, como se a risada tivesse doído em sua garganta. Amarga.— Pode parar com a auto-piedade. Nada justifica o que você fez, criança. Praticamente usou Erik para chamar minha atenção, mexeu com a mente já abalada dele. Faz ideia do quanto isso é cruel, Raven? A menina com quem eu cresci seria incapaz de fazer algo assim.

Aqueles dizeres doeram mais em Charles do quê poderiam sequer doer em Raven.
Era um desafio falar aquilo tudo, ser sincero, sem mais amenizar ou filtrar nada; porque era isso que Charles tinha feito a vida toda.
Sempre tratando Raven com esmero, com segundas, terceiras, quartas e quintas chances.
Talvez esse tenha sido seu erro.
Talvez, apenas um dos que cometera com Raven.

Você precisa parar com esse complexo de superioridade.— ele suspirou.— Não pode esconder nada de mim, Raven. E eu não preciso ler sua mente para entender tudo o que tem por trás desse seu olhar. E não...

Outro suspiro.
Aquilo ia ser mais difícil do quê imaginava.
Não conhecia aquela Raven. Teimosa demais, se achando muito no direito de tudo. Era isso o que ela havia se tornado?
De qualquer forma, Xavier continuou.

Eu não ensaiei nada. Isso não é uma tese. Bem, já que você está tão diferente do que eu estou acostumado, e estou lutando para tentar reconhecer minha Raven, eu vou ser breve, assim como você está sendo. — Xavier se sentou ao lado dela sobre o colchão, e juntou as mãos sobre o colo.— A parte boa, Raven... é que eu também estou cansado de me esconder...— ele engoliu em seco, disfarçadamente, e apenas ajeitou o terno sobre os ombros, fitando a frente, sem um ponto específico.— Cansado de me esconder em relação a você...

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Última edição por Charles Francis Xavier em Sab Jul 11, 2015 7:37 pm, editado 1 vez(es)
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Raven Darkholme

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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Sab Jul 11, 2015 7:03 pm

-Talvez eu não seja mais a menina com a qual você cresceu. E eu não usei Erik. E injusto de sua parte afirmar tal coisa...
Ela virou o rosto, indignada, e ao mesmo tempo com um incômodo que talvez fosse vergonha..
-As pessoas mudam, Charles. Ninguém permanece do jeito que é para sempre. Nem eu, nem você, nem Edrik, nem ninguém... Talvez chegue o dia em que nossos interesses nos ponham em lados opostos... Todos nós.
Ela o olhou de esguelha:
-Desde quando você escondeu alguma coisa?
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Charles Francis Xavier
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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Qua Jul 15, 2015 4:09 am

Eu acho que você não deveria estar alegando com tanto orgulho que não é mais a menina de antes. Não é como se isso fosse exatamente uma boa coisa.— ele piscou os olhos azuis, umedecendo os lábios com a língua para logo após dobrar seus cantos muito sutilmente para baixo, numa expressão um tanto subestimada.— Bem, querida, não sou eu quem estou afirmando. Já deixou isso claro o suficiente alguns minutos atrás.

Ele soltou um riso quase inaudível, mas não tinha nada de feliz para ser ouvido, também.

Falando dessa forma, até parece que você anseia por esse dia.

Porém, quando ela falou a seguir, Xavier se sentiu meio... perdido...
Não era por ser um mestre telepata super poderoso - isso e muito mais - que sua própria mente não podia tratar de lhe pregar peças.
E, exatamente por isso, naquele segundo, seus pensamentos o devanearam para uma pergunta que foi recheada de lembranças.
Afinal...
Raven havia percebido, em algum momento, que os "eu te amo" de Charles jamais foram dirigidos para a Raven irmã, e sim para a, bem... jovem mulher que conhecia há anos?
Mais uma vez, ele não poderia responder isso por conta própria.
Permaneceu fitando-a, intensamente, a pele azul dela e os olhos brilhantes amarelos nunca foram capazes de assustá-lo... mas, talvez, o assustasse o que estava dentro daquela cabeça ruiva que resguardava seu rosto escamoso e redondo.
Charles podia ver a falsa Raven, a verdadeira Raven... mas ele prometeu que jamais espionaria a Raven interior.
Ele nunca precisara, na verdade. Houve um tempo em que Raven era bem capaz de contar-lhe tudo o que pensava, desabafar, sem medo de ser julgada, porque ela sabia que Charles era a única pessoa em seu mundo que não faria isso com ela. Porém, de uns tempos adiante, a Raven "interior" levara seu título ao pé da letra, e estava cada vez mais imersa em frases de duplo sentido e mistérios.
Charles se sentiu em completa desvantagem, então. Enquanto fitava aqueles olhos amarelos, ele era bombardeado com memórias e dúvidas à respeito da pergunta que ela fizera.
Uma cena muito particular lhe veio à mente.
Inglaterra, há alguns anos atrás. Talvez dois. Dois e meio. Por aí.
Fora a primeira - e última vez que Xavier viajara para dar aulas(em Oxford, é claro) sem levar Raven consigo.  
E por que só daquela vez a deixara em Nova York?
Ora, ela lembraria bem...
Seu aniversário tinha sido dois dias antes da tal viagem, e fora um verdadeiro show... de ciúmes e discussões.
Não permitiria que sua mente entrasse em detalhes mais profundos, mas ele lembrava bem de quantas atitudes eróticas ele teve que apagar da mente do rapaz acompanhante - dizia ela que era colega de escola - e que ela escolhera para passar o aniversário. No fim, Charles acabou puxando-a pelo braço para longe do rapaz e terminado a festa 3 horas mais cedo do que deveria. Em casa, na mansão, eles brigaram bastante. Ela por seus direitos de sair com rapazes, reprendendo Charles pela liberdade que tomara de simplesmente apagar coisas da mente de um garoto, enquanto o professor apenas rebatia com frases do tipo "eu estava preocupado com você".
Bem, o fato foi que Raven guardou rancor até o dia da viagem, e por isso decidiu que ficaria na mansão, e não iria com Charles para Inglaterra.
Pois bem, ele ficaria uma semana fora. Estava horrivelmente preocupado com ela, mas ele não poderia se desculpar por sua atitude descontrolada de maneira melhor do quê dando a Raven um pouco de privacidade... e um bilhete de desculpas.
Era tarde da noite naquele quarto de hotel onde ele estava, e a segunda garrafa de uísque já chegava ao fim.
O silêncio seria arrebatador, se estrépitos fortes e decididos não o trucidassem de segundo em segundo.


Ah, a máquina de escrever. Era sua companhia naquela noite, e ela o ajudava a moldar as letras que imaginava em sua própria mente...
Então por que diabos o lixeiro ao lado estava lotado de papéis amassados?
Simples. Quem visse Xavier de longe, bastava esperar alguns segundos...

Raven, meu amor...

"—...penso que eu deva escrever afim de me desculpar por meu comportamento deselegante e impensado."— era o que estava escrito com tinta fresca no papel preso à máquina, e foi o que Charles leu em voz alta...

Antes de arrancar o papel da máquina de escrever e amassá-lo, fazendo-o se juntar ao amontoado de bolinhas de papel manchadas de tinta fresca, no lixo.
Ele parou um pouco, fitou a janela bem à sua frente, um tanto acima na parede onde se encostava a escrivaninha.
E então ele colocou outro papel na máquina, arrastou o mecanismo. Tomou o restante de whisky que lhe tinha num copo ao lado, e pigarreou.
Charles sabia que era naquela imagem que ele pensava. Naquela imagem bem ali, à sua frente; Raven, fosse como fosse, era ela.
E foi com a imagem dela na cabeça que as teclas da máquina voltaram a ser apertadas, e apertadas.
Até que ele parou.
Arrancou a folha marcada com as letras de forma, e rasgou.
Mas não demorou até que ele colocasse outra...
Mas aí, Charles se levantou da cadeira, deu uma volta pelo quarto de hotel meio minúsculo demais, minúsculo demais para um homem impaciente...
Olhou, de relance, para uma carteira de cigarro que estava sobre a cama.
Um amigo, bêbado demais para lembrar esta noite, esquecera-a com Charles quando os dois estavam no bar até algumas horas atrás.
Mas Charles não fumava, é claro, então apenas a pôs ali.
Ele voltou a se sentar na cadeira de frente para a escrivaninha.

Perdoe-me se ando estranho, é que...

Ele revirou os olhos azuis, suspirou.
Mais uma bolinha de papel manchada de tinta se juntou às outras no lixeiro.
E, a seguir, a garrafa de whisky chegou ao fim.
Ele pôs outro papel na máquina de escrever.
Ele girou na cadeira por uma, duas vezes; parou. Já estava zonzo o suficiente sem precisar daquilo.
Tão anestesiado que o whisky já não mais queimava sua garganta, e ele sequer sentia a ponta de seus dedos enquanto elas teclavam a máquina, de repente, desleixadamente... libertas.
Querida Raven,

" Em meus sonhos, no meio de suas pernas" — ele leu silenciosamente as palavras que se negritavam contra o papel...—"Eu beijo seus lábios, seus dois grandes lábios doces e molhados"

Ele parou.
Afastou as mãos das teclas, releu aquilo.
Releu de novo...

Por Deus, Charles, o que diabos você está fazendo?!— ele escondeu o rosto com as mãos, agressivo.

E então ele riu.
Girou na cadeira, dando as costas para o bilhete.
Ele riu mais, e olhou o papel por cima do ombro...


A noite acabara ali.
E aquele papel foi o único que não foi para o lixo...
Mas também não fora enviado para Raven.
Resultado?
Charles Francis Xavier voltara para Salem Center no dia seguinte, deixando para trás as aulas que devia dar na universidade, e fizera Raven prometer que não iria mais deixá-lo viajar sozinho.
Ele não diria a ela, jamais, que tinha experimentado a nicotina naquela noite.
Cada um se pune à sua maneira, afinal...

Hã...— ele fez aquele barulho com a garganta, percebendo, só então, sua demora extensa para responder Raven.
agora Charles voltara ao quarto dela, à situação atual. Só então ele parara de se perder nos olhos amarelos da garota.
Piscou, pigarreando, então.
E só então ele se deu conta de que seu rosto estava muito mais perto do dela do quê deveria estar. Ele quase podia sentir a respiração dela contra seu próprio nariz.
Não era uma novidade. Só era muito repentino. E ele ficou tão paralisado que não conseguiu se mover para trás.
Então ele apenas....
Pigarreou de novo. E fitou-a nos olhos.
Quando ele fez isso, os narizes quase se tocaram.

Hm... o que você quer dizer com isso, Raven?

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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Seg Jul 20, 2015 4:11 am

A aproximação de Charles fez a mutante prender a respiração... E, se ele havia se perdido em lembranças antigas, talvez a garota tenha feito o mesmo.
Uma lembrança bem mais antiga...
A primeira.
Quando uma garota faminta entrara numa mansão para roubar, e fora flagrada por um garotinho. Que, ao invés de denuncia-la, sorriu ao ver sua verdadeira forma, e a adotou como uma verdadeira irmã...
Charles lhe dera tudo, sempre. Fosse material ou sentimental, ele fizera tudo por ela, incondicionalmente. Aquilo a fez se sentir um bocado culpada, naquele instante... Talvez, ela estivesse errada em querer ainda mais de Charles Xavier...
-Sua vida sempre foi um livro aberto... -as palavras saíram estranhas e sem convicção- ...não é?
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Charles Francis Xavier
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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Seg Jul 20, 2015 9:30 pm

A pergunta dela fez com que Charles sentisse um nó tão profundo na garganta de tal forma que ele apenas respondeu, afastando imediatamente qualquer tipo de pensamento mais profundo e sério em sua mente, ou ele não saberia se teria, em uma outra vez mais tarde, a coragem de ser sincero diante daquela pergunta...

- Não...- saiu como um sussurro, enquanto ele fitava muito de perto os olhos amarelos e reptilianos dela. Os narizes se encostaram.- Não exatamente...

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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Ter Jul 21, 2015 1:29 am

A mão direita dói, dói muito, ter dado um soco na madeira da cama talvez não tenha sido uma boa ideia mas foi o único jeito que ele encontrou para descontar a raiva de se sentir...culpado. Aquela não era a primeira vez que aquele maldito telepata fazia Erik se sentir culpado mesmo estando certo e ele sabia que se fosse outra situação ou outra pessoa, aquilo seria diferente.
Mas Charles era...era importante demais para apenas ignorar. O pobre polonês não podia deixar que aquele desejo se fosse, ele precisa dizer.
Um último gole no uísque e Erik veste uma blusa limpa qualquer mas aí percebe o gotejar no chão...é sua mão que ainda sangra.-"Droga, droga!"- rapidamente o polonês revira a colcha da cama e lá ele pega uma toalha recém usada e enrola sua mão nela.
Erik não viu mas a gola da blusa estava manchada com o sangue. Com a mão enrolada na toalha e posta contra a barriga, ele anda apressado para fora do quarto, um balançar de mão e a porta se fecha e se tranca.
-"Charles...é...me desculpe, eu não devia ter sido tão...rude."-
Erik falava e tentava chegar a uma frase decente para dizer para o telepata.
-"Você tem razão...não é culpa sua eu só...não soube entender o que senti."-
Erik se aproxima do quarto de Raven e do corredor ele vê a porta aberta.
-"Eu também tenho medo daquele...sentimento!"-
Erik precisa dizer que sentia muito.
A porta está alí quase na sua frente.
Um sorriso surge no rosto do polonês e ele vira seu corpo ao chegar na porta de moda que ele a tape, o sorriso aumenta, o olhar baixo se levanta e -"Charles, eu..."- foi o que Erik disse antes de ficar em silêncio observando aquela cena e entendo que mais uma vez ele não tinha lugar alí. A respiração falha, os olhos azuis paralisados, a boca trêmula entre-aberta, nada ele disse...até que se encostando na madeira da porta ele quebra o silêncio.

-Safadinhos! Mal viro as costas e vocês já começam a brincar de casinha.~ Uma risada forçada e um balançar de cabeça~ Não quero atrapalhar nada, mas você tem que encostar os lábios para beijar.
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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Sex Jul 24, 2015 2:34 am

-É? -a pergunta foi puramente retórica, e ela piscou os olhos amarelos uma, duas vezes, os rostos tão próximos que ela podia sentir claramente o hálito dele- O que você "exatamente" andou escondendo, sr Certinho?
A voz de Erik, por fim, deu cabo a qualquer clima que pudesse ter surgido, e a mutante oencarou com uma expressão nada contente:
-Não é o que você pensa que é, Erik... O que quer agora?
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Charles Francis Xavier
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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Qui Ago 20, 2015 7:03 am

Não precisou, obviamente, de esforço para entender o ponto retórico na fala dela. Porém, mesmo que isso o poupasse de uma resposta prévia, mil e uma perguntas se formaram, dessa vez, na mente de Charles naquele instante. Isso o fez engolir em seco, subitamente sentindo o coração pulsar, rebombando em seus ouvidos. O motivo era claramente a nova indagação feita por ela, claramente entonada com aquele timbre tão suspeito, quase sarcástico. Lhe provocou algo que ele julgaria alguma espécie de um notório receio que fez sua boca secar e o oxigênio que de repente começou a faltar, feito que se mostrou claramente perceptível para Raven quando o rosto da garota deixou de ser abanado pela respiração dele.
Uma enorme vontade de poder verificar sua carteira em seus documentos só para ver se um certo bilhete ainda estava lá - deveria estar, mesmo que estivesse guardado há muito, muito tempo... certo?
Ela sabia da existência dele? Daquela bendita - e talvez maldita - carta nunca enviada? Era uma tortura realmente agoniante não poder saber o que estava se passando dentro da cabeça rodeada de cabelos vermelhos que desde algum tempo se tornara tão misteriosa daquela forma, de modo que seus olhos amarelos, por mais perto que Charles os encarassem, ainda não poderia traduzi-los como antes.
Não, não, era impossível. Impossível. Raven não mexeria em suas coisas assim, mexeria? Alguma vez tinha tirado aquele bilhete da carteira? Não, nunca. Mas não havia jogado-o fora também, isso por motivos que nem ele mesmo nunca fora capaz de entender.
No fim, ele só tentava arranjar desculpas para pensar que aquele aquela ideia era equivocada demais. E era, certo? Queria acreditar que sim.
Quando foi que Charles ficara tão nervoso consigo mesmo diante de Raven? Ele sempre tinha como se explicar, afinal. Mas, daquela vez, ele precisou de um tempo para formular palavras em sua cabeça tomada por uma variedade abstrata de hipocôndria...

Ahn...— a respiração dele fez força para voltar ao normal, e só quando seus pulmões arderam foi que ele percebeu quanto tempo o ar estava fora deles. A situação pedia com urgência uma veracidade definitiva, desde o princípio. Então, forçou a si mesmo, respirando fundo; forçou aquelas palavras a saírem:— Não há outro modo de dizer isso... acontece que eu amo v-...

Não houve como concluir. Uma voz se sobrepôs sobre a sua e de brinde deu-lhe um susto que lhe tirou completamente o amortecimento da situação, literalmente mandando pelos ares o silêncio que antes parecia tão envolvedor, de tal modo que imediatamente o reflexo lhe tomou de conta e Charles se afastou imediatamente de Raven, encarando Erik que, ele achou, havia brotado na porta como um cogumelo. Geralmente, era Charles quem surpreendia as pessoas daquela forma, e ele quase nunca se assustava. Daquela vez, seu susto foi porque ele não tinha estado os últimos minutos exatamente à par dos pensamentos que rolavam acerca de qualquer outra coisa que não fosse a mutante azul à sua frente.

O-O quê?— ele pareceu meio atordoado num primeiro passe, até que franziu o cenho com força e sugeriu severamente a seguir:— Cuidado com as palavras, Erik. Não seja grosseiro dessa forma. Não se... precipite.

"Não". A palavra saíra da boca dos três ali. E aquilo era claramente uma ordem. Ao menos soou assim para o professor.
Xavier se levantou da cama, ajeitando o terno apenas para ganhar tempo afim de se recompor.
Segundos se passaram em silêncio, enquanto ele fingia cutucar alguma coisa na gola de sua blusa... e então ele finalmente declarou:

Raven, eu vou deixar você sozinha.— aquilo sequer parecia o homem que sussurrava perto do rosto de Mística até alguns minutos atrás. Bem, o irmão/pai/responsável e super protetor estava de volta, ou ao menos tinha se forçado a estar.— Já está tarde, muito além da hora que você deveria ter ido para a cama. Você precisa está de pé cedo, sabe disso. Então trate de vestir seu pijama e dormir. Amanhã, então, nós...— ele suspirou, e reconstruiu sua frase:— Resolveremos isso depois.

Ele não tinha lá muita certeza de quanto tempo daquele "depois" significava...
Não sabia de muita coisa agora, para ser sincero. Só tinha a certeza de que era inútil que permanecesse ali, agora.
Apenas andou para fora do quarto, mas não pode realmente alcançar o lado de fora, porque ele deu um passo em falso para trás como se tivesse sido empurrado por alguma coisa invisível, coisa que o arrancou completamente dos próprios pensamentos, dessa vez.  
Sua expressão se tornou puramente estarrecida, e seus olhos azuis encaravam arregalados Erik; mais precisamente, a toalha contra sua barriga, que pingava um líquido vermelho...

Por Deus, Erik, sua mão! O que aconteceu?

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MensagemAssunto: Re: Aposentos de Raven   Sex Ago 21, 2015 9:00 pm

A surpresa estampada nos rostos de ambos os tão entretidos na conversa quase sussurrada no quarto antes da chegado do polonês também foi uma surpresa para Erik, mas não por eles terem se espantado, mas sim por Charles ter tomado uma atitude contrária a que Magnus havia pensado.
E além disso, para quem sempre sabe quem está do outro lado da porta antes de abri-la, ele não o viu chegando?
Ele não pode ouvir o que eles estavam conversando, tampouco sabia o rumo da tal conversa se não tivesse chegado, mesmo tendo uma vaga ideia de onde isso iria levar. O pensamento de que a punição além de correta, é necessária, fez Erik pensar que ao menos dessa vez o amigo teria um atitude menos...piedosa, Bem, Magnus estava errado, a imagem que ele aguardava era totalmente contrária aquela, Mística se mostrou ser uma ótima aliada e seria de preço inestimável para a ainda idealizada Irmandade, mas quando seu real interesse veio a tona, quando aquele jogo sórdido se encerrou, o mínimo que o polonês esperava era uma das típicas broncas que Charles fazia questão de prolongar certas vezes por horas...bobagem, para charles era simplesmente fácil controlar as mentes alheias mas não era ele quem estava controlando alguém alí.

- Não é o que estou pensando? Pensei que havia apenas um telepata aqui, aliás é muito bom ver você assim...como realmente é.~ Um leve sorriso sem graça não se prolonga mais que alguns poucos segundos até que os lábios se tornem quase uma linha reta~ Não vim atrapalhar seu...seja lá o que vocês estivessem fazendo, só pensei que precisava falar com...~ o rosto de Erik muda lentamente de posição focando os olhos azuis em Charles que se encontrava ao lado de Raven~...seu irmão, mas vejo que você lhe deu uma outra ocupação. ~ A voz de Charles que acabara de se pôr em pé diante de Magnus se sobressai no silêncio deixado pelo fim de seus dizeres fazendo o tom do polonês aumentar um pouco~ Não me precipitar? Me desculpe, Charles mas o que acha que qualquer um pensaria ao ver isso?

O silêncio permanece após Charles se levantar e por alguns instantes ter seus movimentos acompanhados pelo olhar atento e frio do polonês que agora cogitava fortemente a opção de esquecer tudo que havia pensado em falar para o telepata, Charles não precisaria ouvi-lo, Erik nem ao menos acusou ele ou Raven de algo e ambos pareciam terem sido pegos fazendo algo que talvez eles mesmo pensavam ser indecente...embora isso não parecesse mudar o fato de que Mística e Xavier tinham laços maiores que apenas o mais aparente.
Os dizeres de charles que cortaram o silêncio do quarto deixaram isso bem claro: "Resolveremos isso depois.", a intromissão, mesmo que sem intensão, de Erik não mudaria esse fato...mas outro fato não poderia ser mudado, Mística possui em cada célula de seu corpo um poder incomparável, seria uma pena perdê-la caso se torne um dos cordeirinhos de Charles, o fato é que tudo o que Magneto e Raven conversaram não poderia ter sido apenas para conseguir o interesse do polonês, havia raiva e angústia dentro do seu ser, Erik só precisava encontrar aonde e como usar isso ao seu favor e for necessário contra outro alguém.

- Ele ainda lhe chama assim mesmo quando está desta forma, Mística?~Os olhos azuis de Erik se direcionam focando as esferas amarelas tão presentes no rosto de Raven, mas só por alguns segundos antes de voltar a encarar o telepata e sussurrar audível o bastante para ele~ Não esqueça de lembrá-la de escovar os dentes.

Os passos de Charles se iniciam o levando até próximo o bastante de Erik para que o mesmo pense que deveria se afastar um pouco da porta dando ao telepata espaço para atravessá-la mas Charles não chega a sair quarto, o corpo imóvel de Xavier estava ali na sua frente mas não o encarava, pelo menos não diretamente, e não demorou até que os olhos semicerrados do polonês encontrassem para onde o telepata olhava.
O sangue escorria gélido pela mão de Erik, ensopando a toalha, e dela algumas gotas acertavam os seus sapatos fazendo-os serem machados pelo sangue que só agora foi notado.
A repentina preocupação com a mão já esquecida por Magnus o fez ter um tremelique em seu queixo quando inesperadamente uma resposta foi cobrada.

- N-não foi nada demais, eu só...~ Afastando a mão enrolada na toalha de seu corpo, Erik pode ver que até sua blusa estava manchada de vermelho~...acabei me machucando, foi um acidente, apenas isso. ~Um engolir seco e Erik procura com os seus olhos achar o par de esferas brilhantes no rosto do telepata~ Não há nada que tenha que se preocupar...~ A mão machucada se contrai enquanto os olhos frios semicerrados, talvez pelo estado sério ou pela perda de sangue contínua, seus olhos o fitam como se pudesse ver além da imagem típica e serena do professor~...mas você devia se preocupar, ainda há crianças por aqui, apenas tente se comportar, Charles.



Erik sabia que Charles não era nem um pouco novato em relacionamentos complexos, e por mais que talvez ele tenha esquecido, alvez momentaneamente, Moira ainda frequentava a mansão.
E por mais que Magnus pudesse fazer algo, ele não faria.
Pelo menos nada além de falar brando ao amigo.

- Apenas cuidado, não jogue dois jogos ao mesmo tempo...vai acabar perdendo nos dois.
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